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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Guterres, o mole...

 Guterres, o mole, é um habilidoso.



  [...] Mário Soares assumia-se em Belém como o chefe, de facto, da oposição ao Governo, deixando pouco espaço a Guterres. Chamava gente ao Palácio para falar mal do primeiro-ministro, acusando Guterres de ser «mole» e não fazer a Cavaco a oposição que se impunha.
  [...]
  Num almoço no Pabe, nesse ano de 1994, pergunto a Guterres se isso não o menoriza. Se não se sente incomodado com o facto de Soares querer substituir-se a ele como líder da oposição. Responde--me: «Não me incomoda absolutamente nada», acrescentando que tenciona ignorar as desconsiderações e «pilantrices» (sic) de Soares. E explica: «Se o Soares desgastar o Cavaco e o Governo, isso só pode reverter em meu benefício. Sou eu que sucederei ao Cavaco quando ele cair...» Mais incisivo, diz que o seu papel é «deixar o Buda em Belém a atacar o Governo» e depois tirar proveito disso.
  E mais próximo das eleições usará uma expressão que lhe ouvi noutras alturas e fará escola: «Basta‑me fazer de morto para ser primeiro‑ministro.»
  [...]
  Mais ou menos um ano antes de Guterres ser primeiro-ministro, pergunto-lhe o que acha de Jorge Sampaio. «Sampaio é um hipócrita», responde de pronto.


José Ant.º Saraiva, Eu e os Políticos, 1.ª ed., Gradiva, Lisboa, 2016, pp. 50-53 passim (sublinhados no original).



 Por isso, da sua converseta de ontem em louvor da exemplar união nacional dos portugueses (leia-se, a classe político-jornalística do pântano nacional) para empoleirá-lo na Secretaria-Geral do pântano mundial, reitero o que disse: foi naquela vez pela causa de Timor e, agora, por causa dum tacho para si.


 De feito, moleza liga-se bem com lodo dos pântanos.  Anda ou não isto tudo ligado?


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Imagem de Contra-Informação.

11 comentários:

  1. Como concordará o "livro" do Saraiva não é um tratado de moral, nem um exemplo da literatura portuguesa do séc. XXI.
    Tem o interesse que lhe dedicam e servirá para e onde se ajuste. Eu acho-o com interesse histórico nulo, pois que nem tem autor de créditos, nem conteúdos de mérito. Mas vai servindo nesta, como noutras, ocasião para corroer, insinuar, apoucar e até emporcalhar a coisa. Existem no mundo uns 'seres' que vivem muito apegados a uma certa necessidade fúnebre. Matar o outro que nos confronta ou simplesmente afronta, normalmente não conseguem o que consideram 'o lugar da sua dignidade'... nem retirar ao outro aquilo que por natureza lhe pertence
    Coitados que não entendem que não é por 'sujar' o outro que limpamos a nódoa que colocamos no lugar de alma. Antes nos amarga a vida, azeda o mundo. Tive oportunidade de conhecer o Senhor de que aqui se fala e conheço minimamente a missão do pântano e curiosamente acho que se comprova que é um homem muito sábio... Basta fazer de morto e ser medianamente ignorantes e ergueremos os castelos que apressadamente derrubaremos, não vão eles fazer alguma sombra indesejável. Todos habitamos o lodo universal, mas alguns acham que não! O meu é temperado com Menta: é um bocado amaricado ma sempre alivia o mau cheiro das segundas/terças/quartas...sem banho. Chiça
    Emanuel

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  2. Hum! Banhos de lama com sabor a menta... Pois não dizem que fazem bem à pele?!... — Todavia eu prefiro água.
    Espere por quinta-feira e livre-se disso.
    Cumpts.

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  3. Sabe eu não falei de banhos de lamas nem de lamas com sabores... Esse é um jogo que não cabe no meu tabuleiro.
    Apenas transformei o seu "juízo da lama" num universal com a idiossincrasia de salvaguardar que não me importo de partilhar lama mas sinto sempre necessidade de lhe acrescentar uma porca ou um parafuso para que não seja igual às demais...
    Quanto a quinta... considerando que só trabalho de noite imagine o cheiro do lamaçal a esse hora... não consegue daí do seu paço
    O mundo dos humanos está a tornar-se numa gigante Torre de Pisa. Será da lama... mas ainda mais da falta de prumo
    M

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  4. A bem dizer nem sei do que falou. Respondi-lhe como pude, olhe...
    Estimo as melhoras.

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  5. Pois...
    Acontece, muito, não saber o que se diz.
    Acontece, ainda mais, não entender o que se ouve, ou juntar as 'frames'do que se vê
    Frequentemente tendemos a não medir o que dizemos nem hipostasiamos os ouvidos onde chegará
    Concluindo: dizemos cousas que nos enchem e ao nosso circulo menosprezando ou desonrando aqueles que podem ser tocados pelo eco, no círculo évidemment
    Mesmo não me encontrando mais doente que...agradeço a estima
    A

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  6. As melhoras do Buda, então.
    Cumpra.

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  7. Ouviu o Jorge Coelho dizer numa entrevista qualquer, a propósito do novo cargo do Guterres, há dois ou três dias, que "ele é a pessoa mais inteligente que eu conheci em toda a minha vida"(!!!???) e que ele tinha sido "um político competentíssimo"(!!!!???) e que não podiam ter escolhido melhor(???) candidato para presidente da ONU?
    Ouço com cada uma que, em vez de duas, parecem três.
    Maria

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  8. Inteligente será. E habilidoso. Menos em contas...
    Cumpts.

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  9. Habilidoso talvez, mas inteligente?! (e segundo J. Coelho, a pessoa mais inteligente que conheceu...), acha?, não sei não.
    E quanto a ele considerar-se católico... sendo um socialista declarado, é algo paradoxal que não se coaduna. Só se pode adorar um só Deus. Convenhamos que esta sua dupla crença tem muito que se lhe diga. Não é possível obedecer a Deus e ao Diabo.
    Maria

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  10. A manha é uma forma de inteligência. É essa que o coelhão consegue reconhecer.
    Coincidem a adorar o mesmo deus, depois.
    Cumpts.

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  11. Ah!, só se for isso. Assim concordo. Que pestes.
    Maria

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