« Fernando Medina, por seu lado, diz que o boom [*] turístico da capital não pesou na decisão de reactivar a linha. De todo. O que pesou foi mesmo a vontade dos lisboetas.»
O Me(r)dina disse e, a boa da Cristiana Faria Moreira do Púbico [isso mesmo], logo titulou a coisa: «Pedido pelos lisboetas, o 24 voltou e logo se encheu de turistas.» O nexo é paradoxal: (re)faz-se pelo indígena; o usufrutuário é o... bárbaro. É como a verdade: a do Me(r)dina e a dos factos. A jornalista, não sei se se apercebe (mais certo é que não), mas acaba por lhe sair uma croniqueta fiel: do frete à realidade. E, do mesmo modo — i.é, sem bem se continuar a aperceber do que faz — a esta ultima (a realidade), soma a jornalista os referenciais que lhe moldam (agora diz-se formatam, não é?...) a mente. Dos termos usados (a linguagem, sempre a linguagem...) o que torna não é o eléctrico 24; é o 24E — quem mora em Campolide aplaude o regresso do 24E; o 24E deixou os carris há 23 anos — chega lavrar pergaminhos antigos de 70 anos a esta aberração 24E — Natércia Santos, de 71 anos, ao lembrar-se do “tempo de menina”, em que andava no 24E; e ao carro eléctrico (com tracção própria) chama-lhe a jornalista carruagem. — Conceitos...
Da fantochada do eléctrico 24 (ou deste 24E) e dos transportes colectivos da cidade já aqui disse há dias: — «Recuperação da carreira para serviço do alfacinha?... Duvido. Cheira-me a coisa para inglês ver (touriste oblige) e publicidade grosseira a uma vereação que governa Lisboa para o estrangeiro mais que para o lisboeta.»
Hoje (nem de propósito no dia que é...) somente acrescento, para quem consiga reflectir, o que escreveu Vasco Callixto n' As Rodas da Capital:
« Os primeiros carros para operários, com tarifas mais reduzidas, apareceram em 1935, em consequência do acordo estabelecido, em 5 de Julho daquele ano, entre a «Carris» e a Câmara Municipal de Lisboa. As carreiras beneficiadas foram as de Belém–Almirante Reis, Praça do Comércio–Alto de S. João, Belém–Caminho de Ferro, Ajuda–Rossio e Poço do Bispo–Rossio.
Em 1936, inauguraram-se mais duas carreiras: a da Rua Domingos Sequeira à Parada do Cemitétio dos Prazeres e a de Campolide a Almirante Reis (pp. 122-123).»

Eléctrico (sinal de perigo), Sintra, 1972.
Jean-Henri Manara, in Portugal (Flickr).
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[*] A onomatopeia portuguesa bum não serve. Deve ser do primado da fonética sobre a ortografia que ditou o chamado «Acordo Ortográfico» de 1990.
Coisas que se dizem e coisas que se escrevem.
ResponderEliminarHá quem evite ao máximo dizer "nunca", sob pena de lhe correr a vida ao contrário e ir-se a consistência. Para alguns a 24 também nunca desceu ao Cais do Sodré e, contudo, não só desceu como assim acabou.
Vermelho, encarnado...é tudo o mesmo, palavras baratas.
Ai sim!? Não seria qualquer sucedâneo com rótulo usurpado. Desceu porventura ao Cais do Sodré para ir morrer longe. Parece que estrebuchou um ano.
ResponderEliminarPara si, sim, é tudo o mesmo; além de palavras, números baratos.
Veio com o vermelho e o encarnado, mas pode ir de volta com amarelo.
Boa viagem.
Quase dá a impressão que o sistema viário do futuro na Av da República, o mais avançado de todos. Aí ser aquele que já existia em 1960.
ResponderEliminarNão sei se o entendo. Se compara com a me(r)dinice que se lá acha hoje em prol do ciclomontanhismo, discordo. As laterais tinham duas faixas de rolagem e estacionamento; hoje têm uma, que é um tropeço a cada passo sempre que há necessidade de estacionar ou sair do estacionamento nas laterais. Nem quero pensar se houver um incêndio ou uma simples emergência.
ResponderEliminarCumpts.