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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

3 Salazares, 2 democratas, 1 ditador

 Os democratas enchem a boca de fascismo. Tanto o ensalivam e mastigam que se o não engolem, pelo menos arrotam-no mais do que ninguém. E se o cospem, no fim não deitam fora como na cantiga da chiclete. Colam-no, tal qual pastilha elástica na porta do vizinho, como chibos sempre a apontar ao facho e a queixarem-se da P.I.D.E. …


«Em Lisboa é a caça ao homem. Os membros da polícia política são caçados, procurados, denunciados e «guardados» pelo exército. Pascal Delobel, in Nouveau Paris Match, N.º 1305, 11/V/1974


 Mas é uma profissão de fé, atenção! 
 Por isso, qualquer coisinha que lhes cheire a blasfémia ou sacrilégio democrático, ai meu Deus que é inconstitucional!… — O texto profano dos textos profanos tornado vaca sagrada, apesar de que isto não é a Índia…
 Ou o Bangladexe…
 Por enquanto, mas vamos por bom caminho…


 Disse certa vez o Prof. Hermano Saraiva desses textos democráticos tão sagrados: a melhor Constituição não torna bom um mau governante, nem uma má Constituição impede um bom governante de governar bem.
 Há dois problemas com esta verdade assaz evidente: quem na afirmou é excomungado da democracia; e um bom governante é coisa que se não avista nem cheira, democràticamente ou não, neste resíduo das Hespanhas já vamos em mais de cinquenta anos. 
 De maneira que proponho uma verdade menos evidente. A notícia a evocar duas figuras admiráveis da democracia — os termos são da próprio Diario de Lisbôa em 31 de Outubro de… 1934 — em plena ditadura salazarista, como lhe chamam os devotos fervorosos da democracia. 


«Faz hoje precisamente cinco anos que faleceram António José de Almeida e José Relvas», in Diário de Lisbôa, 31/X/934


  Um curiosidade mais (duas): António José de Almeida tem estátua inaugurada em 1937 numa avenida de Lisboa com o seu nome cujo edital da Câmara é de 1929; José Relvas tem uma rua na freguesia do Beato com edital de 1971. Dois democratas da I.ª República homenageados durante o governo da Ditadura Nacional de 28 de Maio de 26 (extinta pela — veja-se só! — pela Constituição de 33), e pelos governos do Doutor Salazar e do Prof. Marcello Caetano.
 
Entre tanto, nada como o 25 de Abril de 1974: — ilegalize-se democrática e constitucionalmente agora aí esse partido, s.f.f. !…


 

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