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domingo, 30 de julho de 2023

Barracada

 Há, sabeis, aquela célebre água-forte de Domingos de Sequeira com buril salvo êrro de Francisco de Queiroz Gregório, de 1813, em que o povo das províncias do reino desàguou em Arroios, em Lisboa, fugido aos esfarrapados [exércitos] do Napoleão na primeira [terceira] invasão francesa. Parece sina…
 Há dois, três mêses, abria a página do archivo municipal e era-me oferecida a palpitar (pop up) a propaganda dos 30 anos do P.E.R., com parabéns a Lisboa (i.é, à vereação) pelo programa de habitação que mudou a cidade faz 30 anos.
 Nem de propósito…


Largo de Arroios, Lisboa — © MMXXIII
Jardim do Largo de Arroios, Lisboa — MMXXIII



 Nem de propósito, calhei por essa manhã passar no Largo de Arroios e contei 6 tendas 6, de campismo, no jardim. É miséria que impressiona, porque não é da falta de meios para lhe acudir; é falta de empenho. O empenho cuja habilidade que vai tôdinha para a propaganda do fim dos bairros de lata há 30 anos com o dinheiro da C.E.E. e sobra nadinha para sequer olhar a cidade hoje. É pois, como diz o moço da oficina:
 — Ó chefe! É que tôda a gente vê e ninguém faz nada!!
 Tal é! Ainda cuidei escrever à vereação a dizê-lo, justamente: — Ó senhores! Isto está assim, tôda a gente vê, e vós não fazeis nada?!
 Ao depois resolvi-me que não. Não ia fazer nada eu também. Estas porcarias ficam todas registadas e ainda me o desabafo ensombraria o cadastro. Já me chega pagar calado os impostos, taxas e tachinha(o)s às instâncias municipais, regionais, nacionais e europeias para cartazes e recadinhos electrónicos palpitantes (pop ups) com propaganda de quem deveria fazer mais do que ajustar directamente o penacho com agências de publicidade. De gente amiga, de preferência.
 Fui de veraneio. Três semanas.
 Em tornando achei o jardim do Largo interdito, cercado de grades. Já as tendas lá não estavam. — Ena! — pensei — Para grandes males, grandes remédios. Nem campismo selvagem nem munícipe civilizado podem usufruir do jardim.
 Comentei de passagem o caso na oficina:
 — Já vi que se foram as barracas de campismo. Realojaram-nas na Mitra ou no parque do Monsanto?!…
 — Ó chefe, lá isso não sei. Sei é que até na barraca dos pombos havia dois a morar.


Martins Barata, Sopa de Arroios, 1940. Aguarela s/ tábua, 127 x 105 cm, in Museu da Cidade.
Martins Barata, Sopa de Arroios, 1940.
Aguarela s/ tábua, 105 x 127 cm, Museu da Cidade, Lisboa.


 


P.S.:  A barraca dos pombos (pombal, a bem dizer) fará talvez hoje as vezes do antigo abrigo do cruzeiro, que se abriga agora na escadaria da paroquial!…

11 comentários:

  1. A água-forte de Domingos de Sequeira parece ter mais gente que a cópia a óleo de Martins Barata.
    A sopa dos pobres ou sopa de Arroios é uma obra extraordinária e, pra quem conheça o local, até dá a ideia de ser mais espaçoso que o actual, sendo exactamente a mesma área com os dois prédios atrás da Cruz de Arroios ainda existentes.
    Julgo que se trata da terceira evasão francesa.
    O campismo dos pobres parece que sempre houve, o mais não sendo de pobres da espera da esmola da igreja e da venda/compra de ferro-velho na loja do tal prédio central esq. Nos anos de 1960s havia problemas com a polícia da Esquadra local por haver discussões nas filas dos entregadores de cartão no ferro-velho.
    Cumpts.

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  2. A água-forte tem mais gente. O Martins Barata não há-de haver tido paciência para tanta gente…

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  3. De sêr mais amplo, contam nos nossos dias os prédios mais altos que cerceiam o lugar e os automóveis que encolhem as ruas.

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  4. Os prédios ao cimo do largo, a par da paroquial, são as casas dos condes da Guarda, ao que julgo. Andam por estes dias decadentes, devolutss e com erva a crescer nos telhados.

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  5. Pobres à esmola na porta da igreja não contam. São o que são e não podem deixar de sêr. Isto agora é outra coisa. São campistas de importação. Da sita da mafoma ou de religião marxista, talvez.
    Conte-me disso, de haver cartão dos ferros-velhos.

