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quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Lisboa, uma saüdade sem fim

Lisboa


Depois da chuva de ontem, esta Lisboa que amanheceu hoje, fresca e lavada, deu-me para assoviar e no assovio vinha aquela



Lisboa, terra que me encanta
Terra das cantigas, e dos arraiais
Lisboa, onde tudo canta
Desde as raparigas, até os pardais...


 



 
A Canção de Lisboa, Cottinelli Telmo
(1933)


 (Pardais vejo agora, pardos são, mas são outros…
 São dez e meia. O sol encobriu-se!…)


 


A saüdade



Cidade jardim
Que o Tejo azul vem beijar
Uma saüdade sem fim
De te deixar

Cidade de amor
Tudo em ti prende e seduz
Até o céu tem mais côr
E o Sol mais luz

Alegre como um pregão
Acordas sempre a cantar
E é linda a canção
Do teu despertar

A graça e esplendor
Não tens no mundo rival
Lisboa brilha essa côr
De Portugal


 


*   *   *



(E no fim, o assovio)



 Revisitando agora os segmentos com a sua música de fundo, conseguimos perceber a forma como as componentes visuais e sonora se complementam. O plano 01 inicia-se com as primeiras notas de A Canção de Lisboa, cantada por uma voz feminina acompanhada por orquestra. O ritmo musical parece ser ecoado visualmente pelo ritmo dos pilares da Praça do Comércio. Um momento de mudança no ritmo coincide com os planos curtos (03 e 04), preparando o início da melodia principal, que coincide com o desenvolvimento da panorâmica no plano 05. Neste plano, a relação imagem-som é reforçada através da associação entre os dois primeiros versos da estrofe («Cidade-jardim / Que o Tejo azul vem beijar») e a presença da alegoria do Rio Tejo no plano. Em seguida, o ritmo da música parece articular-se com o das imagens até ao plano 15. Na transição para o plano 18, a melodia principal é retomada por um assobiar acompanhado de um delicado acompanhamento no piano […]


Hugo Barreira, «Imagens sonoras: uma proposta de leitura para a Canção de Lisboa», in Revista Livre de Cinema, v. 5, n. 1, p. 94-136, Jan.-Abr...., 2018.


 



(16/X/2024, às 10h40 da manhã.)


 

14 comentários:

  1. Muito bem-vindo de volta. Folgo em ver que retomou a vontade de continuar por aqui.
    Já me fartei de rir com o António Silva. Tem sempre esse efeito em mim por mais vezes que veja a mesma coisa.
    Já que mencionou os pardais, lembrei-me agora de outro que de pardal maluco não deve ter pouco.
    Ao Sábado, costumava ir espreitar ao Lisboa de Antigamente, lá no sítio do Zuckerberg, a foto/adivinha da praxe para ver se adivinhava o local e por aí me ficava. Verifiquei há dias que fui bloqueado. Enfim. O ‘pardal’ lá saberá porquê.
    Cumprimentos.

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  2. Obrigado do aprêço.
    Hoje animei-me com o sol, a cidade lavada. Apeteceu-me essoutro tempo, o tempo português. Sol de pouca dura, além de que o tempo tudo levou.
    Vamos a ver…
    Esse cavalheiro que refere é uma espécie de ordinário. Não chega a sê-lo; é só uma espécie.
    Cumpts.

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  3. É o filme inteiro. Não cansa. Mas só para quem entende que Carlos é plural.

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  4. Espero que seja para continuar.
    Quanto ao cavalheiro lá do tal grupo. Cheguei a vê-lo responder de forma insolente às pessoas para depois elas responderem à letra e ele as bloquear de seguida. O único que ali pode ser malcriado é ele. No meu caso, nunca vou saber. Nunca entrei em picardias com o ditador de vão de escada :)
    Cumprimentos.

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  5. Tal e qual. António Silva e Vasco Santana. Impagáveis e irrepetíveis.

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  6. Calhando, leu a pouca (ia escrever rara, mas não) menção que lhe fizemos aqui e deu-lhe comichão.
    Cumpts.

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  7. Boa notícia a do seu regresso.
    Um abraço

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  8. Obrigado do aprêço.
    Cumpts.

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  9. José Leite17/10/24 08:55

    Bem vindo de volta, caro confrade "Bic".
    Blogs de qualidade, sejam que temas versem, precisam-se.
    Quanto ao sr. do blog que referiram junto-me às vossas apreciações. Basta atentar à barra lateral desse blog que é uma autentica mensagem de boas-vindas. Sinceramente !! ...
    Continuação de boas inspirações e saúde.
    Os meus cumprimentos

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  10. Obrigado!
    No mais, enfim!…
    Cumpts.

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  11. Bem-vindo de volta!
    Muito me apraz poder lê-lo de novo.
    Um abraço,
    JMMMMN

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  12. Obrigado do aprêço!
    Cumpts.

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  13. Quem acabou com a Lisboa doutros tempos foi a construção das Avenidas Novas nos anos de 1950.

    Cumprts.

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