A aventura do Túnel da Bruxa que preguei na parede cá do blogo há tempos começava com uns catraios metendo-se pela a quinta dos Embrechados. Pois as casas desta quinta são as que aí vedes na foto, na encosta em frente.
Aquele prédio lá em cima ao longe é o n.º 1 da praceta Sócrates da Costa, junto à Calçada do Carrascal, que limitava esta quinta dos Embrechados a SO.
Por trás das casas vê-se o topo da escola primária n.º 28; no lado sul, ainda dentro dos limites das terras que foram desta velha quinta dos Embrechados. Ali, entre as casas e a escola que havia um campinho de jogar à bola.
Lembra-me bem destes arcos aqui à frente que traziam água à antiga Quinta da Conceição de Cima. Fiz equilibrismo neles. A quinta dos Embrechados acabava naquela espécie de caminho quase ao fundo da encosta. Estas terras da encosta e do vale deixava-as cheias de corpos imaginários de bandidos e índios, depois do Bonanza, aos sábados à tarde. Dali à linha do comboio era um passinho para toda a sorte de aventuras.
No fim dos anos 60 as casas da quinta foram ocupadas por gente que vinha sei lá donde. Estenderam-se barracas pelas terras a N (á direita) da quinta e ao redor da escola primária. O ponto donde foi tirada a fotografia veio a ser densamente abarracado até ao caminho de ferro e além dele, até à estrada de Chelas: eram estoutras as barracas do Casal do Pinto, por contraponto às dos Embrechados. Afortunadamente toda essa gente (ou descendentes) foi realojada há meia dúzia de anos, ali mesmo pel' aquela encosta acima, em novas casinhas da Câmara...
Quinta dos Embrechados [tomada da Azinhaga do Curral, que partia da Calçada da Picheleira, anos 60].
Foto: Vasco Gouveia de Figueiredo, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Vem isto a propósito da tal história do Túnel da Bruxa que, se me desculpardes a vaidade, podereis ouvir no dia 6 de Março na Antena 1 da R.D.P., no programa «HISTÓRIA DEVIDA»; vai para o ar para pela voz do actor Miguel Guilherme às 17h20, 21h40 e 01h20.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2006
A Quinta dos Embrechados
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Belo! A história vai então propagar-se no éter. Um abraço
ResponderEliminarMeu Caro Bic Laranja: não faltarei à lição radiodifundida. Entretanto, porquê «Embrechados»? História de guerra, ou de salteadores? Abraço.
ResponderEliminarPS: Não deixa de ser irónico que a ocupação não haja encontrado defensor algum... na brecha.
Parece que sim, Manuel; já mandou alguma das suas para lá? A do totobola!... Cumpts. // Paulo, é uma historieta de miúdos; bem mais inocente que as de certos jovens que têm atingido o noticiário. A origem do nome não sei; presumo que houvesse alguns embrechados naquelas casas. Os que depois se lá embrecharam nos anos 60 fizeram-no com beneplácito da C.M.L., que na época já se apossara da quinta. Cumpts.
ResponderEliminarMeu caro bic laranja obrigado pela visita e pela qualidade cada vez maior do teu blog e uma perguntinha: não gostaste da última entrada de toda verdade sobre os socilaistas ou de saber a noticia em causa ou do conteúdo ou da forma como estava feito?
ResponderEliminarCaro Tron, obviamente o que desagrada é o vergonhoso caso que vossemecê relata. Mas, que fazer?... Cumpts.
ResponderEliminarO k mais me seduz nestas fotos antigas ( de locais meus desconhecidos ) é tentar ver como está actualmente...vou ao site do momento, o earth.google.com e comparo...mas esta está a dar-me luta, não consigo localizá-la na foto do satélite...Vou tentar pelo nome Praceta Sócrates da Costa...adoro comparar o antes,neste caso anos 60, e o actual...revive-se a história, e aprende-se com os erros urbanisticos de então, e k infelizmente, continuam a existir
ResponderEliminarCaro Bruno: seguiu resposta detalhada pelo corrreio. Tem razão; confrontar o passado com o presente reaviva a história. Aprecio muito esse exercício. Cumpts.
ResponderEliminarLá estarei, atenta, a ouvir o que a tua história tem para contar. (Então, sobre o Algarve, não arranjas nada? É que, para variar, não faço a minima ideia onde fica esta quinta.De qualquer forma, alguns dos nomes vão ficando na memória, o que já é muito bom.)
ResponderEliminarSim sim, há-de-se arranjar, há-de-se arranjar... Cumpts.
