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sábado, 31 de outubro de 2020

Da sanidade à santidade

 Há coisas que se não explicam. Ou explicam?
 Com esta interdição de se os comuns deslocarem dum concelho a outro, a par da fronteira internacional aberta, temos que eu posso ir de Elvas a Badajoz, mas de Elvas ao Alandroal já não.
 Isto tem graça.
 E da Graça, bem, pode sempre ir-se aos Prazeres; ninguém está livre dele… Calha até ao depois que são no mesmo concelho.
 Dos Prazeres à Graça é que, cheira-me, só com algum cheiro de santidade. Quiçá o governo e, especialmente, as senhoras da saúde que velam por nós diariamente desde Março mais ou menos à hora do Terço tenham já o salvo-conduto.
 Nós é que, Deus nos valha!


 


Eléctricos da Graça e dos Prazeres, Lisboa (J.-H. Manara, 1972)
Eléctricos da Graça e dos Prazeres, Rua da Conceição, 1972.
Jean-Henri Manara, in Portugal (Flickr).

3 comentários:

  1. Inspector Jaap2/11/20 10:54

    Mas que texto verdadeiramente extraordinário!!!
    Um verdadeiro hino ao bom senso, que de uma maneira espartana mas mordaz diz tudo, sobre esta « palermia » que nos assola, e
    verdadeiramente delicioso para quem tiver argúcia de saber distinguir entre maiúsculas e minúsculas.
    Calorosos parabéns!

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  2. Palermia é muitíssimo bem achado.
    Abraço

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