Enquanto alguns se ufanam do seu umbigo ser a razão da queda do muro de Berlim, eu exalto aqui Lisboa que, para lá de ser nome de Tratado europeu, também exibiu ela em tempos um muro da vergonha.
Quando depois de 74 a Alemanha Democrática abriu uma embaixada em Portugal, foi num prédio novo de nove ou dez andares que fizeram no Alto do Pina. Tinha uma frente para a Rua Barão de Sabrosa e outra para a Alameda de Dom Afonso Henriques (uma rica vista). E tinha um muro a toda a volta, com gradeamento alto por cima, que só deixava metro, metro e vinte de passeio para se circular na rua. O povo das redondezas chamou-lhe logo o muro da vergonha. E com razão.
Também este muro veio a ser demolido nos anos oitenta.
Embaixada da R.D.A., Alto do Pina, [s.d.].
Vasques, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Era para proteger o paraíso dos ( trabalhadores escravos dos lideres socialistas-comunistas ) que hoje são os maiores mafiosos dos países de leste, isto é que se chama mudar a casaca, o pior é que há ainda muita gente a votar neles, os representantes dos trabalhadores, que nunca fizeram nada se não viver a conta do sistema.
ResponderEliminarEste edifício foi construído onde antes havia uma vivenda, edificada num estilo muito apreciado na transição dos anos quarenta para os cinquenta, do século passado. Rodeada de vegetação alta, era a discreta residência do benemérito que mandou erigir a Capela dos Doze Apóstolos, na Barão de Sabrosa, o Pelicano, logo ao lado (na altura,externato) e ainda o grande edifìcio que tem o S. José sobre a porta que dá para a Alameda.
ResponderEliminarO prédio, foi dos que ilustraram um trabalho, em várias edições, do extinto Diário Popular, dedicado aos "mamarrachos" da capital.
O muro foi construído mais tarde, após a RDA se interessar pelo edificio, com a conivência da C.M.L., a pretexto da necessidade de segurança. Talvez fosse um hábito, já que a embaixada da então URSS, perto do Lgo do Leão, também tinha um muro assim. Eram excepções relativamente a todas as outras instalações diplomáticas, a começar pela embaixada dos EUA. Depois de muita polémica, já entrada a década de 80, o muro veio abaixo. Mas os protestos não cessaram, pois a caixa que se vê entre o peão e o veículo estacionado, ainda ficou no meio do caminho por mais algum tempo, até ser finalmente encostada à parede.
Hoje, uma geração depois, nem muro, nem embaixada, nem RDA. Apenas ficou o mamarracho que, ao invés de se extinguir também, ainda arranjou companhia.
A.v.o.
Temos hoje especímenes tão democráticos como os da defunta República Democrática com modo de vida idêntico. Qualquer democracia é bom argumento para banquetes de sultão. Cumpts.
ResponderEliminarLembro-me dos pormenores que dá sobre o muro do mamarracho. Sei da história do benemérito do Pelicano (o bom amigo Fernado C. recorde-me o nome dele se me ler aqui, por favor). Não me lembro da moradia que houve no lugar. Nem acho imagens dela completa no Arquivo Fotográfico; queria mostrá-la aqui.
ResponderEliminarA companhia do mamarracho é sina. Veja lá a simetria com que os ainda compuseram do lado do Técnico, uns cubos envidraçados. Tudo do melhor para implodir.
Cumpts.
A mim assusta-me passar junto à embaixada de Israel ali perto do Saldanha. Isso sim... pleno século XXI... não há nada melhor... Uma vez, encostei o carro para uma colega minha descer, abri os 4 piscas só para dar tempo de me despedir dela... apareceu logo um senhor polícia a dizer que eu não podia estar parada ali. Eu sei que não estava parada em situação completamente regular, mas também não impedia a passagem de carros e/ou peões (que naquela rua nem são muuuito frequentes, muito menos às 22h), mas tive que "desamparar a loja" a correr...
ResponderEliminarAli não há muro, mas há vergonha...
O benemérito de que fala era Raúl Fernandes, comandante da Marinha Mercante, avô de duas figuras públicas deste país: do académico, ex-deputado Rosado Fernandes e de sua irmã, Cremilde, cravista.
ResponderEliminarFoi ele quem mandou construir a Igreja dos Santos Doze Apóstolos, o Pelicano (orfanato, só de meninas) e a sua vivenda, todos na Rua Barão de Sabrosa.
O "edifício do S. José" na realidade um Preventório situado no cimo da Alameda de D. Afonso Henriques, também teve a sua mão.
Cumprimentos.
A vergonha maior é termos chegado ao ponto de interditar permanentemente uma avenida da capital por causa dum vizinho mais importante. Isto só não é um país de vermes rastejantes porque já deixou de ser país há muitos anos. Se a embaixada de Israel quiser reabrir a rua e cobrar uma portagem a P.S.P. zelará pelo negócio.
ResponderEliminarCumpts.
Bem calculava que nos pudesse ilustrar mais aqui sobre este lugar. Muito obrigado caríssimo amigo.
ResponderEliminarAbraço!
Didáctico o comentário de Fernando C. Elucidou-me sobre alguns pontos que desconhecía.
ResponderEliminarA.v.o.
Vergonha mesmo é o mamarracho! Que pena não ter sido ele a ir abaixo!...
ResponderEliminarAbraço
É um prédio sem graça nenhuma, mas deve ter boas vistas. Cumpts.
ResponderEliminarE cobra multa a quem passar sem pagar!
ResponderEliminarAbraço
Principalmente porque é o único sítio de onde não se vê o dito! :-)
ResponderEliminarAbraço
Em se tratando da embaixada de Israel sería terrorismo. Provalmente dará cadeia.
ResponderEliminarCumpts.
Bem observado. Cumpts. :)
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