O comboio chegou aqui e já não anda mais. Há muitos, muitos quilómetros de linha até Bragança. Mas o comboio a partir daqui, já não anda mais […] E não era assim.
[…]
Para aproveitarem um pouco da via férrea, aqui tiveram uma ideia que realmente foi uma ideia feliz. Transformaram os carris no metro. De maneira que Mirandela é a única cidade portuguesa além de Lisboa que tem o metro. É uma boa ideia. O metro, como vêem, a carruagem vem cheia de estudantes. É o metro que leva os rapazes e as raparigas para a escola. Óptimo! Agora, há coisas curiosas. Esta carruagem em que eu embarquei tem um nome. É a carruagem de Estrasburgo. Eu podia ter ido para outra, mas a outra chamava-se… de Bruxelas, acho que ainda era pior. E há uma terceira que era de Paris…
Então e as estações?
Se repararem bem todas as estações têm aí um nome na placa. As estações chamam-se agora Jean Monnet, Jacques Delors, Mirandela/Piaget.
Isto tudo aqui!… Isto tudo aqui, entre os castiços montes da mais castiça das províncias portuguesas.
José Hermano Saraiva, Nas margens do Tua
(Horizontes da Memória, R.T.P., 6/VI/1997.)
Mais um colossal monumento à bacoquice nacional; mas que refinados masoquistas a profanarem a alma dos nosso Maiores re-baptizando, vá lá saber-se porquê e em nome de quê, lugares ancestrais que lhes deveriam merecer mais respeito; mas este é atributo da perfeição humana, logo, não compatível com a apagada e vil tristeza em que vivemos hoje “nisto” que já foi um Pais grande e digno.
ResponderEliminarQue Deus, Nosso Senhor, nos guarde.
Cumpts
Portugal acabou há muito.
ResponderEliminarCumpts.