O Pancadas era um sujeito intratável. No seu local de trabalho constantemente implicava por causa de portas abertas. Alguém que passasse uma porta e a não fechasse era logo alvo de áspero ralhete; acto contínuo a porta deixada aberta pagava as favas sendo fechada à bruta. Numa dessas vezes armou-se ele em lutador de karaté e pregou tal pezão na porta que esta fez de mola e veio de volta violentamente apanhando-o ainda com o pé estendido no ar, derrubando-o: o Pancadas caiu ridiculamente de cu.
Esta velha história veio-me à memória quando vi aí há dias uns mutantes cheios de fúria contra umas maçarocas.
Adiante.
Pede-me o amigo Réprobo um comentário sobre o redundante linguajar do sr. ministro da agricultura — «os responsáveis serão responsabilizados», parece que foi o que afirmou o sr. ministro — a propósito dos lutadores do milharal de Silves. Ora responsabilizar responsáveis além ser, assim, forma transitiva com complemento obviamente óbvio — digamos —, é inconsequente; carece-lhe a identificação do óbvio: quem são os responsáveis…?
Mas tratando-se de agricultura pode dizer-se que é fruta da época; mais raro será ver hoje em dia castigarem-se os responsáveis responsabilizados por tantos ilícitos. A começar pelos responsáveis dessa plantação (nunca responsabilizados estes) donde se colhem ministros — da agricultura e outros — tão... transgenicamente cultos, ou cultivados.
Mas que fazer? A política é ao cabo e ao resto só mais uma cultura transgénica. Muda geneticamente no sentido do tacho.
Ilustração: montagem dum karateca no cultivo do milho.
Caro Bic Laranja, se essa «pequenada bravia» invocou o estatuto de contestária política, não duvido de que sairá ilesa do processo e de que quem acabará por pagar é o dono das maçarocas (por aquelas que perdeu e por aquelas que conservou).
ResponderEliminarGenial! Ainda bem que fiz o pedido. Grande abraço
ResponderEliminarNão me admiro que venha a ser (às escondidas) o Erário, Dª Luar II. // Então neste caso sou eu que lhe agradeço, caro Réprobo. Obrigado! // Cumpts.
ResponderEliminarExcelente texto sobre um acontecimento singular da sociedade portuguesa, a destruição de um hectare de milho genéticamente alterado!!!
ResponderEliminarTeve honras de visita de ministro, tempo de resposta das oposições politicas e comentário do presidente da república !!! Ah, está bem!!!! estamos em Portugal!!!Que coisa esta de nos esquecermos sempre, que os políticos acabam sempre por ser uma extensão fiel do que afinal o país é socialmente!!!!
Agradeço-lhe os desejos que me endereçou e se porventura for ainda caso disso, desejo-lhe igualmente umas excelentes férias.
Um Abraço
Seria mais o de contestatária ecológica. Mas como o governo autorizou a plantação,pagará com certeza a maçaroca ao lavrador. Tendo em conta que é um Executivo que privilegia em termos de discurso o apoio à agricultura biológica, este é um fait divers desanimador. Porque mesmo com falta de notícias do momento, ninguém contextualizou a questão. Prompto!Porcaria de Comunicação Social que nós temos!
ResponderEliminarCumpts!
Muito obrigado sr. Manuel Gomes. Pelo seu pertinente comentário e pelos votos que me formula. // O contexto, Dona T., parece-me bandidagem. Querer colher dividendos políticos a partir de actos de vandalismo é em si mesmo uma transgénese: não falta logo quem modifique os vândalos em terroristas. Com humanos destes mais vale uma maçaroca. :) // Cumpts.
ResponderEliminarExiste uma omissão fundamental na porcaria dos nossos meios de comunicação social: não foi explicado o que implica este tipo de culturas para o meio ambiente.Não sou apologista de actos de violência, mas concordo com o Brecht nesse caso. Embora não culpabilize o agricultor, mas sim quem autorizou a cultura. O #$%"#%# Governo.
ResponderEliminarCumpts:)
:) Cumpts.
ResponderEliminarCabeças de abóbora. E assim transgénicos, como bem diz.
ResponderEliminarAbraço
Ora nem mais! Cumpts.
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