Na senda de imagens do Campo Pequeno para ilustrar ontem o verbete do cruzamento Av. João XXI com a Defensores de Chaves (seja lá isso onde for), topei com esta muito curiosa em que o palácio Galveias se estende muito para o lado da Rua do Arco do Cego (ou Estr. do Campo Pequeno). Tanto que se nem ela lá percebe.
A inferior mostra o lugar com um aspecto mais contemporâneo.
Ambas são do tempo em que o terreiro fronteiro ao palácio Galveias se chamava Largo do Dr. Afonso Pena.
Largo do Dr. Afonso Pena e Palácio Galveias, Campo Pequeno, [s.d.]
José Arthur Leitão Barcia, in archivo photographico da C.M.L.
Palácio Galveias e Largo do Dr. Afonso Pena, Campo Pequeno, 1945.
André Salgado, in archivo photographico da C.M.L.
Adenda às sete da tarde: a planta 10 M do levantamento topográfico de Lisboa (J.A.V. da Silva Pinto, C.M.L.,1904-1911) ajuda a perceber a imagem superior: a frente do palácio que dava para a Rua do Arco do Cego tinha uma faixa de jardim com renque de árvores orlando o palácio por chãos que são hoje rua pública; o muro de base do gradeamento prolongava-se ele mesmo para ao longo da estrada, além do limite da fachada N do palácio. É o muro branco que se vê na banda esquerda na fotografia de cima e que por ilusão de óptica me pareceu prolongar-se para Nascente através da dita Rua do Arco do Cego.
A planta em concreto, da autoria do agente técnico de engenharia Alberto de Sá Correia, é de 1908. Quando foi a rua alargada à expensas daquela orla do jardim do palácio Galveias não sei. Talvez em 1929, que o limite ad quem dado no arquivo àquela fotografia lá em cima.
Mas o Palácio das Galveias tinha aquele aspecto de degradação horrível, pelos anos de 19... e? Sei que desde que o conheço sempre esteve impecável. Felizmente nunca por lá passou o camartelo! Deve ter sido por absoluto milagre. Ou então a família a isso sempre se opôs, nunca o tendo permitido. Se assim foi, ainda bem para os próprios e para todos nós que apreciamos enormemente a bela e imponenete arquitectura d'outros tempos.
ResponderEliminarAinda não li o seu texto mais acima sobre este tema (pelos motivos de que lhe falei, estive hoje e ontem a ler demasiados textos e a escrever comentários a mais, mas penso ir lê-lo amanhã e outros mais que não quero perder) e se calhar tem lá a resposta à pergunta que lhe vou colocar: sabe a que família pertenceu este Palácio? Saberá com certeza:)
Maria
Obs.: Não se consegue verificar a ortografia, espero que não haja erros ou faltas.
O palácio Galveias chegou ao estado em que se viu antes de ser expropriado e convertido em biblioteca municipal.
ResponderEliminarFoi construído pelos Távoras no séc. XVII, de que é exemplar arquitectónico das casas nobres desse tempo, mas, com a desdita dessa família no tempo de Pombal o palácio (e quinta, que era vasta) mudou de dono. Chegou às mãos dos Abreus e Castros, condes das Galveias pelos alvores do séc. XIX até que estes o finalmente venderam a um Braz Simões, salvo erro industrial ou capitalista, uma coisa assim. Este arrendou-o em fracções a gente pobre como sudedeu a outros palácios fidalgos como p. ex. os casebres do Loretto (Marialva) ou o palácio dos Telles da Silva (Alegrete). Até que decaíu no estado em que o vemos na imagem. Acabou expropriado pelos anos 20 por se dar remate às avenidas Barbosa du Bocage, Elias Garcia e Defensores de Chaves. Com a posse do Estado c. de 1928/29, em boa hora decidiu-se restaurá-lo e vertido em biblioteca com o solene aspecto que lhe reconehecemos hoje.
Mais uma nota. Os cartazes de espéctaculos na frontaria do palácio anunciam os filmes mudos Cabiria no Politeama e Maciste no Olympia. São filmes italianos de 1914 e 1915. Não sei ao certo quando foram estreados cá, mas já li alhures que foi por 1916. Ora aqui está uma data verosímil para a imagem.
Cumpts.
Que curiosa e completíssima informação. Uma delícia. Depois de ler as ligações que deixou, responderei melhor.
ResponderEliminarMaria
Generosidade sua. Não passa dum resumo.
ResponderEliminarObrigado! :)