O prezado Manuel salva o sr. ministro da Saúde. Salva-o da mediocridade do governo por ter uma ideia para o sistema (de saúde - nacional é que não) e louva-lhe o empenho em na levar a cabo. Quero perceber-lhe alguma ironia, amigo Manuel. Nem todas as ideias têm jeito nem pô-las em prática nesse caso será coisa de louvar. Muito menos se salva da mediocridade alguém que é de boamente subalterno dum timoneiro que muda de um instituto público para uma universidade privada porque a segunda era ao lado do primeiro.
Incisivo, o amigo Manuel ocorre-[lhe] perguntar, já não a este ministro, se há alguma ideia da capacidade que o interior tem para criar riqueza adicional e, havendo, qual é o número de pessoas, com os padrões actuais de vida, que essa riqueza pode fazer fixar.
Há uma ideia, há. Se é de ministros ou de consultores vou pela segunda. E a ideia é que a capacidade do interior criar riqueza tende para zero. Logo quaisquer pessoas que lá vivam só vão dar despesa (agora só dizem 'custo' por causa do tal economicismo exigir sempre um saldo favorável à conta de proveitos). O realismo de racionalizar recursos aplicado à nação como a uma empresa leva infalivelmente à classificação dos cidadãos como recursos humanos. E como nas empresas os humanos quando estão a mais são recursos dispensáveis... Pois! Já se vê a ideia... Será ela ideia dum ministro de Portugal ou dum consultor?
Outra ideia que daqui decorre é a dedicação exclusiva dos recursos ao 'core business' e no mais recorrer ao 'outsourcing'. Sugiro três temas para reflexão: campos de golfe, Europe's west coast e maternidades raianas (do lado de lá da raia, claro).
Esta é a meu ver a filosofia subjacente à causa do sr. ministro. Por mais competência que ele atribua à equipa técnica que lha dita, a causa é deloittiana, não nacional. Essa é que é essa.
Estrada de Rossão (E.M. 1035), Serra de Montemuro, 2006.
Nota: espero que o muito tempo que levei a achar esta fotografia dum lugar ermo para melhor 'tratar' o que escrevo não seja sintoma daquilo que o sr. ministro anda a fazer implementar.
Meu Caro Bic Laranja, o Ministro vai sentir-se nas nuvens ao constatar que Alguém lhe reconheceu uma filosofia por trás das más acções. Tanto que aposto que só lhe ocorreria defender-se dizendo que o Interior foi abolido, agora que há estradas muito melhores do que a belissimamente fotografada. Abraço
ResponderEliminarIsto tem graça porque o Manuel dá-o capaz de pensar e eu desncanto-lhe uma filosofia. É um modo de o pôr, sim senhor. Amoral, mas é um modo de o pôr. Cumpts.
ResponderEliminarÉ verdade! Reconheço ao ministro da Saúde alguma competência mental. Mesmo que o tenha apanhado nuns tantos disparates argumentativos, dos quais é exemplo a defesa das taxas moderadoras no internamento hospitalar.
ResponderEliminarVejo-o subalterno de alguém de menor estatura mental do que ele, sim, mas a aplicar uma política por ele próprio delineada e decidida.
Eu preferiria que o interior tivesse mais gente e veria com bons olhos políticas de repovoamento.
Não me parece é que esta política de reestruturação do sistema de saúde seja uma das causas do ermamento. Parece-me, sim, ser uma consequência.
Abraço
É, sim, consequência do ermamento. Mas já vê que o agrava quando o podia em certa medida e com justiça atenuar. Os povos são pobres, estão envelhecidos, e o critério meramente quantitativo não é governo é gestão (amoral); ainda por cima má porque gasta recursos em coisas que pouco adiantam, como isto dos cigarros. De resto parece-me que se sobressai é porque o resto é pior. Mas que sei eu. Cumpts.
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