| início |

domingo, 26 de novembro de 2023

De vinte-e-cincos

Comandos no 25 de Novembro, Amadora (Alfredo da Cunha, 1975)
Comandos no 25 de Novembro, Amadora, 1975.
Alfredo da Cunha, in archivo photographico da C.M.L.


 


 Lembrava-me nìtidamente da frase:



« Concretizada a independência de Angola (depois das restantes províncias africanas) a 11 de Novembro, já podia acabar a bandalheira.»



 Deu-me ideia que pudesse o A. repescar o texto e cá está:  Acromiomancia Revisitada – XXII. Centuriões e Decorativos (Dragoscópio, 25/IV/15). Escusei de ir à procura.
 O caso é que a cada 25 de Novembro sempre vejo por aí uns tristes a reclamar de que esta é que é a data certa do 25 de Abril e, nada disso! A frase lá atrás resume o negócio todo. E nela também o modo em como a suserania soltou a arreata às bestas e as mandou à sua vidinha no portugalinho que sobrou.
 O 25 de Novembro, apesar dos feitos e dos homens, foi só o berrar de «Organizem-se!» da anedota. 
 Seguiram-se a Rodésia e a África do Sul, mas o orgulho já vai muito, muito além do adro, como se bem vê.


 Epitáfio:


« […] Um país claramente amaricado, que, cada vez mais, maquilha a descida à sepultura com a saída, amaneirada, do armário.»

3 comentários:

  1. Estimado Bic,
    Eu estava escalado para o Serviço de Urgência [Banco] do Hospital de Santa Maria para o dia 25 de Novembro de 1975. Como chefe da equipa de Medicina.
    Quando me estava a vestir, ouvi na rádio que havia sarrafusca na área da actual messe da Força Aéria de Monsanto aonde estavam os "páras" revoltosos. Eu tinha que passar logo abaixo na auto-estrada [agora A5] para apanhar a curva da Quinta da Pimenteira, subir a Gulbenkian para Praça de Espanha e chegar ao Hospital de Santa Maria.
    Lembrei-me que tinha umas longas tiras de pano do anterior Natal e, com fita-cola, criei duas cruzes vermelhas: no capot e no porta-bagagens do meu carro. Seriam um símbolo de segurança. Fiz-me à estrada e cheguei sem problemas ao Hospital.
    O dia correu sem problemas de Medicina. Mas, na Ortopedia, não.
    Nas imediações da torre da TV que lá havia, um civil revoltoso e comunista, levou de esguelha uma rajada. Pela ciência adquirida na TV, abriu a porta do seu carro e mandou-se fóra. Aterrou por uma ribanceira abaixo e ganhou a luxação dum ombro.
    Alguém o levou ao Banco do Hospital de Santa Maria. Todos na equipa de Ortopedia eram anti-comunistas primários.
    Reduziram a luxação (puseram os ossos na devida linha) sem anestesia ou qualquer sedação [aquilo deve doer muito].
    A espécie humana é assim. Não me falem de clubes, de partidos, etc.
    A bem da nacinha...

    ResponderEliminar
  2. '...levou de esguelha uma rajada....atirou-se ribanceira abaixo....luxação de um ombro'

    Esse era dos rijos, e da rajada nem sequer foi preciso tratar.

    Cumpts.

    ResponderEliminar
  3. Um episódio pessoal cheio de interesse. São episódios assim que dão tempero à História. Fora deles torna-se tão sensaborona que nem lhe conto.

    A espécie humana, salvas as excepções presentes, é um caso perdido.

    A bem da nacinha

    ResponderEliminar