[...] Duas cores e cheiro: branco, branco, branco, branco doirado pelo sol, que atingiu a maturidade como um fruto, pinceladas de roxo uniformes para as sombras, e um cheirinho suspeito a cemitério. O fruto que chega a este estado está a dois dedos do apodrecimento, e é talvez por isso que a ideia do sepulcro me não larga nas noites brancas e pálidas em que me julgo perdido num vasto campo funerário…
O céu aproxima-se de mim. Da açoteia chego às estrelas com a mão. A aragem do mar é tépida e o cheiro persiste… Voluptuosidade e morte… Tenho a sensação criminosa de apertar nos braços uma mulher que se entrega, no momento em que entreabre a boca sucumbida — num vasto campo-santo, onde os espectros imóveis e brancos, de sudário, olham e esperam… O fruto vai completar o seu destino. Cheira que tresanda…Raul Brandão, Os Pescadores, Porto, 2003. p. 148.

Rua da Falésia, 47, ex-pinhal de Albufeira, 2018.
Que bela casa típica...
ResponderEliminarAh, pois, o aborto já é autorizado!
Tudo é autorizado.
ResponderEliminar(Salvo dizer preto, ou cigano…)
Que mamarracho! Parece projecto de engenheiro que se formou a um domingo...
ResponderEliminarTemos de ir rapidamente ver as imagens da Rua Barão de Sabrosa para apagar esta coisa horrível da memória.
Sim. «Projectos» que fizeram escola. Note, além do resto, o telhado preto estilo alpino, mui adequado ao Algarve.
ResponderEliminarCumpts.