O confrade Je Maintiendrai lançou-me na esplanada da Mexicana um interessante e honroso desafio: investigar o velho Arco do Cego, com especial incidência numa velha quinta com casa nobre, ali onde é hoje a Casa da Moeda; o fito era afixar cá na parede do blogo alguma fotografia da tal quinta. Temo sinceramente que o objectivo fique aquém… Mas vamos por partes.
O Arco do Cego em três planos: o Instituto Superior Técnico; um troço da Rua do Arco do Cego que já não existe; a Carris e os restos das quintas, terras onde hoje estão os quarteirões da Casa da Moeda até à Av. Elias Garcia.
Vista Geral do Arco do Cego, Lisboa, c. 1930.
(O Livro de Lisboa, Livros Horizonte, 1994.)
Planta Topográfica de Lisboa, Arquivo do Arco do Cego , C.M.L., (plantas 10L e 11L,1906-1908).
Na planta acima há quatro vias principais correndo mais ou menos de S. para N.: da esquerda para a direita temos a Av. Cinco de Outubro, a Av. da República (mais larga), a Av. dos Defensores de Chaves e a velha Rua do Arco do Cego (menos regular); de N para S vemos sucessivamente a Barbosa do Bocage, a Elias Garcia, a Visconde de Valmor, a Miguel Bombarda e, no encontro com a Defensores de Chaves ainda vemos a João Crisóstomo.
A velha Rua do Arco do Cego corria para NNO desde o ponto de encontro da Av. Rovisco Pais com a Duque de Ávila. Corria sensivelmente pelo que são hoje os logradouros dos quarteirões orientais da R. de Dona Filipa de Vilhena. Sobrevive ainda o troço entre esta e o Campo Pequeno. No lado ocidental da dita Rua do Arco do Cego podem identificar-se na Planta Topográfica de Lisboa três quintas: a Quinta do Chora ou do conde Sintra (azul); a Quinta da Brasileira (amarelo); e a Quinta dos condes das Galveias (verde). Destas, a que interessa aqui é primeira. A dúvida agora é saber naquela fiada de casas adjacentes (rosa) identificar a casa nobre da quinta. Para ajudar há lá dois jardins de buxo.
O problema é que naquela fotografia lá mais acima — onde se vê a terraplenagem da Av. António José de Almeida através da nossa quinta a caminho da Miguel Bombarda — já não sobrava muita casa de pé…
Belíssimo! Consegue-se com muita precisão perceber a situação das quintas. Um único reparo: salvo melhor a opinião, a foto do Técnico deve ser de 30 e tais; em 1930 a casa nobre dos Condes de Sintra ainda não tinha sido demolida; na foto, a enfiadura da M. Bombarda já está definida sobre a R. do Arco do Cego e não se vê nada que sugira a referida casa. Ainda vou confirmar. Muito obrigado! Que sábia eficiência!
ResponderEliminarObrigado eu! O seu reparo é pertinente: no livro de Lisboa a legenda da fotografia refere inícios dos anos 30. Quem arredondou por baixo fui eu. O risco está à vista. O caso fica em aberto...
ResponderEliminarFeliz Natal!
A minha Mãe morou por ali, num prédio um pouco mais encostado ao lado da Av. da República, nos anos 1940´s. Já teria sofrido grande transformação?
ResponderEliminarAbraço.
Talvez! Julgo que em meados dos anos 40 já estariam os arruamentos feitos, embora alguns lotes pudessem estar por edificar.
ResponderEliminarAs melhoras e feliz Natal!