    Cumpts.

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  6. Terceira invasão francesa, é verdade. A de Massena, que não passou das linhas de Tôrres.

    Obrigado!

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  7. Como sabe, nas antigas lojas de ferros-velhos também compravam cartão.
    Os campistas foram aparecendo nos finais dos anos de 1990s de pessoal da passa e desses ainda reparei em 2013.
    Agora se os da mafoma e marxistas estão por lá acampados é novidade. Deve ser por hábitos criados no deserto e copiarem o Kadafi.
    Com certeza que a novo Presidente da CML irá tratar desse incomodo para a população.
    Cumpts.

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  8. Não me havia lembrado do cartão nos ferro-velhos, pois sim.
    Os campistas que por ali notei nos anos 10 acampavam era nas arcadas das capelas mortuárias e na escadaria da igreja, de trás do cruzeiro. Mijavam os pilares tôdos e as esquinas das redondezas a perfumar o lugar. Êsses seriam indigentes e drogados, sim, mas abarracavam-se com papelões e caixas de cartão. Há uns poucos de anos vi que desapareceram dali. O pároco lá terá mandado adornar ao depois o poiso com numerosas floreiras para lhe não tomarem de nôvo os chãos. Com tendas de armar, como eram êstes agora, não era habitual vêr, mas, calhando, podiam agora até sêr do género. Cheirou-me porém que fôsse talvez dessa gente dessa da mafoma que vem de fora, mas talvez não. Êsses, bem vendo, não se perdem; têm espírito de corpo e, cheira-me, um certo propósito fisgado ao virem para cá…
    Calhando a final era mais do mesmo; mendigos aburguesados agora dos papelões em tendas canadianas. Salvos os dois do pombal T0 que eram da pureza dos okupas.
    Tudo uma miséria deplorável e, creio, sem arranjo.

    Cumpts.

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  9. Figueiredo31/7/23 12:25

    Na Cidade do Porto ocorre o mesmo desde 2014 até à presente data fruto das más políticas intencionais praticadas pelo Executivo liberal/maçónico do «Porto, o Nosso Partido/Porto, o Nosso Movimento/Aqui Há Porto».

    E agora vão-se juntando os Estrangeiros que estão a ser deslocados para Portugal em grandes quantidades, por organizações não-governamentais (ong) que se dedicam ao tráfico de Seres-Humanos, e devido às facilidades na Lei/Regulamento da Emigração criadas pela Presidência, os Governos do ex-Primeiro-Ministro, Pedro Coelho, e do Sr.º Primeiro-Ministro, António Costa, em conjunto com os partidos que se encontram na Assembleia da República (AR).

    Isto já não se trata somente do esquema de atribuir a nacionalidade Portuguesa a Estrangeiros e em troca os mesmos terão de votar nas Eleições para substituir os votos em falta da Maioria Silenciosa dos Portugueses representados pela Abstenção; tem algo muito mais grave por de trás desta situação, e, como tal, a Presidência, o Governo, e os partidos com assento Parlamentar tem dizer qual é o seu compromisso com tráfico de Seres-Humanos e o tráfico/consumo de droga.

    Fora isto, temos outro problema, a grave crise na habitação provocada pelo XIXº Governo através da ilegal, criminosa, e inconstitucional “lei das rendas” criada pela ex-Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Maria Graça, e o esquema criminoso conhecido como “alojamento local” que vai à pendura dessa lei.

    O valor dos arrendamentos sobem para preços que não correspondem à realidade, ao correcto valor, devido à “lei das rendas”, bastando revogar essa lei para acabar com o esquema, e fazer cumprir a Lei que determina que os imóveis construídos para habitação não podem colocados para alojamento local, turístico, temporário ou de curta duração.

    Os Portugueses vão dizendo à boca calada, «...que ninguém – as entidades competentes – toma uma atitude para resolver este problema...», é verdade, mas tudo isto que se está a passar é intencional, é este tipo de sociedade que os liberais/maçonaria (PS, CDS, BE, CH, L, IL, PAN, PEV, PCP, a facção liberal/maçónica do PSD, e a Presidência da República) nos querem impor:

    https://www.youtube.com/watch?v=C4gD7GAdM-U

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  10. Figueiredo
    Esse ' www.youtub.com/watch ...' é uma grande montagem feita há uns anos quando a cidade de Filadélfia, nos EUA, entrou em falência.
    Repara-se como junto dos desgraçados estão estacionados carros de luxo, sem que os donos se preocupassem ser arrombados ou lhes partissem os vidros

    Cumpts.

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