Não consigo saber quando vi pela primeira vez livros aos quadradinhos. Lá em casa havia alguns destes.
Interessei-me genuinamente pelo seu conteúdo por altura da 2.ª ou da 3.ª classe (antes disso acho que pensava que serviam para arrancar folhas e testar canetas Bic). Mas só pelos bonecos, as letras ainda davam muito trabalho. Porém, chegado à 4.ª classe lá lia toda a conversa com sotaque inscrita nos balõezinhos.
Mas o pior estava para vir.
O meu irmão, que enveredara pela idade do armário, namorava uma moça que decidiu fazer de mim um juvenil. No Natal de 76 recebi deles uma prenda decepcionante:
— Um… livro?! — balbuciei.
— É dos Cinco — disse ela. E sorrindo perguntou — conheces?
— Não.
— É para leres, ouviste! — disse o autoritário do meu irmão.
Fiquei aflito. Abri o livro e em quase 100 folhas voando debaixo do meu polegar não vi senão meia dúzia de ilustrações. Era palavreado a mais. Com tão poucos bonecos eu não ia conseguir perceber a história sem ler. Como sabia que eles me perguntariam algo sobre o livro, não tinha remédio senão ler aquilo.
— Leio um bocadinho por dia — pensei — se me perguntarem, não há muito a dizer.
No dia de Natal li o primeiro capítulo (e aprendi que o livro se dividia em capítulos).
— Então, gostas do livro?
— É… Já li um capítulo.
Durante quatro dias a cena foi a mesma. Eu aflito e eles percebendo…
No dia a seguir, que era quarta-feira, os Cinco salvaram o tio e… eu. Fora uma fabulosa aventura por passagens secretas no castelo da ilha Kirrin. Os espiões foram presos e o tio Alberto fez grandes descobertas científicas. E eu tinha acabado o livro!
Enid Blyton, Os cinco salvaram o tio, Lisboa, Emp. Nac. de Publicidade, 1974.
Quando o meu irmão chegou do namoro perguntei-lhe se a namorada tinha muitos livros dos Cinco.
— Eu peço-lhe para ela te emprestar os dela — e sorriu. Em 1978 deu Os Cinco na televisão. .
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[A recordação foi inspirada por isto.]

Ah os Cinco! Também eu os devorei todos.
ResponderEliminarE a Patrícia, lembras-te dessa colecção?
E com eles vem-me à memória também o filme dos Pequenos Vagabundos--nunca me esqueci do som que fazia parte da banda sonora.
Os Pequenos Vagabundos andam aqui: http://www.misteriojuvenil.com/vagabundos_Home.htm
ResponderEliminarO tema está lá também http://pwp.netcabo.pt/0449732802/audio/pq_vagabundos.wma . Cumpts.
Os cinco, os Sete, O colegio de Stª. Clara, O Colégio das 4 Torres... que saudades do tempo que tinha para ler. A minha primeira colecção foi a Anita. Agora para os mais saudosistas vamos ter o Herbie um carocha dos diabos e o regresso do franginhas "Carrossel Mágico"
ResponderEliminarSomos então uma geração rasca, hem! Cumpts.
ResponderEliminarForam os meus primeiros livros também, eu não parava de ler enquanto não chegasse o fim. Abraço
ResponderEliminarPara quem os queira ver, todos os episódios de "Os Pequenos Vagabundos" estão disponíveis no "You Tube" - https://www.youtube.com/watch?v=AK2X79mSQaM
ResponderEliminarObrigado!
ResponderEliminarCumpra.
Ai que saudades...
ResponderEliminarDevo confessar que, por motivos vários comecei um pouco mais tarde do que o caro Bic, graças às bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian; alguém conheceu? Eram umas carrinhas da marca Citröen que semanalmente paravam em sítios previamente designados; no meu "baptismo de fogo" fui aconselhado por um antigo professor primário (o CEO da furgoneta, ora essa!) a ler aqueles livros, já que tinha, ao tempo, 10 anos.
Calhou-me em sorte "Os cinco e o comboio-fantasma"; estava um dia de chuva, lembro-me bem, e eu comecei a leitura à lareira - enorme - dos meus avós. Fui corrido para a cama na fase em que eles descobriram que os carris de uma linha abandonada (até podia ser aqui que se passava a acção, caramba!) estavam bem luzidios; fui-me deitar e estive prestes a apanhar uns tabefes quando o meu pai descobriu, noite adentro, que eu tinha o candeeiro debaixo dos lençóis para conseguir ler; mas, verdade seja dita, que a ameaça foi devidamente temperada com um leve sorriso e o conselho:
- Amanhã acabas de ler que não perdes por isso!
E não perdi; demorei tempo, que o dinheiro não abundava, mas valeu bem a pena.
Só mais uma nota: alguém conheceu uma outra colecção de livros mas muito mais volumosos em que o “Tim" foi substituído pela catatua “Didi”? Era uma série “Uma Aventura em…"de 5 ou 7(?) livros; o tio Alberto era James Cunningham, homem dos Serviços Secretos Britânicos e os seus sobrinhos…
Obrigado, caro Bic, por me fazer - ainda que fugazmente - voltar à minha meninice. Bem-haja por isso.
Cumpts
Colecção Aventura. Deles só apanhei a «Aventura no Mar», que era do meu irmão. Edição de 1969, com capa dura.
ResponderEliminarCumpts.
:)
ResponderEliminarCumpts.
Lamento por si , por não ter lido a totalidade da colecção (7 volumes????), uma vez que a achei superior à dos "Cinco", imagine!
ResponderEliminarAinda se lembra do "Bufo" e do "Bufão"?
Cumpts
Também lamento. «A Aventura no Mar» só peguei nela depois de esgotar «Os Cinco», «Os Sete» e todos os «Mistério». Teria já uns 12. O livro, como disse, era do meu irmão. Andava lá por casa e era de maior fôlego do que aqueloutros, de modo que enveredei por ele com dúvida se me agradaria como aqueloutros que já lera da Enid Blyton. Foi entusiasmenante. O Bufo e o Bufão eram os papagaios-do-mar (cuido que na tradução portuguesa se diziam mergulhões). Lembro-me melhor deles que do enredo da história ou o nome dos pequenos heróis.
ResponderEliminarInfelizmente não tive arte nem engenho de procurar os mais.
Grande abraço!
Justamente; eram mesmo papagaios-do-mar; curiosamente, estou como o caríssimo Bic: lembro-me mais deles que do resto da história, com a excepção dum pequeno trecho quase no começo da aventura em que o tio leva os sobrinhos, suponho que para as Órcades, de avião e como queria uma certa zona do avião só para ele(s), fingiu um furioso ataque de tosse para afugentar os outros passageiros... (suspiro)!
ResponderEliminarUm grande abraço por mais esta viagem no tempo.
Cumpts