Na Av. 5 de Outubro n.º 38 houve em tempos um palacete com jardim murado que dava até à Av. Duque de Ávila. Cuido até que foi desse jardim que um fotógrafo desconhecido bateu uma chapa em que se vêm dous palacetes que já publiquei sobre a Av. António Maria de Avelar.

Jardim com gradeamento na esquina da 5 de Outubro com a Duque de Ávila, Lisboa, 1961.
Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Mas tornando ao palacete do n.º 38, puseram-no faz tempo à venda dando nota disso na parede do mostrengo envidraçado que lhe brotou no jardim:
Vende-se palacete com 900 m2
Vende-se palacete, Lisboa, 2008.
A marreca de vidro não está incluída.
......não encontro palavras. Um pastel de nata com um hambúrguer por cima...servidos e comidos ao mesmo tempo. Viva a capital do mau gosto.....
ResponderEliminarCaro Bic:
ResponderEliminarÉ tristemente a nossa sina; estarmos sempre a ser violentados por animais sem qualquer cultura ou gosto, que apenas vêem o lucro fácil à frente e que até parece terem uma vontade perversa em destruir tudo o que é belo e evocativo de tempos bem melhores do que esta idade das trevas em que infelizmente vivemos.
Isto para além do facto de, friamente, o mamarracho de vidro ser - como todos os seus congéneres - uma aberração em termos energéticos no nosso clima. Uma verdadeira estufa, com custos exorbitantes em electricidade para a climatização. Mas se calhar isso também será intencional: mais lucros para os «amigos» e sócios da EDP, REN e quejandos.
Cumprimentos
Bom dia
ResponderEliminarJá nos vamos habituando à ideia de que este é um país de modas.
Agora estamos na moda do acordo ortográfico, e pretende-se conjugar o verdo destruir como se se trata-se do verbo modernizar.
Ainda está para nascer alguém que justifique porque razão temos que destruir o património que possuimos para sermos mais modernos.
Antes pelo contrário, creio que o maior sinal de modernidade assenta na preservação de tudo o que, por qualquer forma, marca o nosso passado.
A continuar assim, dentro em breve podemos ser muito modernos e actuais, mas, infelizmente, sem marcas fisícas do nosso passado.
Caro Feiradecastro....usar o termo "moderno", para a porcaria que se vê na imagem, é quase blasfémia. A arquitectura "moderna" de Lisboa, aconteceu já na década de 30 e, deixou múltiplos marcos de criatividade e bom gosto na nossa cidade. A história não nos vai perdoar estes erros....
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ResponderEliminarCoomo é possível???
Feiérrimo. Ainda outro dia estive especada e vê-lo.
ResponderEliminarNo outro dia quando vi a tal fotografia dos palacetes lembrei-me automáticamente deste. Tinha um jardim e, junto aos edificios da Duque D'Avila, tinha um anexo (garagem) revestido de azulejos.
ResponderEliminarDava um ar muito limpo ao cruzamento.
Do que lá está não há muito a dizer. É apenas mais um exemplo do que de pior se consegue fazer.
Nesse palacete estiveram instalados os serviços da Provedoria de Justiça em tempos do Provedor Almeida Ribeiro. Já na altura o jardim estava um bocado descuidado. Quanto á "metamorfose", vulgarizou-se, como se pode ver mais à frente, na esquina da Filipe Folque, onde idêntico "pastiche" tomou posse de um belo exemplar de mercearia das avenidas. Sim, porque as Avenidas Novas já foram humanizadas e tinham mercearias, drogarias e até tabernas, uma das quais, bem típica, ficava na Duque d'Ávila, quase em frente ao palacete da foto, entre a Pastelaria Sequeira e a Cervejaria Moisés. Actualmente é um café "franchising". Requiescat in pace.
ResponderEliminarMas, para além da mágoa, a questão de fundo permanece: o proprietário vende a quem dá mais, a quase totalidade dos lusos não pode pagar o que ele pede, os poucos que podem não estão interessados, então o que fazer? Se calhar, ou isto ou nada, por mais que nos custe.E é este dilema que vai consumindo belos exemplares de património edificado.
A.v.o.
Ainda ontem estive parado ao lado no semáforo a olhar para o edifício.
ResponderEliminarNo entanto não é a modernidade ou a venda a estrangeiros que me choca. É uma entidade como o IPPAR, agora IGESPAR , permitir que o fizessem. Um dia não permitem mexer em velhas janelas num edifício velho e descaracterizado e noutro permitem encavalitar uma caixa vidrada num palacete interessante.
Opinião minha, o conceito está interessante, mas não deu o melhor resultado.
Parabéns pelo novo Banco! Mas o logotipo não devia ser a laranja?
ResponderEliminar:)
Benévolos leitores: Parece que estamos todos mais ou menos de acordo. Uma nota para o Atentti al Gatti sobre a questão de fundo que refere, e bem: o isto ou nada (tal como as mercearias, drogarias e até tabernas, das avenidas) não se deverá ao nada que nos tornámos como comunidade?
