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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Elevador da Glória

 Quando fui para o 7.º ano tive direito ao passo por causa da escola ser longe. Senti-me então - aos 12 - como um pássaro a quem abrem a gaiola; podia descobrir livremente toda a cidade em qualquer autocarro ou eléctrico. Podia descer dum autocarro e apanhar o primeiro que viesse a seguir e ir aonde essoutro me levasse. E podia andar no Metro também porque embora eu não precisasse para ir para a escola, o meu pai foi sempre generoso (sempre, se excluirmos um certo mês em que as notas que tive não foram suficientes para manter o privilégio) e comprou-me sempre a senha L que permitia livre trânsito no Metropolitano.


 O que eu não soube logo e ainda demorou até o meu irmão me dizer foi que o passo da Carris também dava para os elevadores.

Elevador da Glória, Lisboa (E.Portugal, 1931)
Abrigo e bilheteira do elevador da Glória, Lisboa, 1931.
Fotografia de Eduardo Portugal in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

23 comentários:

  1. Que bonita memória de uma outra Lisboa...
    Pena que com a desculpa da modernidade se tenha destruído essa obra de arte, bilheteira Abrigo.
    Agora lembrei a música dos Rádio Macau...

    BF

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  2. Não sei porque a derrubaram. Cumpts.

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  3. Não conhecia esta construção. Mas é como se...
    Abraço

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  4. Este elevador, em comparação com os outros, tem algo de especial, que levou a que muitos lá andassem, permite o acesso ao Bairro Alto :-)
    É realmente uma pena que o abrigo e bilheteira tenham desaparecido.

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  5. Por que a derrubaram, Caro Bic? Mas se atravessamos tempos em que a elevação à Glória está sujeita meter a muita água e corre ao sabor dos ventos, seria coerente manter tal abrigo? Abraço

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  6. Era muito bonito sim. Parece que vai reabrir, está fechado há que tempos.
    Cumpts

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  7. Que beleza que era!!! Não fazia a mais pequena ideia. Espero que tenham tido um "bom" motivo para estragarem tudo!!!

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  8. Espero que a descupa não seja que os bilhetes são vendidos no amarelinho!!!!

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  9. Julio Amorim18/9/07 20:08

    Bolas......exactamente em que ano é perdemos esta excelente noção de estética ???? Repare-se que existe uma harmonia quase total neste conjunto...
    Uma das fotografias mais bonitas que vi neste blogo....sem duvida, e vou rouba-la JÁ...;-)

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  10. Carlos Portugal18/9/07 20:22

    Caro Bic:

    Não me parece que o motivo fosse outro senão a saloíssima (sem ofensa para os verdadeiros habitantes dessa região) mania de «fazer moderno», que tantos estragos tem feito por estas bandas. Incapazes de apreciar a beleza, os arautos da «modernidade» têm a tendência a arrasar barbaramente tudo o que não entendem, tudo o que for de outra época.

    Também, se calhar, é para não haver termos de comparação, pois o mor das vezes a «modernidade» é o inverso do verdadeiro «progresso».

    Exemplos disto ocorrem por todo o lado. Na arquitectura, nomeadamente, é assistirmos a uma praga de moradias tiradas do modelo «caixa de sapatos moderna», numa reinterpretação grosseira e deselegante de alguma arquitectura da década de 50. É o «minimalismo» exterior e interior, imposto às gentes como facto consumado (só seria útil para aqueles desenraizados que andam de casa às costas a seguir as sempre mutáveis colocações que a empresa multinacional empregadora lhes impõe), tão desconfortável, imprático e desagradável que, por exemplo, no Porto, onde este tipo de habitações aparece como cogumelos, o preço das casas usadas de traça tradicional supera largamente o das novas «minimalistas» que, obviamente, não têm grande procura.

    Dirão os «entendidos» (não são «cientistas», mas «arquitectos») que estas são as «novas tendências» da arquitectura, «harmonizando a habitação com o open-space da empresa», esquecendo-se que nem as «tendências» se impõem à força, nem a maior parte das pessoas está disposta a ver em casa uma repetição do cenário do local de trabalho.

    Enfim, quando o provincialismo, o «avant-gardismo» (desculpe-me a expressão) e o mau-gosto se juntam, temos estragos comparáveis aos dos hunos de Átila. No ambiente e não só...

    Abraço.

