 O quarteirão da pastelaria Versailles na Av. da República mantém, ao que julgo, a feição original. Faz tempo que o notei. Não sei quantos o notaram pelo meio das tenebrosas obras que o Metro ali anda fazendo. O gaveto com a Duque de Ávila - o nº 13, onde há um colégio; o nº 15 que é o da pastelaria; e o nº 23, que foi prémio Valmor em 1913, estão classificados. Não achei nada sobre os nos 17-21, cujo interesse arquitectónico parece menor. Do que vai pela cidade sou capaz de lhes adivinhar - nestes nos 17-21 - alguns enxertos de vidro e alumínio um dia destes. A não ser que haja classificação do conjunto, que duvido. Entretanto posso meter o nariz na livraria da C.M.L. - agora com a Feira do Livro não, mas ao depois - e instalar- -me na Versailles saboreando algum achado que traga de lá. E cirandando por ali hei-de poder apreciar a feição original dum quarteirão inteiro da Av. da Republica em Lisboa. Isto se me safar no meio das obras e do trânsito.
 As fotografias são do Arquivo Fotográfico da C.M.L. (a de cima) e da D.G.E.M.N. (a de baixo); presumo-as dos anos 60 [de 1979] e dos anos 90 respectivamente.
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Não creio que, como presume, a foto de cima seja dos anos 60 porque penso ainda não haver nessa altura entradas de metro junto à P. Versailles, mas posso estar errada. Essas belas fachadas de prédios que mostra (o de esquina será ainda o Colégio Académico?), admira-me imenso estarem todavia de pé, tendo em conta a cambada de criminosos do respectivo pelouro que tem pontificado na Câmara de Lisboa, com especial incidência e culpa grave para os seus diversos Presidentes desde há 30 anos, que tudo fizeram e continuam a fazer para destruír o que houve e há de mais belo e majestoso na cidade de Lisboa (e por arrastamento por todo o território nacional) desde avenidas e ruas, a parques infantís e jardins públicos, passando por edifícios e moradias, sendo grande parte delas Prémios Valmor, registe-se, absolutas obras d'arte da arquitectura lisboeta, senão do País, tudo lhes foi permitido com o vergonhoso beneplácito da Ordem dos Arquitectos (que desde há 3 décadas não serve para nada, acrescente-se). Quase tudo o que de mais belo e majestoso nos foi legado pelos nossos antecessores em registo urbanístico, foi destruído. O que escapou, do pouco que nos resta, ou foi ou irá ser para seu (deles) usofruto. Repito o que aqui lhe escrevi anteriormente, os crimes urbanísticos inqualificáveis que já se perpetraram e se vão continuando a permitir, naquela que foi considerada a mais linda avenida de Lisboa e em boa verdade em todo o Portugal, desde o imperdoável derrube dos inúmeros Prémios Valmor, mas igualmente de muitos outros que o não sendo eram jóias indiscutíveis da arquitectura em beleza e harmonia, passando pela vergonhosa descaracterização do espaço rodoviário - com aqueles horrorosos 'buracos' chamados túneis a meio dela, para 'facilitar' o trânsito automóvel, alterando irremediàvelmente a sua bonita e equilibrada traça original - acabando nos passeios todos esburacados, há anos mal e porcamente conservados e miseràvelmente reduzidos, onde nem sequer se pode quase passar muito menos passear com crianças e/ou idosos, é uma afronta gravíssima aos lisboetas, melhor, a todos os portugueses e que mereceria aos seus reponsáveis (os ainda vivos, porque infelizmente muitos dos culpados destes crimes sem perdão já a não poderíam cumprir) serem sentenciados com penas de prisão maior sem remissão.
ResponderEliminarParabéns pelas lindíssimas fotografias dos prédios moradias, palacetes, etc., que vai aqui reproduzindo, os desta avenida e doutras. Será demasiada ousadia da minha parte e já que vai tendo acesso a elas, pedir-lhe, talvez, a reprodução de fotos das moradias e edifícios de sonho, muitas/os das/os quais Prémio Valmôr como se sabe, desgraçadamente já inexistentes, que foram uma moldura única e irrepetível desta "que foi" a maravilhosa Avenida da República? Pérolas essas da nossa anterior arquitectura e orgulho imenso de todos os lisboetas, de todos os portugueses - e que mereceram honras de não poucos postais ilustrados - mas que, graças a este bando de perfeitos criminosos que têm desgovernado a Câmara e o País, desapareceram para sempre na voragem do camartelo e do multimilionário lucro de milhões de milhões, atirando às urtigas a tradição e respeito devidos à nossa gente, à nossa cidade e à nossa História, tornando-a no que existe de mais triste, feio e degradante só comparável para pior, ao perfíl físico, intelectual e moral daqueles que tal incentiveram e incentivam, permitiram e permitem.
