Ou o mamarracho com jeitos de clandestino empoleirado lá atrás é um devoluto que pegou fogo há dias dalguma sopa de cavalo. Conquistas da libardade anunciada nas paredes das casas velhas a par do caminho-de-ferro, decerto.

Passagem de nível da linha de cintura de Alcântara, Campolide, 1980.
Guy, in Flickr.
Qual será a história desse prédio e do que está à esquerda dele na imagem (hoje está emparedado e terá provavelmente destino semelhante)? Aquela zona ainda é a Serafina? Quando se vai para a Ponte 25 de Abril e olhamos para a direita e toda essa zona parece bastante desconjuntada. Poderia o BIC Laranja lançar um pouco de luz nesta escuridão?
ResponderEliminarCumprimentos
E lembram-se, nestes autocarros, quando se entrava havia 2 bancos em frente um do outro?
ResponderEliminarOs chamados "bancos dos palermas"???
Tinha uma ideia pré-concebida de que fosse edificação clandestina dos típicos dos bairros da Liberdade ou da Farternidade vulgarizados pelos anos 1974-75-…
ResponderEliminarMas talvez não ou, talvez sim…
Pelo proc.º da obra 39 770 do archivo municipal, remonta a construção daquilo a 1962-64 (da sujeição do projecto ao alvará de utilização). Os índices do archivo dão entradas de 62 até 86 e depois acabam.
Mas a construção tem todo um arzinho de ser dos anos 70.
Talvez se tenha o mamarracho enxertado na casa primitiva de 1962-64.
Ou talvez se lhe tenha sobreposto liberal ou fraternalmente, como erva daninha, no tal tempo da democratização clandestina e selvagem…
Assim de repente é o que consigo dizer-lhe tirando ideias dos vagos índices do archivo municipal que se acham na rede.
A morada do mamarracho é Rua Inácio Pardelhas Sanchez, 140/140-B (antiga Rua A do Bairro da Liberdade). A outra casa que refere, entaipada, mais à esquerda é o 146. De permeio, dois lotes — 142 e 144 — já foram demolidos, mas viam-se lá na fotografia cá de baixo em 1980.
Talvez por pouco acaso, depois da publicação desta imagem do autocarro da Serafina (ou da Picheleira), uma certa «Lisboa de Antigamente» apareceu anteontem com esta…
A vista actual é…
Seguindo (o Guglo das ruas) para a dir. do chafariz dá-se logo com o desgraçado prédio e, continuando, outras construções ainda mais bizarras.
Adiante.
Ou melhor, recuando.
Dias antes a tal «Lisboa de Antigamente» saíra-se com estoutra das escadinhas da libardade como dizia o outro. Não sei se a «Liberdade» do bairro da dita, em Campolide, e das suas escadinhas e ruas ali, é dantes ou depois do grande acidente nacional. Não estudei agora a história do tal bairro, mas, pelo nome, e sobretudo pelo ar de certas opções urbanísticas naquelas ruas na encosta abaixo da Serafina, tudo lhe parece denunciar a época de (re)edificação e baptismo. O Bairro da Serafina, não. É do tempo do Estado Novo, isso é certo.
Como pode ver da segunda imagem da tal «Lisboa de Antigamente», em 1945 a encosta por ali acima a par das escadinhas era ainda um belo olival.
Melhor há cem anos: veja a encosta da estação ao aqueducto; o lugar, já nos confins da Quinta da Rabicha, que vinha da Estrada de Campolide até à Ribeira e que confrontava finalmente ali com a Quinta da Mineira de João José de Miranda e Emilia Adelaide d' Espie Miranda. Cuido que o troço da Rua Inácio Pardelhas Sanchez até à zona do chafariz e das escadinhas coincida pouco mais ou menos com os limites de confrontação das duas quintas, a meio daquela encosta.
Cumpts.
É verdade.
ResponderEliminarAgora recompuseram o interior das carruagens do Metropolitano com bancos assim, de costas para as janelas, em todo o comprimento. Para caber mais sardinha.
Cumpts.
Lembro de ter lido (?) do Bairro ter aparecido durante a Grande Guerra e o republicano Carlos Rodrigues dos Santos, o 'Carlos da Parteira', ter sido o autor da denominação Bairro da Liberdade, sendo as primeiras crianças lá nascidas baptizadas de Libertino e Libertina.
ResponderEliminarCaro Bic,
ResponderEliminarAgradeço as suas explicações. O seu conhecimento da nossa cidade impressiona.
Cumprimentos
Excelente explicação.
ResponderEliminarPois, pois… dê-lhe graxa.
ResponderEliminarNem lhe comentou o '...Ponte 25 de Abril'
B.F.
Mérito seu. O seu mote fez-ma conhecer melhor. O B.º da Liberdade é dos anos da I.ª República (pista acertada dum leitor anónimo que falou num certo Carlos da Parteira). Começou num loteamento clandestino duns espertalhões que desataram a vender lotes a gente pobre, quando os terrenos eram da Câmara. Quando deram por eles, já se tinham os burlões escapado para o Brasil com a massa toda. A Câmara ficou com um bairro consumado e os burlados com os lotes.
ResponderEliminarO mamarracho que ardeu é realmente dos anos 62-64; figura em imagens dos anos 60 no archivo photographico municipal.
A rua do mamarracho é mais alta do que me pareceia; vai no topo da quinta da Mineira e não na sua confrontação com a da Rabicha. Mas o bairro tomou-lhe os chãos a esta última, a par da linha férrea de Alcântara, nomeadamente no que veio a dar numa Vila Lopes e na Rua B.