Haveis de desculpar-me o pendor para o vernáculo. Vai para cinco anos dei notícia aqui com estupefacção da nojice que ia pela Wikipeida, com a reles e sórdida apropriação do fado do «Povo que Lavas no Rio» pela paneleiragem militante.
Pois passados estes anos — e apesar de o verbete da Wikipeida andar já enterrado nas catacumbas daquela espécie de enciclopeida, ou enciclopetas, ou o raio —, vejo que perdurou a merda lá escrita o tempo suficiente à tona para se lambuzar nela uma outra mentezinha demente, a ponto de lhe haver pegado com lúbrico préstimo e ir assim aplicá-lo em resposta ao infeliz estrangeiro que, incauto, perguntara do sentido do poema de Pedro Homem de Mello. Pobre estrangeiro. Recebeu a obsessão introdutória antifascista e uma dose cavalar de supositórios de paneleirice por esclarecimento.
Isto ainda há dois anos. Há-de perdurar. Agora também em língua franca para que o mundo não perca nem pitada da cada vez mais orgulhosa vulgaridade portuguesa.
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