Dantes, dizer mal dos padres no jornal era sacrilégio. Agora a religião é outra.

Expesso (Expesso, isso mesmo), 5/VIII/22.
A capa do eco-saco de plástico desta semana parece estimulação contraditória e, lá o será…
Pois bem! — O saco de ex-plástico publicou? — Certos e seguros, os sagrados sinos da rádio e TV repicam-no esta manhã hora a hora, infrenes.
O ferrete anticlecrical do ex-saco de plástico é de catálogo: propõe um vilão agressor (a Igreja) personificado no seu agente essencial: o sacerdote — uma heresia monstruosa, medonha; já as vítimas, coitadinhas, são apresentadas à compaixão do leitor, em dobro: à uma os meninos crentes, comidos pelo papão (salvo seja, mas, a bem da beatitude do jornalixo, não confundir papão com Papa!); à outra os desgraçados homossexuais, enganados por essa construção social opressora que é a anatomia. Um caso complicado!…
Vai de desconstruir, portanto.
Assim: de os vilões objecto da notícia serem eles homossexuais, activos, chiu! Nada de o exprimir. São é padres. Padres. Já daqueloutros sacerdotes da santa madre democracia — uns que jazem lá nas calendas da Casa Pia — mais chiu ainda! Nem lembrar!… — E de os hipócritas agentes da notícia serem moralões catequistas da sodomia, a estimulação contraditória lá fará seu efeito na sua confusão. O do restante, que é a gente, nós bem entendemos…
Esta catequese, cá, vai por aí agora nos mancebos. Um atraso, estas élites por cá!… Na Inglaterra e nos Estados Unidos vai já ela desenfreada nos meninos das creches, levada a cabo por travestis contadores de histórias aliciantemente infantis.