« Hoje em dia, aquella denominação, nem é desprezivel nem affrontosa. O progresso indultou o jogador; deliu-lhe da fronte o antigo ferrete.
[...] Se eu viesse á luz no seculo XVI, este meu mister de jogador era synonymo de vadiagem (Ord, l. V, tit. 82). Nas minhas tertulias, devidas á sorte feliz da tavolagem, lograria apenas reunir jogadores. Se nascesse no seculo XVII ou XVIII, os corregedores dos Philippes, de D. João IV e Pedro II, e dos reis subsequentes, se eu désse bailes, carregavam-me com as leis sumptuarias por sobre a pêcha de vadio. Em tempo de D. João V, D. José ou D. Maria, tanto o Camões do Rocio, como o Marques Bacalhau, como o Pina Manique mandavam-me responder do Limoeiro pela procedencia dos meus lustres, dos meus sophás, dos meus jarrões, dos meus contadores marchetados, dos meus bronzes, dos meus frescos, dos meus pendulos, dos meus pavimentos de xadrez lustroso. E vestiam-me talvez uma das librés dos meus criados.
Póde ser que, em outras eras tenebrosas, a felicidade no jogo fosse malsinada de fraude e roubo. Hoje não.»Camillo Castello Branco, «O jogador», in Noites de insomnia, offerecidas a quem não póde dormir, n.º 4 — Abril, Chardron, Porto/Braga, 1874.
«Placard», o nome escolhido pela Sancta Casa Holy House para as apostas desportivas, in poker.pt.
Booonnniiiitttiiinnnnhoo
ResponderEliminarObrigadinho!
ResponderEliminarBelo pedacinho de texto de Camillo. Como este de um grande da nossa literatura, também de outros igualmente grandes tem vindo a reproduzir. É preciso vir aqui para os ler.
ResponderEliminar:)Maria
Certamente compreendeu que me estava a referir àquela parte do anúncio em que o jogador se olha ao espelho enquanto que o locutor, de microfone na mão, grita desalmadamente: Booonnniiiitttiiinnnnhoo
ResponderEliminarE também aqui como em 1874.
ResponderEliminarCumpts.
Não me recorda o anúncio. Mas entendi que era um gracejo.
ResponderEliminarCumpts.