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terça-feira, 22 de março de 2016

Os factos e as figur(inh)as do dia

  Os factos de hoje cá foram as plusões lá fora. Pelo primeiro-ministro do Rato fiquei a perceber melhor o que são plusões: são do mal o menos por causa de haver cada vez uma malha mais fina no cerco do acesso aos â â â... aos plusivos (T.S.F., Noticiário das 13h00, 11'30").
  Malha mais fina no cerco do acesso aos plusivos... — Não há dia nenhum em que este pedaço de asno não semizurre. Não há dia nenhum que os pés-de-microfone lhe não estendam o dito. Ao depois sai isto:



Por cada atentado que ocorre há dezenas que não ocorreram (T.S.F.)


« O combate ao terrorismo é um combate de longa duração», que «nos deve mobilizar a todos» e que exige «um trabalho de profundidade e de cooperação» [e] salientou que «há um problema de inserção» social na Europa (Inês Alves, Jornal de Negócios).



  Os atentados mais parecem as detenções de coca. Entendido por comparação parece ele ser...
  E combate ao terrorismo é como há décadas no Ultramar; mas só agora, quando uma canzoada com problemas de inserção social se ferra raivosamente às canelas de europeus é que o canastrão nos quere mobilizar a todos, aos portugueses. Para as colónias é que nem mais um soldado; não era terrorismo, eram movimentos de libertação!...


Terroristas, Angola


  Mas esta manhã, de dar-se o caso do dia em Bruxelas, o atropelo rádio-eufórico ia todinho para conseguir pôr no ar, domèsticamente, um desses entendidos em tudo em geral e nas bélgicas em particular ou, em alternativa, qualquer cão ou gato que por lá andasse. Desencantaram o Moedas, que soou pelo éter em directo ao telefone a dizer justamente as coisas de que falou. Enquanto o ouvia na telefonia do automóvel sem no escutar, auscultou-me a senhora:
  — Que lá faz este Moedas?
  — Ganha-as.
  — Sim, mas além disso?
  — Não faz mais nada. Talvez ao depois as cá redistribua: a filhos... Ou a irmãos...
  Mudei de posto por menos Moedas; no novo posto sintonizado anunciam o Moedas prestes a entrar no ar vindo posto anterior. — Ah grande Moedas! Sempre a postos!...
  Pus a dar um terceiro posto onde não tilintavam Moedas, mas onde rangia alguém. A voz era-me familiar: era o Rangel. — E como rangia! — Várias vezes lhe atalhou o locutor por lhe cortar o pio e nada; o Rangel falava desenfreado, não ouvia interrupções do locutor e não se detinha. Jorrava-lhe o umbigo pela verborreia. Falou, falou falou, de Bruxelas, de Estrasburgo, da Europa, de Molenbeek das polícias belga e francesa, de aeroportos, de muito viajar de avião, de tudo e, pela antiga Estr. de Sacavém e pela Almirante Reis (eu), de Arroios ao Areeiro não o ouvi calar-se nem ele parou de falar. O locutor da rádio resignou-se por alturas do cinema Império; deixou o comentador convidado comentar até se calar e fechou o directo: — Tivemos o comentário de Paulo Rangel sobre os atentados em Bruxelas em directo do Porto.



(Imagem de página electrónica não recomendada.)

4 comentários:

  1. Luís Bonifácio23/3/16 17:30

    Parabéns por este bem humorado, mas 200% assertivo texto sobre os Tudólogos nacionais!

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  2. Alfacinha30/3/16 17:03

    Parece que o Sr. P.M. não se fica por aí. Senão vejamos: " Ontem quando falava através da TV sobre bancos e dos conselhos da UE, proferiu as seguintes pérolas: pódéfice " e pádívida ".

    Eu acrescento: - Para quê e porquê esse incómodo dos "Exames?

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