Chronica do tempo da geração mais preparada de sempre
Os tempos de hoje são volateis. Uma vertigem onde tudo o que é, o que se diz e faz pode desfazer-se, ir ao ar, num ápice. Os antigos gravavam o seu pensamento, a sua historia, cinzelando a pedra — para que o granito e o marmore gritassem rijos ao futuro quem elles foram. — Nós, os modernos, galopantemente e cada vez mais modernos, moderninhos e modernaços, gravamos agora a rodos o vazio das nossas idéas no ether. Um paradoxo tão artificiosamente intelligente d' esta nossa era que, immersos numa civilização technologicamente avançada como nunca, capaz de registar tudo e mais um peido e que, num instantinho evapora o pensamento e o legado. Aquillo que poderia durar e servir (até nos maus exemplos) aos vindouros alapa-se tão firmemente no digital como se perde num apagão, ess' outra trivialidade toda moderna. No fim, toda a nossa supposta, pretensa, vã sophisticação, dissipam a memoria individual e collectiva com o mesmo alarde do tal peidinho, instantaneo, tão firmemente registado, como inodoro no cheiro do archivo. E o paradoxo maior é que no ar do tempo e no modo, o que fica é mesmo aquelle cheiro.
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ResponderEliminarPrimeiro comentário. Obrigado!
EliminarO Blogger não parece ter nada disso. Depois da fuga dos sapos para o c… que os f… a vida é sempre a perder.
Desculpe!