Tenho andado cá com o eléctrico 6. Ainda há dias vim cá com uma dêle descendo a Rua da Palma meia demolida, lá por 1950, com portuguêses envergando agasalhos de Inverno. Aqui vem outro 6, subindo-a, no trôço do Teatro Apolo, por aquêles dias, já ao depois de demolida a paroquial do Socorro que lhe ficava (ao Apolo) deanteira.
Rua da Palma, Socorro, 1951.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.
Digo por aquêles dias extrapolando agora desta para a outra. Tudo me indicava ser esta de Dezembro/Janeiro de 51, porquanto o cartaz que vejo na empena do quarteirão por demolir anuncia em Janeiro o Inspector Geral, com Danny Kaye, e os Mundos opostos (East Side, West Side), com Barbara Stanwyck, James Mason, Van Heflin e Ava Gardner.
Ora o Inspector Geral acabou por estrear-se só em 8 de Fevereiro de 1951 e os Mundos opostos estrearam-se em 18 de Janeiro.
Do folhear agora os Diários de Lisboa vi que dês do Natal de 50 à estréia do filme do Danny Kaye estava em cena no Apolo a peça Enquanto Houver Santo Antonio, com Irene Isidro, Laura Alves, António Silva, Ribeirinho, Barroso Lopes e Carlos Alves. Um grande elenco. Vendo a fotografia em cima, é a peça que vem anunciada em 2 sessões sôbre a entrada do teatro.
No jornal de 18 de Janeiro de 51 lá vêm os Mundos opostos em grande estreia nêsse dia no São Jorge.![[Cartaz de Espectáculos], «Diario de Lisbôa», 18-1-951, p. 5](https://live.staticflickr.com/65535/52905396826_b65da4f9b4_h.jpg)
Também vi no jornal de 18 de Janeiro que Os 3 Craddocks estiveram incluídos no cartaz de Enquanto Houver Santo Antonio, por dez dias a contar dêsse dia. — Pois, não é a faixa dêste anúncio d' Os 3 Craddocks que vejo de esguelha sôbre o cartaz do Teatro Apolo no cunhal da Rua Fernandes da Fonseca?!…

«Enquanto Houver Santo Antonio», incl. «Os 3 Craddocks», Teatro Apolo, 1951.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.
A pág. de espectáculos do Diario de Lisbôa de 18/I/1951 é adaptada duma mal enjorcada da Fundação do irmão do dr. Tertuliano.
Parece trabalho do detective Pierrot...
ResponderEliminarPierrot?!… Oh, diabo!…
ResponderEliminarCumpts.
Talvez Pierrot, Colombina e Arlequim, os artistas da nova novela para entreter criancinhas.
ResponderEliminarCumpts.
Credo! Não só me declinam o trabalhinho detectivesco ao nível de polichinelo ainda me põem elenco de opera buffa.
ResponderEliminar🎭
Cumpts
Ainda vi o Teatro Apolo e os prédios até à Rua Martim Moniz (Guia), os do lado direito e a Igreja do Socorro não lembro bem mas passei pelo local quando, muito novo, ia à Baixa com familiares.
ResponderEliminarCumpts.
Não cheguei a tempo. Sou só do tempo do barracão do Adoque.
ResponderEliminarCumpts.
O barracão do Teatro Ádoque é dos anos 70, julgo que 1974. Antes, nesse local foi estacionamento de automóveis e o terminal dos eléctricos Martim Moniz-Alto de São João durante muitos anos.
ResponderEliminarCuriosamente, pela primeira e única vez assisti um carteirista a sacar carteira da mala de mão a uma senhora que estava na fila dos eléctricos. Eu, quase paralisado a olhar, e a senhora a afastar o homem com um 'chegue-se pra lá' fez afastar o amigo do alheio como não fosse nada com ele.
Cumpts.
Eram os chãos dos quarteirões demolidos da’ ruas do Socorro e das Atafonas.
ResponderEliminarÉ de 74, sim. Era uma cooperativa de artistas, coisa de emprego com futuro. O progresso o deu e o progresso o levou. Alguns dos artistas também progrediram. Coisa de artista, o progresso…
O carteirista era outro. Levou a carteira?
Cumpts.
Uma gaivota voava, voava...
ResponderEliminarNão, a senhora puxou a mala para a frente da barriga e depois reparou que estava quase aberta.
A acção seria quando houvesse um motivo de 'com licença' para meter os "garfos".
Cumpts.