Porque esteve na ordem do dia, aqui vai esta do Caco Baldé, do tempo [ainda] dos feitos da Guiné.
O nosso General teve um pequeno acidente com o seu monóculo, enviou o seu impedido a um oculista da cidade, cuja empregada era familiar do proprietário, natural duma aldeia perto da minha.
Avisado depois de reparado o monóculo, foi ele mesmo levantá-lo com aquele seu ar austero, de camuflado engomado, sempre simpático para com as populações.
No acto da entrega pergunta-lhe a empregada:
— Senhor Governador, quer que embrulhe ou leva-o no olho?
— Menina, dê cá o monóculo, no olho levam vocês!...
A rapariga desmanchou-se a rir quando nos contou!António Ramalho (furr. mil., CCAV 2639), cit. em «Guiné 61/74 – P18918: O Spínola que eu conheci (33); Três histórias da Spinolândia», in Luís Graça & Camaradas da Guiné, 13/VIII/18.

Visita do general Spínola no dia seguinte ao ataque ao destacamento de Pete, Guiné, 9/XI/1970.
Fotografia: Victor Garcia — © 2009, in Luís Graça & Camaradas da Guiné
Essa história é mais ou menos assim que era contada, mas com o "cenário" como conta o António Ramalho, na Guiné não podia ter acontecido.
ResponderEliminarCumpts.
Claro que não.
ResponderEliminarCumpts.
Este deita abaixo o Gen. Spínola é adjectivado com uma graçola que não tem pés nem cabeça, e admira-me ser publicado.
ResponderEliminarEm Bissau não havia oculista, propriamente, havia casas comerciais que vendiam óculos de sol de marcas estrangeiras conhecidas.
Os comerciantes em Bissau eram portugueses metropolitanos ou libaneses, e seriam muito difícil encontrar um comerciante oculista que mandava vir a filha de uma aldeia da metrópole para Bissau.
Também seria muito difícil encontrar monóculos em Bissau e com a graduação do Gen. Spínola, que também não acontecia ele andar de camuflado em Bissau para ir levantar o monóculo.
Não havia necessidade.....
Cumpts.
Pois claro que não. E assim explicado, mais claro fica.
ResponderEliminarCumpts.
Ainda sobre "Caco Baldé"
ResponderEliminarEncontrei esta explicação, que deu aso a uma generalizada brincadeira.
“Caco Baldé” tem origens no meio e língua fulas, é uma alcunha bem conseguida e duplamente interessante.
Caco, khaco ou haco, originalmente, quer dizer cor castanha (a cor das folhas secas), na língua fula, e servia inicialmente para designar a cor da farda das autoridades administrativas e/ou da tropa colonial.
Mais tarde, para simplificar, este termo seria simplesmente utilizado para designar, de forma disfarçada e caricatural, as autoridades coloniais ou seus representantes.
O apelido Baldé seria lindamente encaixado em acréscimo, certamente, seguindo a lógica da brincadeira muito habitual entre grupos que se consideram primos por afinidade (sanguínea ou territorial) - “Sanencuia”. Por exemplo, os Djaló são primos dos Baldé por afinidade sanguínea, da mesma forma que o grupo fula, na sua generalidade, é primo do grupo etnolinguístico mandinga que abrange Saracolés, Soninqués, Bambaras etc., por afinidade territorial.
Cumpts.
Verosímil. O mais que achei foi o caco ser do caco de vidro e o Baldé remeter para uma vaga ideia de amigo numa das línguas da Guiné. Mas do caco significar o acastanhado das folhas secas e daí remeter ao tom do caqui colonial não é descabido. Salvo pela etimologia de caqui (cor da poeira) remontar ao urdu e ao persa. Mas dada a expansão muçulmana para a Guiné…
ResponderEliminarCumpts.