Cheira a torradas na escada. A D.ª Tânia do 2.º tem hoje o «Papa Don’t Preach» da Madonna. Ressoam de lá muito os anos 80. No outro dia era o «True» dos Spandau Ballet. Mediante isto não devia havê-la por D.ª, antes só Tânia. Mas os anos 80 foram há já trinta anos… Oitenta por oitenta — em tempos de há oitenta anos, entendei —, se soasse seria o Fado Malhoa ou assim; numa telefonia sintonizada na Emissora ou no Rádio Clube. E por Tânia do 2.º haveria de ser Amélia; D.ª Amélia. Descontando a naftalina disto tudo, o cheiro a torradas havia de ser igual.
Na esplanada do café (coisa moderna, a armar ao fino; mesmo assim, já dos anos 70 e, logo aí em largos e praças de aldeias, porque… — porque era o progresso; e porque antes dêle seria ao balcão da taberna)… Dizia eu: na esplanada do café (duas mesas de plástico com cadeiras postas na calçada do passeio) um, com uma cerveja de ante; outro, com uma tacinha de tinto. Ambos mais a dormir do que acordados, que o petróleo às tantas já deixa de alumiar… — Por castiço salva-se o do tinto; se fôr do carrascão.
Está um daquêles dias incertos de Abril. Ora chove; ora há uma olheirada.
Amália, Fado Malhoa
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