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segunda-feira, 24 de março de 2025

A tísica das notícias

«Tuberculose; migrantes…», Público, 24-3-25
«Tuberculose: migrantes…», Público, 24/III/25.


 


 A velha tísica dos tempos de Camillo — a tuberculose, como deu em chamarem-lhe sem ser nos romances — diz hoje que anda aí outra vez. E logo da multi-resistente, uma espécie moderna que é o que mais assusta. Assim mesmo, como nos romances de Camillo, em que não havia remédio.


  E ao depois agora, tadinhos, os migrantes imigrantes são os mais sofridos dela: a população migrante continua a ser a mais vulnerável — diz o institucional Diário de Notícias.


 Quere dizer: não adoecem só os migrantes imigrantes mais do que nós, os naturais de cá; eles continuam a adoecer mais. Não quere dizer nem significa que nós, os naturais de cá, não adoeçamos também. Não. O caso é que com eles, a população migrante, a coisa já vem de trás e é pior do que connosco. Connosco é menos grave porque estamos na média. Mas nós, dá a entender, nós não lho estamos a resolver.


 E bem assim, é ingrato. Os migrantes imigram para cá para viverem melhor, e nós, nós é o que temos para si: más condiçoes, insalubridade, tuberculose das antigas acima da média, sem remédio…


 A qualquer um, os que já cá havíamos e estávamos até cá meios livres (a tal média) dela, da tuberculose, isto angustia, dá pena!


A mim, a pena dá-me sempre cuidado. E com notícias dadas assim, se não morro de pena sinto-me ao menos culpado.


«Casos de tuberculose aumentam…», Diário de Notícias, 24-3-25
«Casos de tuberculose aumentam…», Diário de Notícias, 24/III/25.


 


(Revisto.)


 

3 comentários:

  1. Quer dizer que também na doença Portugal está agora muito mais vibrante e multi-coiso e tal? Bom,nada de verdadeiramente surpreendente pois não?

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  2. Portugal há muito está morto e suicida-se cada vez mais. Um morto-vivo.
    Pois, porque se com o nosso mal já mal podíamos, temos agora também de morrer do mal dos outros. Morremos de pena, de cuidado, e se não morrermos de remorso também por essa gente «migrante» que não quere saber de nós para nada, pouco tardaremos a ser extintos por ela.
    Fatal como o destino.
    Cumpts.

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  3. É lógico que sim. Aumentam os que não têm médico e claro que a Sociedade Industrial de Concentados S.I.C. e afins o náo dizem.
    Cumpts.

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