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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Montes Claros, Monsanto — © 2020
Montes Claros, Monsanto — © 2020


 Nada há na Natureza semelhante aos seres do Reino Vegetal.
 Nascem apenas para DAR, sem nunca escolherem quem recebe.
 Dão-nos grande parte do oxigénio que respiramos.
 Dão-nos grande parte da nossa alimentação, pelas raízes, pelos caules, pelas folhas, pelos frutos, pelas sementes e actualmente também pelas flores.
 Dão-nos a casca dos seus troncos e dos seus frutos para os mais variados usos, desde alguma da roupa que vestimos até ao lápis com que aprendemos a escrever.
 Dão-nos a beleza das suas formas e das suas flores.
 Dão-nos as essências, as resinas, donde resultou o âmbar, as gomas, os taninos os oxalatos, os aromas e o látex das suas seivas.
 Dão-nos remédios sem conta para os nossos mais variados padecimentos.
 Dão-nos a sombra das suas folhagens, dão abrigo às aves e a toda a espécie de animais arborícolas.
 Dão-nos a madeira para as nossas habitações, para a mesa onde comemos e a cadeira onde nos sentamos e as achas com que cozinhamos e nos aquecemos.
 Descobrimos a roda pela forma roliça de muitos troncos.
 Deram-nos os meios para construirmos as naves com que começámos a sulcar os mares.
 Deram-nos a avena rústica com que começámos a conhecer o espantoso mundo dos sons e, a partir daí chegámos ao clarinete, ao piano e ao violino permitindo-nos elevar o nosso espírito e dulcificar as nossas almas.
 Por fim, provavelmente dar-nos-ão as tábuas que nos acompanharão na nossa última viagem…
 Nada exigem em troca excepto o respeito pelo que são, algum carinho e um pouco de atenção de vez em quando.
 É pedir muito pouco face à imensidade da dádiva total das suas vidas ao mundo de que todos fazemos parte.
 Seres maravilhosos, companhia silenciosa das nossas vidas, eu lhes estou muito agradecido.


Comentário de Leunam em 9 de Outubro de 2020.




 


Montes Claros, Monsanto — © 2017
Montes Claros, Monsanto — © 2017

2 comentários:

  1. Bic Laranja
    Muito obrigado pela publicação deste meu texto.
    O que escrevemos é o que nos vai na Alma.
    Desde a mais tenra idade tive a felicidade de aprender com meus Avós e meus Pais, através da simples pedagogia do exemplo, a estimar todas as plantas que nos cercam .
    Mais tarde, nos meus estudos, bem li e reli a Botânica de Seomara da Costa Primo, cientista de alto gabarito hoje completamente esquecida, como a maior parte dos nossos grandes do passado.
    Os Pedagogos de quem fui beneficiário, hoje o reconheço, tudo fizeram para abrir a mente das novas gerações, dar conhecimentos, cultivar o Saber mas, em muitos casos, tal como vem na Bíblia, a semente caiu num caminho e não germinou. Não foi por falta de empenho desses grandes Pedagogos, posso afirmá-lo.
    A nova pedagogia parece conduzir ao desamor e desapego pelas nossas coisas.
    É espantoso como se deixa que se formem as novas gerações na ignorância de coisas basilares que nos cercam e na ignorância do nosso passado colectivo de mais de oito séculos.
    Nem a Língua Portuguesa escapou a este autêntico vendaval de vândalos!
    Estamos cada vez mais pobres em todos os sentidos, pois quando falha a Moral ...tudo o mais se perde !

    Meus cumprimentos e reiterados agradecimentos.

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  2. Obrigado sou eu. É um privilégio receber comentários assim.
    Cumpts.

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