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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sou deste tempo

A56458
Avenida de Fontes com a Martens Ferrão, Lisboa, 1967.
Augusto de Jesus Fernandes, in arquivo fotográfico da C.M.L.



 Melhor! A paisagem mudada, o orgulho do moderno prédio já não de rendimento, mas de sétimo andar com elevador (o luxo da burguesia média-alta do tempo da mini saia) — senão a câmara municipal nem lá tinha mandado o fotógrafo documentar a formidável pós-modernidade. Em 1969 seriam os 20 andares do Imaviz e em 71, salvo erro, os 25 do Sheraton, um pedaço de avenida (e não só) mais acima — 5 estrelas!…
 E a ortografia despida, como a de Queirós do Eça nas edições dos Livros do Brasil. Aquelas que na melhor hipótese eram encadernadas em vermelho e dourado.
 Sou deste tempo. A rua onde nasci ver-se-ia ao fundo, não fora (fôra ou fora?!…) a furgoneta pão-de-forma (fôrma ou forma?!…) a passar.

4 comentários:

  1. Este crescidote '7 andares' ainda lá está, agora apertado por dois 'matulões'.
    Os chamados prédios de rendimento, de seis e mais divisões, foram erguidos para habitação de grandes famílias com rendimentos, muitos, depois, passaram a 'casas de hospedes'. Nos anos 60, do século passado, foram ficando devolutos, vendidos e abatidos para darem lugar a edifícios de escritórios.

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  2. Pois foi. Com as demolições se têm perdido os requintados interiores e o gosto duma época. A cidade parece que se renova, mas a verdade é que se canibaliza.
    A autofagia não é, por definição, coisa boa.
    Cumpts

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  3. Canibalização à finório. Na baixa lisboeta, dentro da chamada zona histórica, os canibais estão a comer a carne deixando os ossos. Destruição do interior ficando apenas a fachada exterior.
    Conheci, por lá, vários edifícios com tectos do séc. XIX, autênticas obras de arte de artistas-estucadores minhotos, entre eles o Mestre Meira autor dos tectos do Palácio Foz, Palácio da Pena(Sintra) e de vários em salas de jantar em prédios da Pç. dos Restauradores.
    O apetite começou em meados dos anos 60, com a destruição do prédio ao lado do 'Palladium', lado esq. no início da Av. da Liberdade, para dar lugar a um palerma mamarracho.

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  4. É pela cidade toda. Não levamos emenda. O património vai-se com a devoção apalermada do moderno pelo moderno.
    Continuará.
    Cumpts.

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