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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A correnteza

 ... Do Campo dos Mártires da Pátria.
 Perguntou, e bem, o prezado confrade Je Maintiendrai se deixara eu no tinteiro a descrição do topo da panorâmica de Lisboa desde a Senhora do Monte com que ilustrei a Praça do Campo de Santana. E generosamente compôs:

[...] Toda a correnteza ocidental do Campo de Santana ainda parece lá estar mais ou menos intocada. A começar na esquerda, o palacete hoje fechado, que albergou serviços do M. da Educação, depois da boca da calçada do Moinho de Vento, como quem vai para o Instituto Câmara Pestana, em direcção à calçada de Santana. Acá da mesma c. do Moinho, o casario parece o mesmo que persiste, incluindo (por esta ordem) o Instituto Alemão, a Embaixada Alemã, o antigo e avarandado prédio do Patriarcado (antes não sei de que Visconde), o prédio (também patriarcado) que foi da família Geraldes Barba, e penso só o último (hoje substituído por um de azulejo verde a fazer canto com a Alameda de S. António dos Capuchos, onde está o restaurante "Clara") desapareceu. Mas lá se vê por detrás a mole imponente do Convento e Igreja de S. António dos Capuchos, hoje hospital da mesma apelação.



  Lembrou-me de fazer uma adenda com o comentário mas o verbete ia já extenso e ao depois merece-me o assunto ser tratado agora com melhor cuidado aqui.
 A correnteza de casas descrita pelo nosso confrade é como vedes abaixo, da direita para a esquerda, que o mesmo é dizer desde (quase) a Alameda dos Capuchos até ao Torel.


Ajardinamento do Campo dos Mártires da Pátria, Lisboa, post 1907.
Fotografia de Paulo Guedes in Arquivo Fotográfico da C.M.L.


 O primeiro (o último que o confrade refere na correnteza) espreitava para a Alameda dos Capuchos; foi demolido e substituido pelo dos azulejos verdes.
 O Palácio Patriarcal (Geraldes Barba?), sem expressão arquitectónica, no dizer de Norberto de Araújo, onde sobre o portal duma capela se lê a inscrição: «Edificada em 1730 pelo arquitecto Ludovice, que foi de Mafra...» Na década de 1900 foi este palácio habitado pelo ministro da Alemanha, conde de Tattenbach, e aí foram recebidos o imperador Guilherme e o rei Frederico Augusto de Saxe no tempo de el-rei D. Carlos.



Visita do rei do Saxe; legação da Alemanha, Lisboa, 1907.
Fotografia de Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.


 Continuo com Norberto de Araújo. O edifício era no começo do séc. XX duns irmãos Costa Lobo - e aqui fico na dúvida sobre os Geraldes Barba. Um deles legou a sua parte à Santa Casa; a parte do outro ficou para a viúva, uma senhora francesa, Dª Josephine da Costa Lobo. Em 1913 o palacete foi arrendado para instalação do Patriarcado...
 Se o avarandado prédio do Patriarcado que o confrade refere é o seguinte, a sul deste que acima falo, julgo que foi onde funcionou a Faculdade de Direito depois que veio da Escola Politécnica. O palacete foi mandado construir pelo visconde de Valmor; em 1939 ainda pertencia a umas herdeiras daquele titular. Hoje não sei...
 Sobra a restante correnteza e todo o campo mais além na tal fotografia.
 Lá iremos, lá iremos. Preciso encher o tinteiro…


Palácio do Patriarcado do visconde de Valmor, antiga Faculdade de Direito, Lisboa, [c. 1975]
Arquivo Fotográfico da C.M.L.


 




Adenda:
 Fica tudo mais claro lendo o comentário que o prezado confrade Je Maintiendrai gentilmente me cá deixou esta manhã:



Obrigado! Eu sabia que o tinteiro do confrade da Bic estava cheio... Mas penso que poderei precisar: a 1.ª fotog. é expressiva e mostra que as coisas não mudaram muito a ocidente. De facto, só terá sido derrubada a simpática casa das duas grandes águas furtadas (extrema direita) hoje substituída pelo prédio dos azulejos verdes e restaurante Clara. A seguir, está casa mais alta (hoje serviços do Patriarcado) onde creio morou com sua numerosa família o Dr. Francisco Geraldes Barba, filho dos Viscondes de Trancoso, médico ilustre que tb. o foi de meu Avô. Só depois (fotog. com a carruagem) a casa Costa Lobo/Ludovice, onde esteve o Kaiser, até há pouco tempo residência dos Patriarcas, cenário do infame "cerco do Patriarcado" em 75 e poiso do S.P. João Paulo II numa das suas visitas a Lisboa. Só depois (última fotog., q. por equívoco colocou como Patriarcado) o palácio dos Valmores, que foi Faculdade de Direito, e que hoje está dividido entre a Embaixada Alemã (metade a norte) e o Goethe Institut, vulgo Instituto Alemão (metade a sul). E obrigado por me fazer passear por este bocado de uma Lisboa que já não calcorreava havia muito…



