O Herberto Helder não me dizia nada: pai dum vermelhusco com lugar cativo na bem-pensância nacional, vermelhusco também êle ao que cuido; e daqui venho a perceber a sua grandeza… Um artista surreal… -ista, enfim!…
Intrigou-me há tempo o caso das duas primeiras edições d' Os Lusíadas e há um ensaio do Quilino sobre o assunto (*). Pois um livro logo à mão em que se publica o tal ensaio e em que o poderia ler era um da biblioteca pessoal do Herberto Helder, legada à biblioteca das Galveias com honras de entre tanto haverem dado à sala onde a arrumaram o nome do poeta (do Herberto, não do Vate…) Exemplar logo à mão, digo, porque pousa na estante mesmo à altura dos olhos e se destaca pela encadernação nova, inteira em percalina vermelha, que dá até um certo gôsto a quem gosta de livros. De modo que foi (é) só pegar-lhe e sentar-me onde me melhor calha a ler.

(*) Aquilino Ribeiro, Camões, Camilo, Eça e alguns mais: ensaios de crítica histórico-literária, Amadora, Bertrand, imp. 1975.
Ex. da Biblioteca das Galveias, BHH2407 (guarda da capa de brochura com assinatura de posse de Herberto Helder) — © MMXXV.
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No meio disto, destas leituras, houve notícia da edição agora em Maio duma biografia do Herberto Helder, que logo dei com ela no escaparate do super. (Na bibloteca ainda não consta do catálogo; é cedo…) E então, no super, peguei-lhe com certa curiosidade e abri-o ao calhas. Calhou-me isto e merece que se leia. Fica-se com uma bela ideia do biografado. E do biógrafo, também.

João Pedro George, Se Eu Quisesse, Enlouquecia; Biografia de Herberto Helder, Lisboa, Contraponto, 2025, p. 257.
O escrevinhador de versos tinha uma prosa muito atroz, parece um analfabeto, só lhe faltando os erros ortográficos!
ResponderEliminarUm grande Poeta, o trecho que partilhou na imagem referente ao biografado é a prova que o Estado Novo foi um período extraordinário que permitiu no pós-guerra à falsa oposição viajar pela Europa, conhecer outros Países e Povos Europeus, levar uma boa vida e usufruir dos seus prazeres, numa época ou Décadas onde valia a pena tudo isso.
ResponderEliminarÉ prosa corrida, epistolar. Atroz é o teor, no que caracteriza com crueza o autor.
ResponderEliminarCumpts.
Toca um ponto muito certo. Queixaram-se e ainda se queixam os tolos. Eram tempos bem melhores. Já tenho pensado que me atrasei a nascer bem uma, duas gerações.
ResponderEliminarCumpts.
O homem era um estroina.
ResponderEliminarUm estroina culto, bem nascido e privilegiado, mas sempre um estroina.
Tivesse nascido na Rua do Capelão e seria apenas mais um fadista a escrever com a faca a prosa sangrenta.
Mas aos que nascem bem, tudo é permitido e tudo é perdoado.
Quantos poetas ficaram pelo caminho neste país que glorifica os Zeca Afonsos e Saramagos como luminares do talento.
Ora aqui está! Essa é que é essa!…
ResponderEliminarCumpts.