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  11. Manuel: 'Dejá vu'. :) // P.: Também acho. // Réprobo: Faltando outra razão essa bastaria, sim senhor. // Dona T.: Vai tornar, sim. Vamos ver quanto tempo fica sem grafitos. // D. Luar: Temo que o motivo tenha sido esse que diz... // J. Amorim: Folgo que tenha gostado. // C. Portugal: Concordo com os seus argumentos; muitas vezes sinto a mesma revolta com os descaminhos que o [bom] gosto toma. // Cumpts. a todos.

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  12. nevesdeontem19/9/07 04:59

    Cumprimentos.

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  13. Burguês sortudo!
    Eu só tive direito ao "passo", quando fui para a universidade.
    No primeiro dia, fui até Gondomar num autocarro de dois andares. Só para passear. Nunca tinha andado num autocarro de dois andares.

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  14. vejam as diferenças..

    http://www.roug.org/soren/lissabon/20050722-181302.jpg/view?display=xlarge

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  15. Curioso, não sabia da existencia anterior deste abrigo...

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  16. Uma das diferenças entre as duas fotos é que se pode facilmente constatar que os caixilhos das janelas do Palácio à esquerda, são uma falsificação que não tem nada a ver com o original. Se nem num edifício destes se acerta em substituir igual por igual, que esperar do resto da cidade... :-(


    JA

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  17. Muito gosto em vê-la por cá, Neves de Ontem. // Funes el Memorioso: Julgo que o 1º autocarro em que andei tinha dois pisos. // JVP: Grato pela remissão; dá até impressão que a Calçada da Glória está mais estreita. // Absinto: Nem eu. // JA: Ainda havemos de ver caixilharia de alumínio nas janelas e cubos de vidro nos torreões do Terreiro do Paço. // Cumpts.

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  18. Fotografia espectacular!

    Obrigado.

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  19. Bic Laranja20/9/07 21:26

    De nada! E mérito do fotógrafo que teve a percepção que valia a pena legar o motivo à posteridade. Cumpts.

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  20. Fico-lhe grato por ter colocado o meu blogue nos seus links, o que irei retribuir.

    No entanto, o endereço deverá ser:

    http://www.lisboantiga.blogspot.com

    Cumprimentos

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  21. Bic Laranja21/9/07 10:19

    Já rectifiquei. Obrigado!

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  22. Boa Noite ! Antes de mais gostava de lhe agradeçer, por contribuir para o meu enrrequecimento cultural ! Acho de facto, que é uma pena não poder-mos apreciar esta imagem todos os dias ! Não posso deixar de fazer uma critica a alguns comentários que li ! Se tambem acho que devemos contribuir para conservar o património arquitectonico da nossa cidade, tambem acho que devemos aceitar a modernidade e o tempo em que vivemos ! Acho que se o Marquês de Pombal tivesse aluminium ou pvc teria concerteza utilizado na grande reforma que fez em Lisboa, não nos podemos esqueçer que se não tivesse existido um terramoto, Lisboa seria completamente diferente da que conheçemos e não deixaríamos de a amar ! Muita gente que aqui discurssa e diz mal da arquitectura contemporânea, não conssegue viver sem um lugar de garagem e sem uma janela de aluminium ! O que fazer então ??? Boa pergunta !!
    Aceitar que estamos num tempo diferente e que daqui a 300 anos estarão possivelmente por aqui pessoas a reclamar com a destruição das Amoreiras!!! Bom, não podia deixar de dar a minha opinião e de agradeçer !!! Obrigada !! Martim d'Eça Leal

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  23. Bic Laranja1/10/07 20:51

    Sou eu que lhe agradeço o comentário. Tem inteira razão sobre o alumínio e o Marquês; e é muito sagaz a sua apreciação acerca dos humanos e dos lugares de garagem. Eu pela minha parte considero que merece respeito a Lisboa que herdámos na medida em que ela tenha nobreza e valor. Considero que o vidro e o alumínio ficam bem e caracterizam a Alta de Lisboa e talvez até nas torres das Amoreiras, mas é aberrante no I.S.T. (os cubos) tal como no Palácio Foz. Considero que as avenidas poderiam ser muito mais belas como monumento duma época de Lisboa e não como estão, incaracterísticas e deixando-nos indiferentes. O mesmo para o Bº Azul ou as avenidas novíssiomas (estas menos mal). Mas estamos num tempo diferente sim senhor; num tempo em que o património herdado é como os idosos: dos antigos não se quer aprender nada, só usá-los para reforma... Por isso vejo esta geração e as vindouras a precisar de aprender tudo do zero sem que haja quem ensine. Cumpts.

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