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sexta-feira, 12 de abril de 2024

Levou mesmo assim…

 Porque esteve na ordem do dia, aqui vai esta do Caco Baldé, do tempo [ainda] dos feitos da Guiné.



 O nosso General teve um pequeno acidente com o seu monóculo, enviou o seu impedido a um oculista da cidade, cuja empregada era familiar do proprietário, natural duma aldeia perto da minha.
 Avisado depois de reparado o monóculo,  foi ele mesmo levantá-lo com aquele seu ar austero, de camuflado engomado, sempre simpático para com as populações.
 No acto da entrega pergunta-lhe a empregada:
 — Senhor Governador, quer que embrulhe ou leva-o no olho?
 — Menina, dê cá o monóculo, no olho levam vocês!...
 A rapariga desmanchou-se a rir quando nos contou!


António Ramalho (furr. mil., CCAV 2639), cit. em «Guiné 61/74 – P18918: O Spínola que eu conheci (33); Três histórias da Spinolândia», in Luís Graça & Camaradas da Guiné, 13/VIII/18. 




Visita do general Spínola no dia seguinte ao ataque ao destacamento de Pete, Guiné, 9/XI/1970.
Fotografia: Victor Garcia — © 2009, in Luís Graça & Camaradas da Guiné

6 comentários:

  1. Essa história é mais ou menos assim que era contada, mas com o "cenário" como conta o António Ramalho, na Guiné não podia ter acontecido.

    Cumpts.

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  2. Este deita abaixo o Gen. Spínola é adjectivado com uma graçola que não tem pés nem cabeça, e admira-me ser publicado.
    Em Bissau não havia oculista, propriamente, havia casas comerciais que vendiam óculos de sol de marcas estrangeiras conhecidas.
    Os comerciantes em Bissau eram portugueses metropolitanos ou libaneses, e seriam muito difícil encontrar um comerciante oculista que mandava vir a filha de uma aldeia da metrópole para Bissau.
    Também seria muito difícil encontrar monóculos em Bissau e com a graduação do Gen. Spínola, que também não acontecia ele andar de camuflado em Bissau para ir levantar o monóculo.
    Não havia necessidade.....
    Cumpts.

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  3. Pois claro que não. E assim explicado, mais claro fica.
    Cumpts.

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  4. Anónimo1/5/24 14:11

    Ainda sobre "Caco Baldé"

    Encontrei esta explicação, que deu aso a uma generalizada brincadeira.

    “Caco Baldé” tem origens no meio e língua fulas, é uma alcunha bem conseguida e duplamente interessante.
    Caco, khaco ou haco, originalmente, quer dizer cor castanha (a cor das folhas secas), na língua fula, e servia inicialmente para designar a cor da farda das autoridades administrativas e/ou da tropa colonial.
    Mais tarde, para simplificar, este termo seria simplesmente utilizado para designar, de forma disfarçada e caricatural, as autoridades coloniais ou seus representantes.
    O apelido Baldé seria lindamente encaixado em acréscimo, certamente, seguindo a lógica da brincadeira muito habitual entre grupos que se consideram primos por afinidade (sanguínea ou territorial) - “Sanencuia”. Por exemplo, os Djaló são primos dos Baldé por afinidade sanguínea, da mesma forma que o grupo fula, na sua generalidade, é primo do grupo etnolinguístico mandinga que abrange Saracolés, Soninqués, Bambaras etc., por afinidade territorial.

    Cumpts.

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  5. Verosímil. O mais que achei foi o caco ser do caco de vidro e o Baldé remeter para uma vaga ideia de amigo numa das línguas da Guiné. Mas do caco significar o acastanhado das folhas secas e daí remeter ao tom do caqui colonial não é descabido. Salvo pela etimologia de caqui (cor da poeira) remontar ao urdu e ao persa. Mas dada a expansão muçulmana para a Guiné…
    Cumpts.

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