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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Da evolução para pior

 Nada me frustra mais do que regredir. Se parece que avançamos, pior. Fico arreliado. Penso sempre que se chegámos a tal ponto e está bem assim, para quê mexer? Valho-me sempre aqui da máxima da tropa: — «Está bom? Não mexe!». Os adágios de que «o óptimo é inimigo do bom» ou que «se estiver melhor, não presta» também o dizem.


 Trocou-me o fornecedor de televisão (estranho conceito para quem nasceu com TV em VHF e cresceu com ela assim e mais em UHF) a caixa 4k de televisão por uma caixinha… 4k [?!] de televisão. Nôvo contrato, ofertas disto ou daquilo (canais de filmes e séries que não me interessam nada de nada; só vejo o canal dos bebés). Como aceito a proposta só para continuar mais uns tempos na mesma como até aqui (estou bem assim), vai de agendar a troca do equipamento e — Muito bem! Sim senhores! — aceito-a, cuidando que dada a minha frugalidade de só ver um canal de TV, pior não haveria  de ficar.


 Pois, piorou!


 Uma comodidade tão simples como o comando da anterior caixa 4k comandar o aparelho de televisão além da dita caixa 4k, foi-se. Depois, a modernice que me deixaram no móvel, mais minúscula porque é assim que é o modernaço (salvos os telemóveis, que aumentaram de tamanho), é menos prática de acender e apagar manualmente; tem ela um botãnito escondido de lado, em baixo, em lugar pouco prático, ao invés do redondo botão bem bem ao alcance da ponta do dedo na face superior da caixa. — Ora, duas mariquices (salvo seja) de nada, porém práticas para mim que até sou pouco exigente, esquecidas no salto em frente do progresso e,  sem elas aqui estou eu defraudado por essa tal modernidade tão fatal como o destino.


 Pois bem, não! Isto não me serve, mas, como tornar ao que já tinha e me servia tão bem? — Uma  tortura!…


 Ligar ao fornecedor de televisão (estranho conceito para quem nasceu com TV em VHF e cresceu assim com ela e mais em UHF) é outra tortura. Ao cabo de três telefonemas lá consegui, carregando instintivamente em tantos zeros que já nem sei, furar através da redundante  inteligência artificial (dantes havia um galicismo: cassette) a qual me cerceava de chegar à fala com alguém de carne e osso. Afortunadamente calhou-me até alguém que falava… português. Do autêntico, não dêsse dos trópicos (devia estar eu com o rabinho para a Lua naquêle instante…) Porém senti-lhe o espanto — à pessoa que me atendeu — no silêncio que fez quando lhe disse que rejeitava a modernice que me acabavam de deixar no lugar do que me satisfazia muitíssimo bem e que queria de volta se fizesse favor.


 Foi compreensiva e atenciosa a pessoa. Pediu-me  que não desligasse (deve ter ido consultar a chefia com tão quezilento pedido) e cá tornou à linha alguns minutos ao depois propondo agendamento para a reposição do equipamento na primeira forma, alertando-me que nêste caso não teria a regalia do Amazom Praime (quero lá saber!)


 Ficou assim para um dia dêstes, à tarde. Fiquei sastifeito (até vêr…)


2 comentários:

  1. Evidentemente, as modernices dos electrodomésticos são adaptações feitas aos novos aparelhos, por estudos de mercado ou o que as marcas entendem.
    Modernices, já lá vai o tempo do movimento uma plaqueta lateral ou até o nosso próprio braço indicava a mudança de direcção do automóvel.
    O ser atendido pelo telefone, para apresentar uma reclamação ou simples informação, é sempre complicado se não for a um pequeno estabelecimento.
    Se for uma grande empresa ou organismo estatal, aparece um callcenter ou ninguém atende por 'atendemos o telefone ou atendemos as pessoas presentes'. Será um "ganda" negócio a criação de um callcenter do Estado. Deve estar no segredo dos deuses.
    Cumpts.

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  2. Nêste caso a modernice é toda e só voltada ao comando remoto têr uns botõeszecos direitinhos aos HBO, Netflixes ou Amazões da Prima que os pariu. Para premir loguinho ali e vêr a cangalhada com que nos andam a catequizar.
    Não vejo filmes ou séries há anos. Só enjôo. Só recados nas entrelinhas com paganismo abherrante que para aí vigora agora, mais e mais: anti-racismo, transgènerices… — paneleiragem e fufafria. — Maus costumes dantes se dizia que agora nem falar sabem, tantos os eufemismos da treta com que recheiam os bestuntos. Nem percebem nada.
    Os tempos são êstes. Fachada ultramoderna que não passa de crua estupidez. Nem barbárie chega a ser. Estupidez! Uma degradação tecnológica que se confunde (procuram confundi-la) com inteligência (é tudo smart, como se fôssemos estúpidos…) e, qualquer engenhoca que faça mais uma ou duas porcarias do que a função principal que a define é logo duma esperteza do outro mundo.

    No caso, é simplesmente menos prético ter de passar a usar um comando para a TV e outro para a caixinha do canal dos bebés (o único que vejo na televisão) quando antes me facultavam um comando que governava ambos aparelhos nas funções essenciais. Um progresso que é um descuido ou um pormenor que desvenda um logro em geral.

    Cumpts.

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