O último troço da Rua do Sol a Chelas que ainda não foi desfeito - que por acaso é o primeiro pois a rua começa na Estrada de Chelas - é o dos putos aí abaixo; despega-se da dita estrada para poente; resta um pedaço entre aquela estrada e a linha de fecho da cintura ferroviária (a do Túnel da Bruxa) que vai de Chelas a Xabregas.
Aqueles cachopitos estão ali a meter-se com o homem lá adiante: da cantilena que lhe estão a atirar adivinho alguma alcunha pouco honrosa cheia adjectivos menos próprios. Dos gestos que lhes vejo e do que conheço do género autóctone daquelas paragens a pantomima deve ser uma berraria de impropérios repetida até fartar. Se o homem lhe dá de inverter a marcha para lhes dar caça, imagino os putos desatando a fugir por aquela ribanceira acima. O homem há-de desistir logo ali da caça. Dá impressão que vai para o trabalho e não se irá meter pelas terras. Faz o ameaço para os espantar e chega. Os putos ainda hão-de gritar alguns impropérios desde cima da ponte mas logo se põem em caminho da estação de Chelas ou do túnel de Xabregas; qualquer dos lados dá mais aventuras certas...
Subir por aquelas terras para a linha do comboio era uma tentação...
Viaduto Ferroviário [da Rua do Sol a Chelas], Lisboa, [1961].
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Carlos do Carmo - Os putos(Cantiga nos Anos 60 ponto come.)
Belas peças, Amigo Bic.
ResponderEliminarEstá na altura de ir a essas bandas recolher as imagens destes anos. Um dia destes lá irei.
Abraço
Temos sempre um local de aventuras especiais, especialmente quando implicam um arrepio de medo.
ResponderEliminarIa a dizer em crianças, mas em adultos também é assim.
Gostei muito de ler a história do túnel. Falta a foto de uma hipotética bruxa, risos.
Apresse-se, amigo Manuel, que a reviravolta nestes lugares é muito grande. E tome alguma cautela! Há ali muita ciganada... // A bruxa nunca ninguén na viu para lhe tirar o retrato; a menos que seja a que atira cartas lá no fim da Rua do Sol, à Paiva Couceiro. Se a vir, seria muita indelicadeza perguntar-lhe?!... // Cumpts. a ambos.
ResponderEliminarTambém conheci uma astróloga e que lia a bola de Cristal na Barão de Sabrosa. Era uma velhinha adorável, que achava que a casa não ia nada cair. O certo é que ainda lá está. Cumprimentos! :)
ResponderEliminarUma bola de cristal para perscrutar o passado: era o que precisava... Cumpts.
ResponderEliminarEsta foto é linda, parece saida dos contos que fazia o meu pai, quando andava à "chinchada" nas quintas com os putos do bairro... Buona domenica!
ResponderEliminarQue estarão a pensar estes dois?
ResponderEliminarGrazie! :) // Olhe que até parece que estão a citar o homem. Não?!... // Cumpts. a ambas.
ResponderEliminarCompreendo que, com o tempo, estas azinhagas vão desaparecendo. Mas seria bem possível incluí-las (pelo menos em parte) nos novos usos que os locais vão tomando, podendo ser óptimo eixos pedonais ou cicláveis, mantendo marcas do passado.
ResponderEliminarEste comentário mais cumprido já satisfez a minha curiosidade. O mais velho dos meninos leva um "tirachinas" na mão? (desculpe, não conheço a palavra em português)
ResponderEliminarInteiramente de acordo, Pedro. Mas é preciso (sub)urbanizar, (sub)urbanizar... // Fisga. É sim senhora, D. Neves de Ontem. Tem uma fisga na mão. Bom golpe de vista. // Cumpts.
ResponderEliminarObrigada, Bic Laranja. Vai ver que gosto muito de perguntar. Outra coisinha: quando entro no seu blog , sai uma mensagem a me dizer que não tenho alguma coisa do Quick Time. Não ouço nada da cantiga, tive de entrar na página dos anos 60. Eu tenho essa coisa chamada Quick Time no meu computador. O quê me aconteceu? obrigada e cumprimentos.
ResponderEliminarMudei o código para ver se se resolve. Mas agora o Anos60.com foi a baixo... Cumpts.
ResponderEliminarmmm... esta história lembra-me algo.
ResponderEliminarThe same place, other people...
No mesmo sítio? Não quer publicar...? (Entretanto os Anos60 avariaram-se; oxalá não tenha sido eu!...) Cumpts.
ResponderEliminarUm Aniki-Bobó alfacinha, foi do que me lembrei. Bom feriado Bic, saboreia o sol de Abril. :-)
ResponderEliminarNão sou protagonista na história mr.Bic, apenas a conheço mais-ou-menos :-)
ResponderEliminarOs heróis das façanhas são um grupo de rapazes uns anitos mais velhos que eu, onde se incluía o meu irmão.
Obrigado D. Riacho! É muito bem lembrado esse filme. Adequa-se. // Ah! Bem! Se acha que é caso disso, conte. Se não, não faz mal :) // Cumpts.
ResponderEliminarVai para coisa de um ano que me larguei da bloguice regular. Mas é sempre prazer regressar aqui. E a estes cantos que relembras.
ResponderEliminarSeth Sacannalive
Sejas bem aparecido. Um abraço!
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