Raul Brandão
(Alex V. Palacios)
Quando há uns 15 dias ouvi a vereadora vimaranense das bibliotecas muito empolgada numa entrevista à maçónica T.S.F., apregoando a reedição das Memórias de Raul Brandão, porque já fazia falta, fiquei cá desconfiado. — Então não tem a Relógio d'Água as Memórias no catálogo, em edição recente?! — Não parece que esteja esgotada. Nem o preço é proibitivo. Foi subsidiado...
Esta edição parte — lê-se na nota — da versão de 1925 (actualizada ortograficamente e expurgada de gralhas e lapsos); e em notas numeradas procede ao registo das variantes [...] da 1.ª edição, da 2.ª edição e da edição do «Jornal do Fôro» (1969), fixada esta última por Manuel Mendes a partir das notas e emendas deixadas por Raul Brandão nos exemplares que possuía. Tem, além disto, um índex alfabético em cada tomo e, a completar o 3.º, uma tábua biográfica relativa às pessoas mais importantes ou as mencionadas por mais de uma vez ao longo das Memórias.
Não conhecia então estas Memórias, nem nada, de Raul Brandão (começara o Húmus mas não prosseguira nele além das primeiras páginas). Quando as vi no escaparate da livraria por módico preço (louvado Instituto Português do Livro e das Bibliotecas!) não hesitei. Nem me arrependi. As Memórias são muito boas e a edição também.
O José publicou na Porta da Loja ontem umas páginas da tal edição nova que fazia falta, da Quetzal. O verbete que ele destaca, de Janeiro de 1926 (3.º vol.), passa de Eça de Queiroz (filho) a Jaime Batalha Reis, a Lenine e nada o marca como na edição da Relógio d' Água (v. supra). Muda de capítulo só chegando ao Magalhães Lima: — ORREU [sic] UM DIA DESTES... (v. infra, p. 581)
— Ah pois 'orreu! 'as é que 'orreu 'esmo!
Mas bem: era preciso enfiar a nova cacografia do governo também agora no Raul Brandão, enfim!... Vêde vós com que esmero!...
Quem se dê bem com a leitura electrónica pode achar o 1.º vol. na ed. da Renascença Portuguesa de 1919 gratuitamente aqui. Pelo menos não terá de aturar «conce[p]ções» ou «Egi[p]tos».
(As páginas da paupérrima e acordizada ed. da Quetzal são do José; os quinaus são meus.)
Que tareia tão bem dada!
ResponderEliminarEspero que sim, pois estavam a merecê-la.
ResponderEliminarObrigado.
Caro Bic
ResponderEliminarAqui tem para a troca:
https://openlibrary.org/works/OL3150539W/A_conspiração_de_1817
https://openlibrary.org/works/OL3150526W/Memorias
https://openlibrary.org/authors/OL501105A/Raul_Brandão?sort=old#editions
E' sempre um gosto dar uma vista de olhos ao seu blogue.
Bem haja
Obrigado!
ResponderEliminarEnriquece o verbete.
Li em 1ª edição, suponho que era a que havia cá em casa e creio que depois comprei outra que estará por aí. Esta de agora, em acordês, não a leria.
ResponderEliminarSão interessantes, as Memórias, mas lembro-me que quando as comecei as ler, na adolescência, me avisaram que era preciso ter algum cuidado, que havia algum facciosismo.
E, mais tarde, numa releitura de umas páginas percebi que sim, que é preciso ter alguns cuidados.
Pode ser. Mas como impressões de época são cheias de interêsse:
ResponderEliminarCumpts.