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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

12 palavras e a informação

Respondendo ao desafio do Réprobo para aqui deixar 12 palavrinhas que me agradam, eis a lista:

Agir Menos enviesado para designar acção que todas as iniciativas e implementações com que me enchem o quotidiano.
Aldeão Mais genuíno que cidadão; de mais a mais quando os arautos da cidadania tanto se pelam pelo cidadão comum. Se os há comuns também os haverá especiais...
Azinhaga Em conjunto com beco e travessa: caminhos em vias de extinção, não pela dimensão ou direcção, mas pela designação cheia de rodriguinhos dos novos que se constroem (vielas que se dizem avenidas, becos que se dizem largos, caminhos e estradas que se dizem acessibilidades...)
Ermamento Ironia ao deserto de ideias (e de vocabulário) dos inventores de designações peneirentas mas ocas, como ordenamento do território.
Instrução Pelo valor de ensino, treino, somando o sentido etimológico de edificar, construir. Para contrariar formação que almeja moldar as gentes na forma (ô) da doutrinação. Um dos moldes mais usados é a in-formação...
Mestria Para banir o know-how, fruto de muita formação, mas que só demonstra bárbara instrução.
Nau Catrineta. A ladainha dos nossos fados.
Pergaminho De bom coiro. Para registar a tradição.
Reino Como se dizia Portugal.
Silêncio Porque é de ouro.
Valor(es) Para contrariar amorais mais-valias, que é só o que hoje se sabe dizer.
Vós 2ª Pessoa do plural; muito desusada em favor da 1ª do singular.


 São estas como podiam ser outras. Mas das que estão completo o que digo na instrução sobre a forma doutrinária da informação, porque ouvi no jornal da meia-noite da S.I.C. Notícias, a propósito das comemorações das invasões francesas em Madrid, dizer singelamente que a Espanha deixou passar a tropa do Napoleão que vinha invadir Portugal. Um pecado por omissão que a Espanha não cometeu em 1807. Na altura invadiu-nos tanto como os franceses. [Mas veio a arrepender-se.]



Assinatura do Tratado de Fontainebleau [da rendição de Madrid]


12 comentários:

  1. Concordo sobretudo com a última, infelizmente caída em desuso. Uma outra palavra que gosto imenso é "oxalá", porque revelar toda a multiculturalidade da nossa lingua!

    cmpts.
    tiago

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  2. sabeis bem que o meu pai só utiliza 2ªs do plural. é um homem do renascimento, não há dúvida!

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  3. Meu Caro Bic, um maravilha, com a ironia que preserva o que o pedantismo e outros mimetismos querem extingir. Grato por ter correspondido ao desafio.

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  4. Mas então não foi este Tratado, dito entretanto da «Independência de Espanha» e cujo articulado dividia Portugal e o velho Ultramar às postas, não foi este Tratado, dizia, que a nossa «classe política» foi agora comemorar em Madrid ?! Corrijam-me se me enganei ...

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  5. pedro macieira13/2/08 13:37

    Também eu ouvi a afirmação na SIC, que "Espanha tinha autorizado a passagem das tropas francesas..." e realmente fiquei intrigado (não me lembrando dos factos históricos), e o esclarecimento agora feito pelo biclaranja veio colocar nos seus devidos termos a situação. O Tratado de Fontainebleau, é uma peça importante para perceber a "visita" das tropa Napoleónicas, e não só por este lados.E realmente é estranho que Portugal participe em Madrid, nas comemorações da invasão do seu próprio território, pelos nossos "hermanos, e pelos seus aliados franceses...
    Um abraço

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  6. Agir é um verbo que anda em falta!
    E o silêncio é de ouro sim:)
    Cumprimentos

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  7. Bic Laranja13/2/08 22:11

    'Oxalá' também gosto, Tiago. // Não, Pitx. É home' transmontano, terra de gente que sabe dizer bem as coisas. Manda-lhe daqui um abraço! // Obrigado eu pela oportunidade de 12 verbetes duma vez, Réprobo. // Poss corrigi-lo, Asdrúbal, mas os factos desmentem-me. // Vá-se lá perceber essa gente, caro Pedro Macieira. É que nem afrancesados se lhes pode chamar... // Sim, Dona T.; interagir é que anda algo na berra. Modas. Rodriguinhos... // Cumpts. a todos

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  8. Nunca é demais recordar certas verdades, mesmo aquelas que nos possam doer, porque, como reza um dito antigo,o que arde/dói cura ou assim conviria que acontecesse.

    Um abraço.

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  9. Quase podia assinar esta lista, não fosse eu um dos que incorre na última falta. Mas isto das línguas é assim, evolui a partir do erro. Quase só a partir do erro.
    Quem foi o "iluminado" que foi comemorar o tratado de Fontainebleau? O de 1807?
    Eles esmeram-se em ser ainda piores do que aparentam! Que gentinha!
    Abraço

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  10. Bic Laranja14/2/08 20:38

    António Viriato: recordar pode ser, mas comemorar? // A coisa aparenta ser para comemorar a derrota dos franceses. Mas o tratado de Fontainebleau ensombra as coisas. A revolta contra os franceses só se deu em 2 de Maio de 1808, e as revoltas em Portugal só se deram em Junho, portanto não é isso que se comemora. Cheira-me que há por aí festa pela Revolução Francesa que veio no bornal da soldadesca napoleónica, até porque o desfile em Madrid contou com franceses. Mas não sou perdigueiro e pode ser como diz, esmerada estupidez. E sobre isto o ministro da Defesa Nacional é licenciado em História... // Cumpts.

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  11. Comemorar, não, acho deslocado, impróprio, absurdo ou mesmo masoquista. Mas evocar, sim, para aprender e reflectir, nas glórias - poucas - e, sobretudo, nas desgraças - imensas - havidas por esta Península há 200 anos.

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  12. Bic Laranja14/2/08 22:26

    Creio que é uma tese aceitável para o desfile em Madrid. Mas cheira-me cá que a evocação conforma festim jacobino ou maçónico por 1789. Mesmo não no sendo é como se nos alegrássemos com o esbulho da Convenção de Sintra. Acho preferível comemorar a Roliça ou Vimeiro.
    Cumpts.

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