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quarta-feira, 17 de maio de 2023

A Mouraria no tempo do Apolo

 Tenho andado cá com o eléctrico 6. Ainda há dias vim cá com uma dêle descendo a Rua da Palma meia demolida, lá por 1950, com portuguêses envergando agasalhos de Inverno. Aqui vem outro 6, subindo-a, no trôço do Teatro Apolo, por aquêles dias, já ao depois de demolida a paroquial do Socorro que lhe ficava (ao Apolo) deanteira.

Rua da Palma, Socorro (J. Benoliel, c. 1950)
Rua da Palma, Socorro, 1951.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

 Digo por aquêles dias extrapolando agora desta para a outra. Tudo me indicava ser esta de Dezembro/Janeiro de 51, porquanto o cartaz que vejo na empena do quarteirão por demolir anuncia em Janeiro o Inspector Geral, com Danny Kaye, e os Mundos opostos (East Side, West Side), com Barbara Stanwyck, James Mason, Van Heflin e Ava Gardner.
 Ora o Inspector Geral acabou por estrear-se só em 8 de Fevereiro de 1951 e os Mundos opostos estrearam-se em 18 de Janeiro.
 Do folhear agora os Diários de Lisboa vi que dês do Natal de 50 à estréia do filme do Danny Kaye estava em cena no Apolo a peça Enquanto Houver Santo Antonio, com Irene Isidro, Laura Alves, António Silva, Ribeirinho, Barroso Lopes e Carlos Alves. Um grande elenco. Vendo a fotografia em cima, é a peça que vem anunciada em 2 sessões sôbre a entrada do teatro.
 No jornal de 18 de Janeiro de 51 lá vêm os Mundos opostos em grande estreia nêsse dia no São Jorge.

[Cartaz de Espectáculos], «Diario de Lisbôa», 18-1-951, p. 5

  Também vi no jornal de 18 de Janeiro que Os 3 Craddocks estiveram incluídos no cartaz de Enquanto Houver Santo Antonio, por dez dias a contar dêsse dia. — Pois, não é a faixa dêste anúncio d' Os 3 Craddocks que vejo de esguelha sôbre o cartaz do Teatro Apolo no cunhal da Rua Fernandes da Fonseca?!…


«Os 3 Craddocks», Apolo (J. Benoliel, 1951)
«Enquanto Houver Santo Antonio», incl. «Os 3 Craddocks», Teatro Apolo, 1951.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.





A pág. de espectáculos do Diario de Lisbôa de 18/I/1951 é adaptada duma mal enjorcada da Fundação do irmão do dr. Tertuliano.

9 comentários:

  1. Parece trabalho do detective Pierrot...

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  2. Pierrot?!… Oh, diabo!…

    Cumpts.

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  3. Talvez Pierrot, Colombina e Arlequim, os artistas da nova novela para entreter criancinhas.

    Cumpts.

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  4. Credo! Não só me declinam o trabalhinho detectivesco ao nível de polichinelo ainda me põem elenco de opera buffa.
    🎭
    Cumpts

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  5. Ainda vi o Teatro Apolo e os prédios até à Rua Martim Moniz (Guia), os do lado direito e a Igreja do Socorro não lembro bem mas passei pelo local quando, muito novo, ia à Baixa com familiares.

    Cumpts.

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  6. Não cheguei a tempo. Sou só do tempo do barracão do Adoque.
    Cumpts.

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  7. O barracão do Teatro Ádoque é dos anos 70, julgo que 1974. Antes, nesse local foi estacionamento de automóveis e o terminal dos eléctricos Martim Moniz-Alto de São João durante muitos anos.
    Curiosamente, pela primeira e única vez assisti um carteirista a sacar carteira da mala de mão a uma senhora que estava na fila dos eléctricos. Eu, quase paralisado a olhar, e a senhora a afastar o homem com um 'chegue-se pra lá' fez afastar o amigo do alheio como não fosse nada com ele.
    Cumpts.

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  8. Eram os chãos dos quarteirões demolidos da’ ruas do Socorro e das Atafonas.
    É de 74, sim. Era uma cooperativa de artistas, coisa de emprego com futuro. O progresso o deu e o progresso o levou. Alguns dos artistas também progrediram. Coisa de artista, o progresso…
    O carteirista era outro. Levou a carteira?

    Cumpts.

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  9. Uma gaivota voava, voava...
    Não, a senhora puxou a mala para a frente da barriga e depois reparou que estava quase aberta.
    A acção seria quando houvesse um motivo de 'com licença' para meter os "garfos".

    Cumpts.

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