Há muitos anos que o prof. Saraiva é o único que me marca hora para ver televisão. Hoje acabou o programa com o mestre Ilídio, caldeireiro do cobre de Loulé. Mostrou um bule muito grande feito pelo mestre Ilídio que dava para servir um regimento. Diz que o mestre Ilídio gastou cinco dias de trabalho na feitura do bule, ao que respondeu o professor que numa máquina se fariam centenas. Evidentemente que a ideia que quis passar foi que feitos industrialmente certos bens não têm o mesmo valor do artesanato. Concordo. Se o mestre Ilídio fosse industrial latoeiro em lugar de industrioso artesão podia provavelmente ser chefe de produção, engenheiro ou até doutor em organização e administração, mas mestre ninguém lhe chamava; a sua produção não teria o valor do artesanato, antes passaria a ter outra coisa mai' moderna: mais-valia. E a sua mestria não seria mestria; seria com toda a certeza know-how.
Na arqueologia lexical a clareza do Português vai-se acamando suavemente nos níveis inferiores.
Medidas, Ovibeja, 2007.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
A mestria
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Nivelam tudo por baixo... por ai, por aqui...
ResponderEliminarEstão em vias de extinção os trabalhos artesanais, porque não há quem queira fazê-los ( gente mais jovem não querem aprender) e os antigos vão desaparecendo. Também porque nos tempo que correm, é preciso muito AMOR À ARTE, todos nós andamos a "correr" atrás do vil metal (euros)e com trabalhos "delicadamente feitos á mão" não são compensados monetáriamente com o devido valor. Parabéns pelo blog.
ResponderEliminarDeixo um abraço e a promessa de continuar a visitar.Intemporal
Scarlata: e afunila tudo na globalização. // Obrigado Intemporal! // Cumpts. a ambas.
ResponderEliminarEstou um bocadinho ensonada mas...cada vez as peças únicas são mais valorizadas. Para quem pode. Ou para quem tem.
ResponderEliminarSe o produto em grosso é mais barato, perde a originalidade do acto único. Por exemplo tenho uma serigrafia dum amigo meu. que até está bem cotado: é a 1 de 2. Disse ele: é como se fosse única. Mas não é.Há outra. Mas por acaso. estou-me a marimbar: é linda.
«As peças únicas são mais valorizadas»: à saída da oficna dum mestre nem sempre. Cumpts.
ResponderEliminarModernices...
ResponderEliminarA questão principal nem se prende com a construção do artesanal...muitos e bons artesãos existem por aí com peças diferentes e arrojadas do ponto de vista estético..um outro artesanato...mas nem por isso o deixa de ser. A questão é a perda de identidade/s, numa globalização desenfreada a que todos devemos aderir porque modernos. Vide "Tempos Modernos" de C. Chaplin, chegareis ao ponto de artesanato com as palavras visualizadas. O global antes do global por mão de mestre.
Ou o global apregoado em pseudo-língua-franca até à sua desintegração por falantes globais cuja ignorância lexical é prática ancestral. V. o Latim. Cumpts.
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