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segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Castelo Municipal de Lisboa

Conquista de Lisboa
Conquista de Lisboa em 1147, Roque Gameiro.

De: [...]
Enviada: sexta-feira, 5 de Novembro de 2004 10:11
Para: geral@cm-lisboa.pt
Cc:
Assunto: CASTELO MUNICIPAL DE LISBOA




Exmo. Sr. Presidente da C.M.L.,

 Desejo felicitar a C.M.L. pela original decisão de cobrar entradas no Castelo de São Jorge. Recorda-me a admiração que tive na primeira vez que me lá levou a minha mãe, era eu menino, quando ela me disse que a entrada era livre. Não se pagava nada! Eis algo espantoso, pensei: um castelo a sério, mesmo a sério, hem! Com torres e muralhas, com fosso e tudo. E podia-se ir lá dentro, andar lá dentro... Num castelo verdadeiro, do tempo dos reis e das guerras com lanças e cavalos, com armaduras e espadas, arcos e flechas. Toda a gente havia de desejar ir àquele lugar tão fantástico. Mais! Todos podiam admirar Lisboa e o Tejo. Podiam ver até os bichos que lá havia, pássaros e isso, porque (é o progresso) tinham acabado as guerras de reis e mouros...
 Mas eu estranhava era a entrada livre!
 Felizmente continua a haver progresso e tivemos uma medida inteligente da C.M.L..
 Eis o pensamento progressivo: se temos um castelo, temos mercadoria em armazém (nem é preciso repor 'stocks'); se muito o desejam reconquistar os alarves mouros, temos mercado. Alguns torniquetes reduzem os custos com o pessoal e garantem o negócio. Um bom 'marketing' dá borlas para manter três pelotões da guarnição do castelo, a saber: a Ala dos Namorados, composta pelos mancebos mais moços [estudantes ou cartão jovem]; o 2º pelotão, dos veteranos, composto por anciãos ociosos [os reformados]; o pelotão de lisboetas, o maior (não se sabe ainda se é composto pelos nativos
olisiponenses expulsos para os arrabaldes ou se é composto pelos cristãos-novos residentes).
 Esta luz de progresso que iluminou os espíritos na C.M.L. (o verdadeiro Iluminismo é em Lisboa no séc. XXI) transbordou de tal forma que me fez reflectir: se do castelo se vê Lisboa, também de Lisboa se vê o castelo. Assim, se há pontos de vista de Lisboa para o castelo, há mercadoria em armazém (será preciso repor 'stocks'?); se muitos alarves mouros anseiam observar o castelo dos pontos de vista de Lisboa para o dito cujo, há mercado. Um 'marketing' politicamente correcto dará borlas a invisuais. Alguns torniquetes reduzirão os custos com o pessoal e garantirão o negócio. Painéis de publicidade salvaguardarão os pontos de vista de Lisboa para o castelo de olheiros abusadores, aumentando a receita.
 Continuando a ser objecto das Luzes camarárias, passei a refractar: se do castelo se vê o Tejo, também do Tejo se vê o castelo. Logo, se temos vista do Tejo para o castelo, temos mercadoria; se temos cacilheiros e alarves mouros a poderem dali mirar o castelo, temos mercado. Então, uma parceria com a Transtejo fará incluir no título de transporte o preço da vista e dividir-se-á a receita. Os torniquetes são os Transtejo.
 Desejo felicitar mais uma vez a C.M.L. pela original decisão de cobrar entradas no Castelo de São Jorge e pelo progresso das receitas. A candeia do progresso ilumina-nos: não há almoços grátis (que não sejam pagos pelos mouros).
 Com os meus cumprimentos,
 [...]
 Lisboeta

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