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terça-feira, 29 de novembro de 2022

Lisboa, 2022

 Espraia-se a miùdagem pelo jardim de ante o Lyceu de Camões. É natural. O liceu está esventrado das grandes obras que lhe fazem. Não fôra isso seria natural à mesma — espraiar-se a miùdagem do liceu pelo jardim. — O liceu é escola e o jardim sempre é melhor praia.
 Hoje estão sossegados. Não estão a reivindicar nem a activistar causa nenhuma, daquelas grandes, que apreendem do ensino oficial, da' redes sociais e das séries on demand. Nada, por conseguinte, de salvar as baleias — ou o planeta, que é causa ainda maior que das baleias. Nada de berrar fobiosamente contra preconceitos ou preconceituadamente contra fobias de todos o géneros. Nada! Sequer um parzinho de jarr@s de mão dada feitos pombinhos ali avisto. Sòmente vejo, digno de realce, um pequeno lilás tranjando todo de roxo, da cabeça aos pés. Tem o cabelo também tinto em roxo-azulado, a não destoar. Bebe qualquer coisa à porta do quiosque, de pé, atrelado na ponta da trela dum cão; nada tão trivial como uma bica, estou em crer. Muito menos um copo de tinto, valha-lhe Deus, se bem que pela côr do pêlo e dos trajos pareça haver derramado vários pela cabeça abaixo.


«Kilos Grafitti», Lisboa — © 2022

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