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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Housing First — Lisboa quer dar têt' a todos sem abrigo

Rogério Chambel, «Lisboa quer dar tecto a todos os sem-abrigo», Correio da Manhã, 25/XI/19


  Housing First não é só um título em bom português duma coisa qualquer. Nem é uma coisa qualquer. É todo um programa, concebido por finlandeses para acabar com os vagabundos, vadios, indigentes, mendigos, pedintes, pobres, dementes ao deus-dará ou simples desvalidos desabrigados espalhados pelas ruas de Helsínquia.


 Ah! E baptizado por eles, finlandeses, com um belo nome amaricano! (Como parecem portugueses!)


 Vê-se a coisa agora por cá.


 Por conseguinte, não só passámos — nós, os da pátria de Camões — do bárbaro homeless ao anglicismo sem-abrigo — uma espécie de omelesse sem ovos à portuguesa, que é a clássica luso-aculturação ao amaricano com arrimo lusitanizante. — Não só passámos disto que disse, como parámos por estas bandas completamente de querer pensar. Com boa vontade, se não desligámos já definitivamente o cérebro, podemos entender que dar um cunho nosso à Hous… coisa é decalcarmos (=copy/paste) todo o programa dos finlandeses e escarrapachá-lo solenemente na folha de couve Oficial do Governo como Resolução do Conselho de Ministros n.º 50-A/2018, com o pomposo sumário: Aprova o sentido estratégico, objectivos e instrumentos de actuação para uma Nova Geração de Políticas de Habitação (com ortografia assaz mutilada, como calculais). Lá pelo meio do despacho ou decreto ou o raio que é uma Resolução do Conselho de Ministros, pode ler ver-se Housing uma data de vezes. Chic a valer!


 Assim posta a coisa, mais parece que foi um Governo do dr. Ant.º Costa que engendrou o programa, o título, e tudo, hem! — Ora adeus ó finlandeses!… Adeus ó sem abrigos!... Adeus ó língua de Camões!


 Nota final. Pode parecer bem, mal, ou estúpido descaso, o Correio da Manha (isso mesmo) grafar tecto a par de projêto, mas não se engane o benévolo leitor. O jornalista redigiu mesmo o título cacográfico Lisboa quer dar teto a todos os sem-abrigo. Mas ao depois, o director lá, o Otávio (isso mesmo), olhou para aquilo, leu mentalmente em voz alta e olha!… Fez ao Acordo o Ortográfico que adutou lá no jornal o mesmo que outro também fez ao segredo de justiça.

(Devo a notícia do Correio coiso e o mote do barbaresco Housing Fresta, ou isso, ao meu prezado amigo D.C.)

7 comentários:

  1. De acordo.

    Sempre pensei que "sem-abrigo" não seria um anglicismo. Aparentemente, eu próprio já tinha naturalizado essa adaptação.

    O que sugere o caro Bic para nomear os indigentes que dormem pelas ruas das cidades? Desvalidos?

    Obrigado mais uma vez.

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  2. Sem pruridos? Vagabundos.
    Obrigado eu.

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  3. Ora bem. Sempre foi esse o nome que tiveram.

    Também ainda digo vagabundos.

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  4. Pois.
    Noutros tempos havia vagabundos, mendigos, aleijadinhos e pobrezinhos.
    Era proibida a mendicidade e vagabundagem, os aleijadinhos se soubessem tocar um instrumento safavam-se e os pobrezinhos lá se iam arranjando com uma 'esmola pró pobrezinho'.
    Mas, havia dias especiais para toda esta gente: apareciam aos magotes nas feiras, festas e procissões.
    Agora, quase toda esta gente é vitima de alcoolismo e toxicodependência e consequente desemprego e abandono familiar, e com as 'irmãzinhas' em empresárias de colégios, lá aparecem umas 'boas almas' a dar algum apoio a estes desvalidos, como que 'sopas do sidónio' se tratasse.

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  5. A Almirante Reis em Lisboa está cheia de outro tipo de vagabundos que nem há uns 5 anos atrás me lembro de ter visto-

    travestis, prostitutos. Até mostram as mamas e dormem por ali ao molho.
    No outro dia estavam dois a debater qual era a médica que arranjava as dentaduras postiças.

    Fora isso, existem rapazes e raparigas novíssimos, na casa dos 20 e poucos que são nitidamente imigrantes. E vejo-os a falar ao telemóvel e deitados o dia inteiro.

    Contava um homem no autocarro que a SCML dá bolsa a toda esta malta mas ele que precisou de dinheiro por ter partido a perna no trabalho não a conseguiu.

    É verdade que no fim do mês se vê uma data de marginais a chagarem as funcionárias quando a bolsa que a Dra disse que já estava a pagamento, ainda não está.

    Se for velho e português, com apoio domiciliário e tiver o azar de ir parar ao hospital (com pneumonia por contágio das funcionárias, como é o mais provável e tenho visto diariamente) se ficar com sonda, kaput. Acabou-se o apoio domiciliário porque agora as donas funcionárias deixaram de andar a recibos verdes e no contracto não está especificada a alimentação por sonda.

    Estão os direitos a magote. A baixa então está a ser estreada com sucesso no meu bairro.

    E já falam em sindicato e greves. A eutanásia está na calha para aliviar isto e não é para "omelesses".

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