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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Da vida de turista

Concessão ao manicómio


 Dois dias que ligo o telejornal, duas vezes o alinhamento dá o presidente entertainer só depois do primeiro ministro do Rato. E este por sua vez só após o campeonato dos matraquilhos. Eis o protocolo do mundo!


 Este anno pintou-se muita casa no pinhal (ex-pinhal). Mas não pintaram (ou se pintaram deixaram-nas) aquelas casas ali com aquela fiada de ninhos de andorinhas. — Em dizendo isto, observa-me a senhora que sou mui observador. — O bom destes dias é o tempo na contemplação de pequenos nadas como este. Melhor que contemplar essas vidas que se expõem em casas de ante ou no caixote que lixou o mundo. Precedência às andorinhas, eis o protocolo das férias!



Algarve — © 2014


 


Fialho, «Contos»...



  • «Outro que fosse — regougava — outro que fosse...», expressão repetida (p. 94) cujo significado será «quem havia de ser?!» — A minha mãe lembra-me ouvi-la «quem havia de senão ser!»

  • Menajeiro = manajeiro.

  • Vida ao ritmo dos sinos: «conforme antiga usança, ainda agora, nas vilas do Alentejo toca a reccolher, nove horas dadas, o sino da câmara» (nota na p. 93).

  • «Tocar a padres...»

  • «Não dei notícia dele» (p. 96) — dar por saber: não soube, não dei fé dele; deliciosa voz popular que ouvi pela primeira vez por 1991 ou 92 no barrocal algarvio a uma comadre Bia Soisa (Maria de Sousa). Pois justamente...

  • doutor Soisa = dr. Sousa (p. 93).

  • Jerolmo = Jerónimo (bem calhada ao comunista).

  • prove = pobre.


 «Contos» e vozes populares (ref.ª à ed. do Círculo, Alfragide, 1991).


Fialho, Obras (Círculo, 199_).jpg
 [A pilha de obras (semi)completas de Fialho é duma leiloeira...]



Smart 4Desligados


 Há quatro dias nesta vilegiatura e parece — a sensação que dá — é de alheados do mundo. Confesso que no domingo tentei pôr uma photographia do entardecer no blogo, tal o encantamento neste doce desterro. Não no consegui e ainda bem. Se é para desligar, não é para ligar. Desligados assim seremos, pese a tentação destes aparelhos agora que nos querem enredar socialmente a cada instante.


O espírito do lugar


 Sinto-o quieto; calhando anda passivo por isso a tentação que me deu de ligar ao mundo; ou calhando anda só latente e fazendo-se notar subtil no frustrar da tentação... Em sendo activo haveria de notar-se inequìvocamente toldando vivamente os sentidos com encantamentos de meros nadas: o arrulhar das rolas, o aroma do pinhal no vento rumorejante, o marulhar das ondas, as cigarras na canícula, o cheiro estival da casa, os grilos à noite, o céu polvilhado de estrelas e o sossêgo calmante de trás disto tudo.


Ex-pinhal do concelho, Albufeira — © 2012
Ex-pinhal do concelho, Albufeira — © 2012

(Algarve, 5/7/2016.)

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