Em Junho de 1147 D. João Peculiar, arcebispo de Braga, num discurso que fizera aos mouros de Lisboa durante uma trégua aconselhara-os a pôr-se com as vossas bagagens, com haveres e pecúlios, com mulheres e crianças [...] a caminho da terra dos mouros de onde viestes, deixando a nossa para nós. Lisboa foi reconquistada pelos cristãos em Outubro daquele ano, mas quem viu ontem de manhã o engarrafamento pela José Malhoa abaixo até Sete Rios por causa da quantidade de mouros no bairro da mesquita podia julgar que não. Vicissitudes da vida contemporânea de mouros e de moçárabes dos arrabaldes, que nada têm que ver com a efeméride, dir-me-eis. Concordo! Da História antiga cá vos deixo a entrada solene na cidade segundo o relato do cruzado:
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« À frente, pois, ia o arcebispo e os outros bispos com a bandeira da Cruz do Senhor e a seguir entram os nossos chefes juntamente com o rei e os que para este efeito tinham sido escolhidos. Oh! Quanta não foi a alegria de todos! Oh! Quanta não foi a honra especial que todos sentiam! Oh! Quantas não foram as lágrimas que afluíam em testemunho de alegria e de piedade, quando todos viram colocar no mais alto da fortaleza o estandarte da Cruz salvífica em sinal de sujeição da cidade, para louvor e glória de Deus e da santíssima Virgem Maria. O arcebispo e os bispos com o clero e todos os outros, não sem lágrimas de júbilo, cantavam o Te Deum laudamus com o Asperges me e orações de devoção. Entretanto, o rei dá a volta a pé pelas muralhas do castelo cimeiro.» «Da carta do cruzado sobre a conquista de Lisboa», in O Portal da História. Ilustração: Martins Barata, Lisboa Mourisca.
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Hoje o Pobre Arcebispo não seria convidado para a cerimónia pelo protocolo socrático e a própria Cruz Salvífica seria objecto da ira dos bloquistas e mandada retirar pela governação, como nas escolas, para não Lhe sujeitar a cidade.
ResponderEliminarA moirama afinal teve a sua vingança. Mas se voltasse agradeceria a estes cavalheiros fazendo~lhes a barba, o que é paradoxal em quem costuma mandá-la crescer. Abraço.
A mim parece que a moirama foi sempre a mesma. O protocolo é que tem variado. Cumpts.
ResponderEliminarHá uns certos mouros em Lisboa que servem só para nos enganar mas outros são abjectos e nojentos
ResponderEliminarMoiros somos nós. Aqueloutros muito lampeiros são cristãos-novos. Cumpts.
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