 O tinteiro poderia estar cheio mas a tinta escorreu e faltava-me, como direi… mata-borrão. Agora percebo que a legação da Alemanha se desviou para o palácio da antiga Faculdade de Direito (ou do visconde de Valmor) e que o Patriarcado se fixou nos palacetes do dr. Geraldes Barba e Ludovice. Obrigado sou eu pelo esclarecimento.


9 comentários:

  1. Je Maintienddrai30/10/07 09:00

    Obrigado! Eu sabia que o tinteiro do Confrade da Bic estava cheio...
    Mas penso que poderei precisar: a 1ª fotog. é expressiva e mostra que as coisas não mudaram muito a ocidente. De facto, só terá sido derrubada a simpática casa das duas grandes águas furtadas (extrema direita) hoje substituída pelo prédio dos azulejos verdes e restaurante Clara. A seguir, está casa mais alta (hoje serviços do Patriarcado) onde creio morou com sua numerosa família o Dr. Francisco Geraldes Barba, filho dos Viscondes de Trancoso, médico ilustre que tb. o foi de meu Avô.
    Só depois (fotog. com a carruagem) a casa Costa Lobo/Ludovice, onde esteve o Kaiser, até hà pouco tempo residência dos Patriarcas, cenário do infame "cerco do Patriarcado" em 75 e poiso do S.P. João Paulo II numa das suas visitas a Lisboa. Só depois (última fotog., q. por equivoco colocou como Patriarcado) o palácio dos Valmores, que foi Faculdade de Direito, e que hoje está dividido entre a Embaixada Alemã (metade a norte) e o Goethes Institut, vulgo Instituto Alemão (metade a sul).
    E obrigado por me fazer passear por este bocado de uma Lisboa que já não calcorreava há muito...

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  2. Je Maintiendrai30/10/07 19:25

    Com Kaisers, Papas, Viscondes, Embaixadores, Médicos, Alemães e toiros à mistura, quem se não baralhava?!
    E obrigado novamente por ter aqui a oportunidade de orientar a cabeça para as coisas simpáticas da velha Lisboa...

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  3. Bic Laranja30/10/07 20:32

    De nada! :) Cumpts.

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  4. isso e que foi um fartote de escrita,e que tal um tema a desenvolver o santo de pau ouco
    cpt
    kikusui

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  5. Bic Laranja30/10/07 23:09

    Eu não lhe tinha dito? Santos de pau oco ia ser outro fartote. É o que mais por aí vai. Desses e de pau carunchoso. Cumpts.

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  6. Bem os meus parabéns pela vitória do seu clube; o reitor deve estar muito contente, é claro. Obrigado pelo apoio dado lá aos rapazes na impressão; bem bom feriado no dia 2 lá estamos de volta, agora já sem a máquina de distribuição das sandes águas e outras coisas saborosas os rapazes da [concessionária] levaram tudo; eu ja estava à espera mas sempre pensei que não fossem assim tão mauzinhos; mas enfim a natureza humana é assim; penso que se vão seguir dias de confusão mas logo veremos. Um abraço amigo!
    kikusui

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  7. Bic Laranja31/10/07 23:39

    Obrigado, amigo! Sobre os moços apenas lhes recomendei um procedimento para o portátil... Depreendo agora do que diz que o conseguiram. Ainda bem! Quanto ao resto não se perde lá grande coisa; as sandes da Gronelândia que lhes façamm bom proveito. Um abraço.

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  8. Aqui vai uma adenda minha, já antiga:
    http://oexactor.blogspot.com/2007/04/memrias-de-direito-no-campo-de-santana.html#links
    Cumprimentos amigos

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  9. Bic Laranja2/11/07 10:26

    Agradeço-lhe a generosa oferta que muito enriquece este verbete. Pus a ligação a partir do texto.
    Obrigado!

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