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segunda-feira, 29 de junho de 2009

No frontão da casa vizinha

 Há tempos numa pizzaria vi umas fotografias antigas emolduradas decorando as paredes. Enquanto esperava o almoço apontei umas notas no caderninho. Não me recorda ao certo o que escrevi mas cuido ter anotado algo sobre uma certa luminosidade extraordinária nestas imagens antigas que não acho facilmente em Lisboa hoje em dia. Não sei se isto fará sentido, deve ser crença minha. Esta tarde porém, sobre o frontão da casa em frente pousava essa extraordinária luminosidade de fotografia antiga e prolongava-se no azul do céu, miraculosamente sem nuvens àquela hora neste chuvoso dia de Junho. Por um instante dissipou-se o bulício imparável da cidade. Por um instante cuido que entrevi ali, sobre o frontão e o telhado da casa em frente, aquela luz antiga dos retratos de Lisboa de há sessenta, setenta, oitenta anos.
 

Palacete Sotto-Mayor, Lisboa (Paulo Guedes, s.d.)
Palacete Sotto-Mayor, Lisboa, [ant. 1947].
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

4 comentários:

  1. Não penso que seja crença sua, Bic. A luminosidade perde-se muito com a atmosfera pesada e poluída da Lisboa actual, sobretudo no Verão. Há muito poeira no ar – talvez também devida ao milhão de obras que irrompeu, subitamente, pela cidade fora, só Deus saberá porquê… Mas há dias em que, depois de uma chuvada ou sob um Sol lavado de Inverno, essa velha luminosidade se revê.

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  2. Sabe que tem razão?! Cumpts. :)

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  3. E aqui encontra a magnífica "casa", vista por esta sua vizinha:
    http://coisapouca-07.blogspot.com/2009/07/lisboa-de-luzes-partilhadas.html

    Abraço

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  4. Bic laranja24/7/09 12:47

    Muito obrigado.
    Cumpts.

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