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domingo, 2 de abril de 2017

Povo que Lavas no Rio (o poema e a sordidez, ainda...)


Ajudai-me a perceber o fado «Povo que Lavas no Rio».
A canção. Estou à procura de perceber sôbre que é esta canção: — Que representa o caixão? — Quem é o povo que lava no rio? — O significado do poema não me é claro. Obrigado!



 Haveis de desculpar-me o pendor para o vernáculo. Vai para cinco anos dei notícia aqui com estupefacção da nojice que ia pela Wikipeida, com a reles e sórdida apropriação do fado do «Povo que Lavas no Rio» pela paneleiragem militante.


 Pois passados estes anos — e apesar de o verbete da Wikipeida andar já enterrado nas catacumbas daquela espécie de enciclopeida, ou enciclopetas, ou o raio —, vejo que perdurou a merda lá escrita o tempo suficiente à tona para se lambuzar nela uma outra mentezinha demente, a ponto de lhe haver pegado com lúbrico préstimo e ir assim aplicá-lo em resposta ao infeliz estrangeiro que, incauto, perguntara do sentido do poema de Pedro Homem de Mello. Pobre estrangeiro. Recebeu a obsessão introdutória antifascista e uma dose cavalar de supositórios de paneleirice por esclarecimento.


 Isto ainda há dois anos. Há-de perdurar. Agora também em língua franca para que o mundo não perca nem pitada da cada vez mais orgulhosa vulgaridade portuguesa.



" Um poema que muito simplesmente canta a força do povo no seu viver agreste, para lá de «haver quem [no] defenda» ou de «quem compre o [seu] chão sagrado» (quem no ofenda, portanto).  Mais, a comunhão do narrador com aquela condição, que o povo não deixa de reconhecer pois até na morte o cuidará, talhando-lhe a força de braço «as tábuas do [seu] caixão», isto é, dando-lhe sepultura digna."

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