Antecipadamente agradecida lhe fico pelas possíveis fotografias da inesquecível Avenida da República d'outrora, mas também da da Liberdade (outra irremediàvelmente destruída) por exemplo e de muitas outras, que aqui possa vir a colocar.
Maria
A livraria municipal anda muito pobrezinha..infelizmente.´Mas o chocolate quente da Versailles continua saboroso e os rituais de serviço imutáveis.
ResponderEliminarSe a Maria gosta de fotos de Lisboa, pesquise no http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/
Vai encontrar fotos espectaculares. Este fim de semana o site arquivo tem estado com problemas, mas espero que se resolva rápido.
Maria: 1) Sobre o desmazelo e o mau governo da cidade de Lisboa concordo com o que diz; 2) A data da 1ª fotografia presumo-a na 2ª metade dos anos 60; podemos esclarecê-lo no Arquivo Fotográfico da C.M.L., cujo endereço a Dona T. tão amavelmente lhe deixou no comentário acima: a fotografia tem a cota A80948; 3) No prédio que diz (nº 13) é o Colégio Académico, sim senhora! 4) Imagens da Av. da República: sim senhora; hei-de pôr cá mais umas tantas, para vermos a desgraçada grosseria dos que nos vêm regendo. // Dona T.: A livraria anda muito em baixo, concordo. E Câmara não reedita nada de nada. Grato pela ligação ao arquivo, que anda outra vez aos soluços: desde quinta-feira. // Cumpts. a ambas.
ResponderEliminarAqui à uns post's atrás falava-se aqui no seu blog do video-clip "Video kill,the radio star", aqui nestas fotos de tempos diferentes vê-se mais um "o Metro mata, o lento e barulhento electrico"
ResponderEliminarObrigadíssima à T e ao Digníssimo Administrador deste Espaço, pelas suas preciosas respostas.
ResponderEliminarMaria
Garanto à Maria e ao Sr. Bic Laranja que em 1964, já havia metropolitano à porta da Versailles.
ResponderEliminarPenso que o prédio da esquina desse quarteirão com a Av. João Crisóstomo, está em propriedade horizontal e é de vários donos, o que complica, felizmente, a venda. Penso que, também, já é "imóvel de interesse público".
Mário: ou os carros matam a calma e pacata cidade. // Obrigado eu, Maria, pelos seus comentários // Grato pela informação do Metro, Marta. O prédio do gaveto com a João Crisóstomo está classificado, sim senhora. // Cumpts.
ResponderEliminarÉ altamente improvável, apesar do registo no arquivo, que esta foto seja de 1979. Atente-se na probabilidade destes dois modelos de automóvel ali aparecerem em tal data. Bem como do pouco que se distingue dos estacionados.
ResponderEliminarAbraço
Concordo. Sugere algo mais provável? Cumpts.
ResponderEliminarAnos 60. Tal como tinha inicialmente.
ResponderEliminarAbraço
O palpite tinha, pois, razão de ser. Obrigado!
ResponderEliminarApesar do colégio academico ser da familia soares e ja ter tido aqui uma secção no lugar onde existiu a falecida secundaria dos anjos e agora é uma loja do cidadão para os imigrantes, o dito colégio ainda existe na avenida da república, já agora que falas em pequenas coisas que são instituições nacionais como o chocolate da Versalhes te peço que caso possas fazeres um artigo sobre a igreja de São Domingos antes do incêndio e se possível um sobre o café A Brasileira
ResponderEliminarConfesso que ignoravava que o colégio pertencia aos Soares. Obrigado pelas sugestões; já me têm ocorrido pôr cá qualquer coisa acerca disso. Cumpts.
ResponderEliminarLinda foto ....sim senhor! Bem na estacão de Metro entrei lá muitas vezes a partir de 1967....mas creio que já lá estava há uns anos.
ResponderEliminarOs eléctricos deixaram de passar ali na década de 70...? mas vê-se nesta foto que a linha ainda está activa (cabos de electricidade)?
Que linda que esta cidade foi em tempos....bolas que tristeza!
Também me entristece às vezes... Cumpts.
ResponderEliminarNasci e vivo aqui ao pé, desde 1967!! Não me lembro de electricos aqui!! Recordo-me dos carris e dos postes!! Definitivamente a foto é dos anos 60!! Tenho visto imensos atentados ao nosso património arquitectónico dos inícios do séc. XX!! E o que mais me custa é todos os dias observar edifícios magníficos a degradarem-se!! Restam tão poucos!!
ResponderEliminarSim senhor. Sobram poucos. E os que se renovam, tragm-lhes o miolo e esticam-nos em altura com alumínio e vidro. Reconstruções de fachada de gente desmiolado e gananciosa. Má sina a de Lisboa. Cumpts.
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