Ao asno meditabundo de 1924 somava já eu o burro (por cábula, e que por acaso até era Leitão) de 1933: o Vasquinho da Anatomia, nas primeiras scenas d' A Canção de Lisboa. É vê-lo aos 4' 28" contra as varinas no pitoresco das escadinhas de Santo Estevam. Dois asnos na mesma païsagem típica alfacinha.
A Canção de Lisboa (Cottinelli Telmo), 1933 (cânone Tu vais ficar mal).
Pois bem, não há duas sem três, diz o bom povo. Do baú das memórias do meu velho sócio de andanças alfacinhas emergiu mais um asno às Escadinhas de Santo Estevam. Êste que lhe isto escreve, benévolo leitor. Meditabundo como o de 24, a pensar no nã' no vi, ao fundo das escadinhas, mas sem a mesma graça, em 1987, naturalmente porque um ano tão adeantado não há nunca de têr a graça duma aguarela de 24, e porque correrias esbaforidas como a de 33, do castiço da Tóbis às escadinhas da Adiça, aos chafarizes da Alfama, a desembocar no Campo de Santana da Escola Médica do mastóideo, eram já scenário estourado na Lisboa de 87. Mas o insólito de um asno a meditar em Santo Estevam ali se viu outra vez.

Escadinhas de Santo Estevam, Alfama, 1987.
Colecção particular de P. Jaime.
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