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domingo, 14 de janeiro de 2018

Medicinal

Calendário da Pasta Medicinal Couto, 1963 (Leilões BestNet)
Calendário da Pasta Medicinal Couto, Couto, L.da, 1963.
In Leilões BestNet.


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 A malta que (se) governa em S. Bento resolveu que havíamos agora todos de poder mandar uns bafos à vontadex sem havermos de ser chateados por rebates de velha consciência ou, mais prosaicamente, pela bófia. Tudo numa de curte com amigos, animais e natureza e na comunhão serena dum iá, men! 'tá-se!…


 Vai daí enrolaram a lei do charro no plenário com a justificação de que é medicinal. Medicinal era a pasta Couto, mas, como podeis saber, teve de o deixar de ser por regra da Ouropa, da mesma ordem daqueloutra que ditou medidas ao arco da curvatura do pepino que se podia vender na praça. Não obstante, estes cá, agora, de neurónios coriscantes de vida saudável e em sinapses comprovadamente bafejadas pel' a vida é uma curte, resolveram decretar que medicinal é o chamon.


 Os publicistas (*) destas benfazejas novidades tão essenciais ao homem contemporâneo, como poder morrer cheio de saúde e irradiando qualidade de vida, vieram prestes urbi & suburbi agitando parangonas: há nada menos de 100-subscritores-100 da «área da saúde», de diversas especialidades e adjacências mé®dicas, incluídos uns quantos investigadores de ciência omissa mas de defensorismo acérrimo jornalisticamente firmado que avalizam a descoberta (**). Convenhamos na enormidade do quantitativo apresentado, a acompanhar com a qualidade evidenciada, de mais a mais quando em contrário a este anúncio herbimedicinal nem delírio brotou na imprensa, nem efeitos secundários se acharam em quaisquer bulas de infarmédica desautoridade. — Avanços médico-me®diáticos (ou mé®dico-mediáticos, o leitor escolha) democraticamente absolutos — por sem oposição — num progresso da investigação científica insofismável, é o que é.


 E assim, neste desbravar científico do homem novo — individualmente ou com mulher, animal ou natureza apensas, para ser inclusivo q.b. —, em que testes laboratório-me®diáticos comprovaram irremediavelmente os malefícios do croquete na cafetaria hospitalar ou nas cantinas desses depósitos de abortos inconseguidos e de potenciais eutanásicos, catalogados na categoria dos edifícios público-privados como escolas e lares, só me resta uma dúvida: o progresso científico e humano por aí ora anunciado decorre simplesmente da ganza ou deve-se já ao foçar adiantado em algo ainda mais... medicinal?
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(*) Púbico (exactamente) e Saco de Plástico à cabeça, com restante me®dia em auspicioso coro.
(**) V. «Médicos e investigadores defendem legalização da cannabis para fins medicinais», Diário de Notícias, 9/1/2018.

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