O «espirituoso», á moderna, abrange os variados officios que, antes da nacionalisação d'aquelle extrangeirismo, pertenciam parcialmente aos seguintes personagens, uns de caza, outros importados: Chocarreiro — tregeiteador — arlequim — palhaço — proxinella — polichinello — maninêllo — truão —jogral — goliardo — histrião — farcista — farçola — végete — bobo — pierrot — momo — bufão — folião, etc.
Esta riqueza de synonimia denota que o bobo medieval bracejou na peninsula iberica vergonteas e enxertias em tanta copia que foi preciso dar nome ás especies. Ora, o «espirituoso» tem de todas.Camillo Castello Branco, «Gracejos que matam», Novellas do Minho, v. I, 2.ª ed., Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1903, p. 9.
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À bolina dos jogos do Rio o cata-vento de Belém apanhou brisa de feição e já prometeu o dia de Portugal de 2018 em São Paulo de Piratininga. Tenho impressão que nem quando a côrte do príncipe regente D. João cavou para o Rio de Janeiro, nem logo a seguir quando o seu filho D. Pedro lhe deu a birra nas margens do Ipiranga, em nenhum desses infaustos sucessos se viu Portugal tão perdido e alienado como agora. — O caso, vendo bem, é que se o Portugal do Minho a Timor era tão feio que até dava raiva, o Portugalinho lindo da raia de Castela também não deve ser coisa que valha. Pois se nem para palco dum espirituoso serve!...

O espirituoso, Lisboa, 1989.
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