Este palacete do n.º 12 da Pr. do Saldanha, à esquina da ex-avenida, agora beco, da Praia da Victoria vi-o à venda faz umas semanas. Não sei se já foi vendido. Cuido que não. Uma casa destas, se não for para deitar abaixo e fazer um mamarracho não interessa a ninguém. — Nunca o vi habitado. Há meia dúzia anos vi-o dado à campanha do Pedro Coelho, o que me admirou. Mas não há-de ser muito de estranhar; o outro palacete no Saldanha que, a par deste, ainda não viu o camartelo foi onde assomou o tratante do Mário Soares em 85 quando ganhou as presidenciais. Cheiram-me sempre estas boas casas fechadas, que ora estão uma vida por habitar, ora são aqui ou ali facultadas a campanhas eleiçoeiras — cheira-me cá, eu — andarem dadas a confrarias mais ou menos discretas de irmãos lojistas. Daqui aos partidos...
É só um palpite.
A chapa é de Joshua Benoliel, para aí de há cem anos, e acha-se no archivo photograhico da C.M.L.
P.S.: repare-se nos frescos do frontão do piso superior (também os havia no frontão da Av. da Praia da Victoria e entre os arcos das janelas sul do 1.º andar e a cimalha) apagados por um novo proprietário cerca de 1939 (v. «Prédio na Praça Duque de Saldanha, 12» — Nota Histórico-Artística, in D.G.P.C.). Marcas da involução do gosto.


Se este não foi ainda derrubado deve estar guardado para os 'irmãos' ou para uma sede de partido (dos deles), é mais do que certo. +E como o outro do lado opostro, como bem frisou.
ResponderEliminarNão sei se é por ser Prémio Valmôr que nãofoi abaixo, não cheguei a ler toda a sua história, mas mesmo que o fosse isso não impedia a malta brava (que tem vindo a destruir tudo o que era belo na cidade de Lisboa) de o derrubar, como sucedeu a outros P.V. lindos, sitos na então perfeitamente urbanizada e muito bonita Av. da República.
E já agora é bom não esquecer que os energúmenos fizeram o mesmo ao esplêndido Cinema-Teatro Monumental.
Quando é que nos vamos livrar destas criaturas infectas que só vieram para o nosso país para nos fazer mal?
Maria
Não foi prémio Valmor. Teve sòmente uma menção honrosa em 1912. Mas mesmo se o fôra, de nada servia, como é evidente...
ResponderEliminarCumpts.
Exacto, não podia ter mais razão. Todos eles crimes urbanísticos e todos sem punição. Pulhas.
ResponderEliminarMaria
Caro Bic,
ResponderEliminarTambém os lindos candeeiros que se vêem na fotografia há muito desapareceram. Derrubam-se edifícios, candeeiros, vai tudo a eito. Não fica assim a cidade descaracterizada?
Cumprimentos
Fica. Esses lampiões de pé, na' ruas onde resistem, dão logo outro encanto. A Rua Eduardo Brazão é dessas.
ResponderEliminarNoutras, como a Av. Álvaro Pais, puseram uns palitos todos modernaços que até fazem aflição.
Uma desgraça!
Cumpts.
Caro BIC
ResponderEliminarUm aditamento: Esta casa foi projectada pelo arquitecto Manuel Norte Júnior, e concluída em 1912 para o seu primeiro proprietário Nuno Pereira de Oliveira.
Cumprimentos
Sim. Faltou esse pormenor.
ResponderEliminarObrigado!