Uma das referências que veio à baila para a datação da fotografia da Avenida, de Mário de Novais e que aqui deixei há dias, foi o prédio, ou prédios, do quarteirão oriental da Rua do 1.º de Dezembro no troço acima do Largo de Dom João da Câmara. Pois no que esgravatei por causa do caso no Arquivo Fotográfico da C.M.L. encontrei esta muito antiga. Mostra o troço de rua do Hotel Avenida Palace antes da abertura da Avenida da Liberdade. O portão que se vê adiante é do jardim do Passeio Público que havia no lugar de Valverde, hoje Restauradores, e que vinha do tempo do Marquês de Pombal. Ocupava todo o espaço que vai até por altura da Rua das Pretas. Aliás, o prédio que se vê nesta fotografia ao cimo do passeio público era num largo que ligava a Rua das Pretas à Praça da Alegria; chamava-se Praça da Alegria de Baixo.
Rua do Príncipe (actual do 1º de Dezembro), Lisboa, 1882.
A seguir o mesmo troço de rua pela lente de Eduardo Portugal em 1943 e, na conjectura do arquivista, c. de 1952. De todo o modo, ambas anteriores à demolição do quarteirão oriental acima do Largo de Dom João da Câmara. Na segunda notam-se os grandes toldos dos afamados cafés Martinho e Suisso.
Rua do 1º de Dezembro e Largo de Dom João da Câmara antes das demolições, Lisboa, 1943.
Rua do 1º de Dezembro e Largo de Dom João da Câmara antes das demolições, Lisboa, c. 1952.
Fotografias do espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
O progresso tem destas coisas. Se tudo tivesse permanecido como mostra a primeira foto já não teríamos os comerciantes (como é tradição) o ACP e mais um ilustre professor do Técnico, muito versado nestas coisas do trãnsito, a temtarem impedir o presidente da C.M.L. de condicionar transporte privado na Baixa. Como se o caos que estes opositores profetizam não estivesse já instalado. Talvez tivessemos perdidos alguns bonitos exemplares de edifícios da Av. da Liberdade. Pelo menos durante o tempo que duraram pois, actualmente, já poucos restam, pelo que também não se tería perdido muito. E os pedintes, sem-abrigo, drogados, semi-loucos e outros que tais, talvez se contentasem a arruinar o o Jardim Público, tal como fizeram ao do Torel e não andassem a enxamear a Baixa toda.
ResponderEliminarO anúncio da Sandeman fez-me recuar à minha infância,quando desembarcava com os meus pais, ao princípio da noite, na Estação do Rossio e vía à saída, deslumbrado, os anúncios luminosos do Fosforo-Ferrero e do Brandy Constantino ( e se calhar do Sandeman também) que pareciam mesmo que se mexiam a sério. Até isso também desapareceu. Na Baixa degradada de hoje, já só sobrevivem, nos telhados, os suportes ferrugentos dessa publicidade.
A.v.o.
Independentemente de outras considerações que se possam fazer sobre a "qualidade de vida da época", o que me atrai nestas excelentes fotografias que nos vai trazendo sobre a nossa cidade é a beleza que ela tem. Ou melhor dito, a beleza que já teve. Imagino o quão agradável seria passear naquela Baixa sem o ruido ensurdecedor dos milhares de carros que, hoje, por lá passam.
ResponderEliminarEste é – infelizmente - mais um caso de um mundo totalmente perdido. Perderam-se há muito estes cafés cheios de gente (sentada!); as maravilhosas iluminações; a enorme importância da Estação do Rossio e o ambiente cheio de vida e alma Lisboeta.
ResponderEliminarAgora até a Baixa é uma espécie de gueto, onde todos passam demasiado depressa, sem se importarem seja com o que for. Os poucos que ficam, usam o espaço da mesma forma e com o mesmo espírito com que se usam duma casa de banho.
E de quem será a culpa?
Abraço
O caos está instalado, sim. Cuido que não haja solução. Só propostas idiotas.
ResponderEliminarCumpts.
A qualidade de vida mede-se muito pelo nº de engenhocas modernas ao dispor. Os automóveis atrofiando a cidade demonstram quão errada é essa bitola.
ResponderEliminarCumpts.
É do Bush. Esse grande malandro.
ResponderEliminarCumpts.
:-)))
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