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quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Entrada solene na cidade (25 de Outubro)


 Em Junho de 1147 D. João Peculiar, arcebispo de Braga, num discurso que fizera aos mouros de Lisboa durante uma trégua aconselhara-os a pôr-se com as vossas bagagens, com haveres e pecúlios, com mulheres e crianças [...] a caminho da terra dos mouros de onde viestes, deixando a nossa para nós.
 Lisboa foi reconquistada pelos cristãos em Outubro daquele ano, mas quem viu ontem de manhã o engarrafamento pela José Malhoa abaixo até  Sete Rios por causa da quantidade de mouros no bairro da mesquita podia julgar que não.
 Vicissitudes da vida contemporânea de mouros e de moçárabes dos arrabaldes, que nada têm que ver com a efeméride, dir-me-eis.
 Concordo!
 Da História antiga cá vos deixo a entrada solene na cidade segundo o relato do cruzado:



 « À frente, pois, ia o arcebispo e os outros bispos com a bandeira da Cruz do Senhor e a seguir entram os nossos chefes juntamente com o rei e os que para este efeito tinham sido escolhidos.
 Oh! Quanta não foi a alegria de todos! Oh! Quanta não foi a honra especial que todos sentiam! Oh! Quantas não foram as lágrimas que afluíam em testemunho de alegria e de piedade, quando todos viram colocar no mais alto da fortaleza o estandarte da Cruz salvífica em sinal de sujeição da cidade, para louvor e glória de Deus e da santíssima Virgem Maria. O arcebispo e os bispos com o clero e todos os outros, não sem lágrimas de júbilo, cantavam o Te Deum laudamus com o Asperges me e orações de devoção.
 Entretanto, o rei dá a volta a pé pelas muralhas do castelo cimeiro.»

«Da carta do cruzado sobre a conquista de Lisboa», in O Portal da História.
Ilustração: Martins Barata, Lisboa Mourisca.



 

4 comentários:

  1. Hoje o Pobre Arcebispo não seria convidado para a cerimónia pelo protocolo socrático e a própria Cruz Salvífica seria objecto da ira dos bloquistas e mandada retirar pela governação, como nas escolas, para não Lhe sujeitar a cidade.
    A moirama afinal teve a sua vingança. Mas se voltasse agradeceria a estes cavalheiros fazendo~lhes a barba, o que é paradoxal em quem costuma mandá-la crescer. Abraço.

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  2. Bic Laranja25/10/06 09:45

    A mim parece que a moirama foi sempre a mesma. O protocolo é que tem variado. Cumpts.

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  3. Há uns certos mouros em Lisboa que servem só para nos enganar mas outros são abjectos e nojentos

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  4. Bic Laranja26/10/06 00:13

    Moiros somos nós. Aqueloutros muito lampeiros são cristãos-novos. Cumpts.

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