ResponderEliminarCumpts. a todos
Por acaso ouvi qualquer coisa, mas olhe que não é nada comigo.
ResponderEliminarCumpts.
Que pena! Eu a supôr que o caro amigo Bic era banqueiro! Tipo Monopólio!
ResponderEliminarCumprimentos:)
Olha, transformaram o palacete num palhacete! Abraço
ResponderEliminarGrato pela amável referência. E gosto de fazer parte de uma comunidade que defende valores perenes e consensuais e não modas passageiras, como esta que defende o património nas suas várias vertentes, embora esta defesa se assemelhe às cargas da cavalaria polaca contra os "Panzer", durante a invasão nazí da Polónia, em 1939.
ResponderEliminarA.v.o.
Abraço! :)
ResponderEliminarInacreditável!... Esta fez-me logo lembrar outras duas “marrecas” igualmente estapafúrdias, uma na Av. Alm. Reis e outra na Rua Castilho (não sei agora precisar os números).
ResponderEliminarO que mais me espanta é que haja quem aprove e aplauda estas preciosidades!... :-(
O que eu quis dizer mais acima, é que gosto de fazer parte desta comunidade que defende valores perenes e consensuais (património, p.ex .), por oposição às que defendem modas passageiras, mas o texto atraiçoou-me as intenções. Consequências de andar a treinar o novo acordo ortográfico.
ResponderEliminarFoi a minha primeira função na 1ª vez que joguei. Cumpts.
ResponderEliminarCreio que conheço esses. A da Rua Castilho: http://biclaranja.blogs.sapo.pt/107811.html .
ResponderEliminarCumpts.
Apesar disso percebia-se. Mas fiquei sem saber o que fazer sobre a carga dos Panzer.
ResponderEliminarCalhando, se fôssemos uma comunidade mais consciente e respeitadora dos antepassados, talvez os Panzer fôssemos nós, passe a comparação. Sim, porque afinal as bestas cavalares são quem comete estas crimes hediondos contra o patrimonio a troco duns patacos.
Cumpts.
A carga de cavalaria é uma analogia: em Agosto de 1939, quando o moderno e bem equipado exército nazí invadiu a Polónia, esta só tinha para lhe opor um exército antiquado e exíguo, com uma cavalaria clássica que, contudo, que se atirou aos temíveis "Panzer" de peito aberto e lança em riste. Um episósio de um romantismo comovente, que se saldou pela morte heróica-suicida de muitos homens e montadas mas que, em termos práticos, não passou de uma resistência simbólica. Acontece o mesmo com as tais comunidades. Aos "Panzer", agora transformados em "Bulldozer" apenas podem opor a lança da palavra. O que é notóriamente ineficaz. Deste lado da barricada pode dizer-se que se morre com honra, dando luta mas, do outro lado, diz-se que os cães ladram e a caravana passa.
ResponderEliminarA.v.o.
Para mim, o mal é terem os donos terem de vender os jardins, para poderem manter o palacete, ou para partilhas.
ResponderEliminarJá tinha acontecido nos anos 60, se não estou enganada, com o palacete dos Avilez, ao fundo do Campo Grande, ao lado da Churrasqueira.
Quem se lembra disso?
Ou de um outro palacete, por trás deste dos Avilez, que não acordaram sair nem vender a casa e lhes puseram dentro do jardim uma "sapata" de sustentação do actual metro.
Lembra-se? nunca mais me esqueci da imagem vista com os próprios olhos.
beijinho
É realmente triste a mentalidade de mal-dizer que persiste em Portugal e particularmente em Lisboa. Unicamente uma reflexão: antes de comentários sem fundamento um pouco de instrução sobre o tema - urbanismo. Ainda bem que "fazer cidade" e, principalmente, contribuir para a sua evolução não cabe a meros comentadores de internet...
ResponderEliminarNós cá no Porto fazemos 'marrecas' bem melhor. Mas concordo que se deve fazer cidade. O prédio de vidro bem podia ter ficado maior sem o Palacete mas acho bem melhor solução que seja conservado este Palacete inserido dentro da arquitectura moderna. Mesmo que todos sabemos que é muito mais caro conservar/restaurar que construir novos prédios. É uma solução de consenso. Sabem alguma melhor? Então não trabalham para o IPPAR.
ResponderEliminarPor vezes leio alguns comentários que me deixam estarrecidos a olhar para o monitor. Escrever por escrever, porque agora fica bem escrever em blogs, quando não se tem nada para dizer deixa-me triste, sim porque os senhores nem se quer conhecem este palacete, nem se quer sabem que todo o seu interior e exterior foi totalmente preservado, posso mesmo adiantar que deve ter sido um dos poucos edifícios em Lisboa totalmente preservado.
ResponderEliminarAceito o que diz mas só vale das telhas para baixo. Cumpts.
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