ResponderEliminarÓ meu Deus que nostalgia. toda a minha infância foi passada na Picheleira. confesso que ate me vieram as lágrimas aos olhos a ler tal façanha.
ResponderEliminarQuem me dera voltar atrás.
Muito obrigado pelo seu sentido comentário. Cumpts.
ResponderEliminarGostava de saber se o amigo José Monteiro é algum possível antigo colega de escola. Se for possível, amigo Bic pode passar-lhe o meu e-mail? Muito Obrigada.
ResponderEliminarRita Torroais
Teria o maior gosto mas estes comentários aqui são a única troca correspondência que tive com o sr. José Monteiro.
ResponderEliminarCumpts.
Caro Bic Laranja,
ResponderEliminarRegisto sem saudade as suas referências à chamada Quinta dos Embrechados e aos idos anos 60.
Mas posso acrescentar alguma informação mais, é que eu nasci dentro duma dessas barracas que invadiram a Quinta.
Decorria então o ano de 1958 e o meu irmão mais velho também já lá tinha nascido em 1956, mas nós sempre conhecemos o local como o Bairro da Maria dos Porcos, que segundo as minhas memórias de infância seria uma antepassada minha que teria vindo da região de Viseu para se instalar ali e que teria sido criadora do porcos.
Felizmente os meus pais, gente pobre, tiveram a lucidez suficiente para perceber que ali não era lugar para criar filhos e abandonaram o bairro de lata em 1960, ao contrário de outros familiares que por lá ficaram à espera duma casa municipal... que haveriam de conseguir logo no pós 25 de Abril, em Chelas.
Ainda na Picheleira nasceram a minha mãe Francisca, em 1935, no nº 30, da Rua Capitão Roby e o meu pai Albérico, em 1930.
O curioso é que o assento de nascimento dele diz que nasceu numa casa na Calçada do Carrascal, Rua do Sol a Chelas, Casal do Ouro (?).
Interrogo-me porque a informação familiar sempre foi que o meu pai teria nascido no mesmo bairro de lata e aquela morada corresponderá à Quinta dos Embrechados, suponho.
Mas, não consigo identificar o que seria o "Casal do Ouro".
Os meus pais cresceram na Picheleira e o meu pai foi jogador do Vitória Clube de Lisboa, como muitos outros rapazes do bairro.
Resumindo as minhas origens familiares estão na Picheleira, que só visitei mais 2 ou 3 vezes depois que saímos de lá em 1960 e fomos para a Amadora, mas não deixo de sentir uma certa ligação sentimental ao bairro.
Por essa razão ando a tentar recolher informação sobre o que seria de facto o bairro de lata onde nasci.
Outro facto curioso é ter lá vivido a minha família paterna, que tem o apelido "Pinto" e logo ali ao lado localizar-se o Casal do Pinto.
Interrogo-me se não terá existido algum laço familiar que justifique a instalação do meu avó Francisco Maria Pinto naquele local, vindo de Figueira de Castelo Rodrigo.
Se, por acaso tiver alguma informação gostaria de conhecer. Será que a Quinta dos Embrechados foi antes o Casal do Ouro?
Cumprimentos e os meus parabéns pela riqueza cultural do seu blog.
Obrigado!
ResponderEliminarDo Casal do Pinto cuido que se deve a um Hermenegildo da Silva Pinto que foi proprietário dos chãos entre a Calçada da Picheleira do a do Teixeira. Veja...
Do Casal do Ouro não slhe sei dizer, mas hei-de porcurar com as pistas que me deixou, da Calçada do Carrascal e da Rua do Sol. Calhando era um daquels casais a caminho da calçadinha de S. António.
Cumpts.
Uma panorâmica ampla do B.º da Madre Deus a Alvalade, por 1955, pode ter interesse.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado pela resposta!
ResponderEliminarJá tinha descoberto a referência a Hermenegildo da Silva Pinto, que deu origem à designação do Casal do Pinto.
A minha curiosidade é saber se eventualmente ele teria algum grau de parentesco como o meu avó Francisco Maria Pinto, dada a coincidência do local.
É que outra memória familiar que guardo é que se falava que o tal Bairro da Maria dos Porcos estaria instalado em terrenos da família que mais tarde teriam passado para posse municipal.
Mas não consigo garantir a veracidade desta memória.
Cumprimentos.
Sabem dizer-me se esta quinta dos Embrechados ainda existe?
ResponderEliminarNão.
ResponderEliminar