No tempo em que o prédio de rendimento era tachado como architectura menor que desvalorizava o presumido bom gôsto das avenidas novas, já a moda de fechar marquises pegava. Succede que os materiaes vidro e ferro ainda se perdiam em arrimos «art déco». Nada que se assemelhasse ao alumínio de régua e esquadro a 90º em sublime gôsto eurocaixilho.
Rua dos Açores, 59 a 59-J em 1961: descubra as diferenças! (Não existem soluções.)

Rua dos Açores, 59 a 59-J, Lisboa, 1961.
Augusto de Jesus Fernandes, in archivo phtographico da C.M.L.
A fotografia publicada recordou-me o teledisco infra, vá lá saber-se porquê... :-)
ResponderEliminarhttps://www.youtube.com/watch?v=XDIYOiQUi2s
Vivi por aqueles lados nos anos 1957 a 1962. Morava na Rua José Estevão, ao Jardim Constantino. O Damas, guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional, também por lá morava. (Sporting Club de Portugal? e por que não Desportivo Clube de Portugal? coisas de, viscondes, gente fina).
ResponderEliminarA bela marquise art-deco, da Rua dos Açores, que aparece na foto, não tem nada a ver com os alumínios quase 'instituídos' e autorizados nas varandas dos prédios construídos, a partir dos finais dos anos 60.
Valdemar Silva
Caro Bic,
ResponderEliminarÀs vezes queria que publicasse as suas fotos antigas acompanhadas de umas com o aspecto actual que esses sítios apresentam. Agora que o fez fico muito feliz por um lado mas por outro é uma dor de alma verificar o que entretanto se fez. Este antes e depois é um bom exemplo, é uma dor de alma. Ainda assim deixo o meu bem haja.
Até mete dó. Era lindíssimo e ainda temos muita dessa arquitectura e bairros que deviam ser protegidos
ResponderEliminarMarquises destas não se salvam. A alienação ao moderno liquida-as todas. Algum módico de bom gôsto para entender a perda morreu muito antes de cairem elas de maduras.
ResponderEliminarNa Av. da República 37 / João Crisóstomo, 14 havia algumas que davam para o logradouro que parece se salvaram. Ou mais ou menos...
Cumpts.
O que se entre tanto desfez.
ResponderEliminarObrigado do apreço.
Coisas de gente fina muita vez popularizam-se: Sportem!
ResponderEliminarCumpts.
Bem lembrado!
ResponderEliminarCumpts.
Caramba, caro Bic Laranja- essa casa deve ser meter inveja
ResponderEliminarehehehehe
Que maravilha.
Pois!... Tem anúncio em chinês, nem assim parece vender. A cagada do Estoril Sol vendeu bem melhor. Vamos lá de novo-riquismo!
ResponderEliminarCumpts.
Os andares são simplesmente fantásticos! Presumo que quem os aprecia não tem disponibilidades para os adquirir, e quem tem disponibilidades para os adquirir não os aprecia...
ResponderEliminarDeve ser isso. Mas de tanto que se fala em lavagem de dinheiro...
ResponderEliminarCumpts.
Mesmo essas lavagens poderão ser feitas com bom gosto ou não...
ResponderEliminarMais certo é serem feitas a eito. Mas nem nessa lotaria sai bom gosto. Foi o que quis dizer.
ResponderEliminarQuase de esquina para a Av.Duque d'Ávila, em cruzamento com a Marquês de Tomar (se não estou em erro é este o nbome desta outra Av.) há uma edifício pequeno ou moradia de dois pisos, que tem uma marquise deste género e que é uma beleza. Aquela moradia que é hoje um Museu (não me recordo do nome... e até já o visitei, mas já vai muito tempo) muito próximo da Maternidade Alfredo da Costa, é interessante e tem uns vitrais também bonitos, mas o estilo já é mais recente (anos trinta?) e foge daqueles dois que eu aprecio bastante mais, no que é considerada a verdadeira Arte-Nova.
ResponderEliminarEm Lisboa e Aveiro e creio que em mais cidades, temos ainda e felizmente alguns exemplares de marquises destas extremamente elegantes e alguns toldos de vidro "meio art-nouveau, meio art-déco", sem esquecer as fachadas e interiores de muitos edifícios e moradias, estes últimos com estuques espantosamente belos.
Em Paris então nem se fala, há centenas ou milhares destes toldos e outras tantas fachadas, todos eles e elas lindos de morrer. É natural que assim seja, Paris e sobretudo Nancy, esta a cidade onde nasceu o estilo Art-Nouveau, são-no por excelência.
Maria
A casa que refere não é o museu do Dr. Anastacio Gonçalves? Essa é na Pinheiro Chagas com a 5 de Outubro.
ResponderEliminarParis foi massacrada com a 2.ª grande guerra e refizeram-na. Lisboa (ou qualquer cidade portuguesa) não e desfizeram-na.
Cumpts.
É esse mesmo! Paris, que visitei já lá vão muitos anos e apenas por falta de tempo não vi muito do que merecia a pena ter sido visitado e visto. Paris e arredores era então e creio continuar a ser, uma cidade extremamente bela e atrever-me-ía a dizer uma cidade feminina:) Assim como Lisboa é uma cidade branca, no dizer nuito acertado de um jornalista norte-americano.
ResponderEliminarNão foi na Avenue du Champs Elisées que o nosso Marquês se inspirou para encarregar os arquitectos E. dos Santos e M. da Nóbrega de fazer algo semelhante na Baixa de Lisboa e que mais tarde deu origem à nossa Av. da Liberdade? Parece-me bem que sim. Sem desprimor para a francesa, a nossa Avenida é mais bonita. Refiro-me sobretudo e òbviamente à sua limpeza e conservação durante o Estado Novo e também a absoluta perfeição dos belos desenhos milimètricamente trabalhados no calcetamento dos passeios e a enorme largura da nossa Avenida, dividida por largas placas arborizadas pontificadas por várias e bonitas esculturas e pequenos lagos, sem esquecer é claro a sua limpeza ímpar que deixava boquiabertos de espanto os turistas que então nos visitavam.
Tudo o que descrevi é a antítese do que por lá vê agora e que já se vem verificando desde há pelo menos trinta anos. Um dia destes tive que lá passar e o que observei desde o desnivelamento e nenhum cuidado com a conservação dos passeios, passando pela má conservação do arvoredo, assim como com as poucas plantas e flores(?) dos cada vez mais exíguos e maltratados espaços para estas se desenvolverem em harmonia, até à porcaria que se vê por todo o chão duma ponta à outra daquela que já foi um linda Avenida, mais do que uma vergonha trata-se de um crime de lesa património e uma completa falta de respeito por quem com tanta dedicação, empenho e trabalho nos legou uma verdadeira pérola na Baixa de Lisboa. O Medina não sabe tratar de recuperar esta que é/era uma das mais lindas avenidas da Europa? Digo o Medina, já que o Costa, aparte a penthouse que lá mandou construir para proveito próprio num edifício cuja planta não o permitia, nunca quis saber nada sobre a recuperação desta Avenida nem na verdade de toda a Lisboa.
A de Paris, que pessoalmente achei uma aberração, passou-se quando a visitei, pois não possuía a mais pequena amostra de arvoredo, o que me deixou estupefacta, quase chocada, já que estava à espera que se assemelhasse à nossa linda Avenida e que até fosse mais deslumbrante. Mas não, sem arvoredo, sem canteiros com flores, espaços ou placas a dividir a Avenida, etc., esta, dos Campos Elísios, perdia em espectacularidade o que de outro modo tê-la-ia fortemente enriquecido.
Maria
:)
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